Oito escolas fecharam neste sábado (14) os desfiles da Série Ouro, a principal divisão de acesso do carnaval carioca. Império Serrano, Unidos do Porto da Pedra e Estácio de Sá foram os destaques da 2ª noite. Um grave acidente ofuscou a União de Maricá: a última alegoria imprensou 3 pessoas.
Ao todo, 15 agremiações almejam o Grupo Especial, mas apenas a campeã vai ascender. Duas serão rebaixadas para a Série Prata, na Intendente Magalhães. (Leia mais abaixo)
Nesta sexta-feira (13), 7 escolas desfilaram. Unidos de Padre Miguel, União da Ilha do Governador e Inocentes de Belford Roxo foram os destaques da 1ª noite.
Veja a seguir como passou cada escola
Botafogo Samba Clube - A Alvinegra do Catumbi levou para a Sapucaí o enredo “O Brasil que floresce em arte”, uma homenagem ao paisagista Roberto Burle Marx.
Os carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel quiseram fugir do preto e branco e trouxeram um desfile colorido, com fantasias bem-acabadas e leves.
Uma das alas carregou um regador. As crianças vieram de joaninhas alvinegras — para não remeter às cores do rival. (Leia mais abaixo)
A rainha, Wenny, foi paparicada pela irmã mais velha, Lexa.
Em Cima da Hora - A Azul e Branca de Cavalcanti trouxe o enredo “Salve todas as Marias – laroyê, Pombagiras!”, sobre as entidades que simbolizam liberdade e resistência.
Alegorias grandiosas trouxeram as manifestações das Pombagiras. O último carro representou a intolerância religiosa e o vandalismo contra terreiros e centros espíritas.
A bateria de Léo Capoeira alternou nas paradinhas as batidas de pontos de religiões afro.
A escola precisou correr bastante para fechar o desfile em 55 minutos. (Leia mais abaixo)
Arranco do Engenho de Dentro - Em “A gargalhada é o Xamego da vida!”, a escola contou a história do palhaço Xamego, vivido por Maria Eliza Alves dos Reis, que desafiou preconceitos em uma época em que mulheres não podiam ser palhaças.
O Arranco veio leve e muito alegre, com fantasias e alegorias coloridas, e muitas referências ao circo.
A mestra de bateria Laísa, filha de Laíla, fez história ao comandar os ritmistas.
Império Serrano - A Verde e Branca exaltou em vida a escritora Conceição Evaristo, referência da literatura negra brasileira e criadora do conceito de “escrevivências”.
A escola privilegiou tons dourados e terrosos para contar a trajetória da mineira. A homenageada veio logo no abre-alas. Havia uma cadeira, mas em vários momentos Evaristo se levantou e acenou ao público, sempre cantando o samba. (Leia mais abaixo)
O hino foi outro destaque do desfile, que crescia na frase “A gente combinamos de não morrer”. Conceição ficou na dispersão até o fim do desfile, sobretudo para receber parentes e amigos que vinham no último carro. Ela definiu a apresentação da escola como uma “aula pública”.
A Serrinha precisou correr no fim para não estourar o tempo.
Estácio de Sá - Com o enredo “Tatá Tancredo: O papa negro no terreiro do Estácio”, a Vermelha e Branca trouxe a trajetória de Tancredo da Silva Pinto, escritor, compositor, colunista e líder religioso que marcou a história do samba e da umbanda.
O samba, um dos melhores da safra, conduziu o Leão pela Avenida. Os ritmistas da bateria vieram de papa. As baianas rodaram com uma fantasia de Calçadão de Copacabana.
A escola trouxe grandes alegorias com efeitos de iluminação. O abre-alas veio com “Deixa Falar”, fundada por Tata. Para o último carro, os holofotes da Sapucaí chegaram a ser apagados. (Leia mais abaixo)
Houve correria no fim, mas o Leão encerrou a tempo.
União de Maricá - m acidente no fim do desfile ofuscou a apresentação da escola da Região dos Lagos. A última alegoria imprensou 3 pessoas. Um homem, funcionário da agremiação, teve fratura grave.
O atropelamento veio quando a escola enfrentava problemas na evolução e precisou correr.
O carro envolvido no acidente, aliás, cruzou a Avenida apagado, quando era previsto que reluzisse.
Até então, “Berenguendéns e balangandãs”, sobre joias-amuletos que as mulheres negras usam, era apresentado com muito luxo e muito brilho. (Leia mais abaixo)
Unidos do Porto da Pedra - Com “Das mais antigas da vida, o doce e amargo beijo da noite”, o Tigre de São Gonçalo deu voz às profissionais do sexo, revisitando um tema guardado por anos pelo carnavalesco Mauro Quintaes, agora sem estereótipos ou preconceitos.
A narrativa transitou entre o sagrado e o profano, o luxo e a pobreza — e trouxe muitas surpresas. Mestre Pablo, comandante da bateria, veio fantasiado de tigresa, ficando irreconhecível.
As baianas representaram a Madame de Pompadour, a amante do rei Luís XV.
Unidos da Ponte - Com o enredo “Tamborzão – O Rio é baile! O poder é black!”, a Azul e Branca de São João de Meriti exaltou as raízes negras e periféricas do Rio de Janeiro, destacando o som que nasce nas favelas e ecoa ancestralidade, luta e alegria.
Ídolos do gênero marcaram presença: DJ Marlboro e Stevie B, veteranos do funk, arrancaram aplausos. A história da música também foi lembrada, com CDs e vinis. A cultura da laje foi representada por meninas de biquíni de fita isolante. (Leia mais abaixo)
Fonte: g1