Campos 24 Horas - De Neusa Amato, física nascida em Campos que abriu caminhos para a pesquisa de partículas no Brasil, a Marie Curie, referência mundial no estudo da radioatividade, dez mulheres de diferentes áreas do conhecimento estão entre as homenageadas da XIII Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), no Jardim São Benedito, em Campos. Com o tema “Ciência Delas”, a exposição reúne totens com imagens e informações sobre as trajetórias das pesquisadoras, destacando descobertas e contribuições para a agricultura, a saúde, a engenharia, a linguagem e a compreensão da sociedade. A programação é promovida pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), por meio da Gerência de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia.
Entre as cientistas homenageadas está Johanna Döbereiner (1924-2000), cujos estudos sobre bactérias capazes de fixar nitrogênio contribuíram para reduzir a dependência de fertilizantes químicos e impulsionar uma agricultura mais sustentável, especialmente no cultivo da soja e da cana-de-açúcar. Marie Curie (1867-1934), por sua vez, transformou o conhecimento sobre a radioatividade e descobriu os elementos polônio e rádio em parceria com Pierre Curie. Foi a primeira pessoa a receber dois Prêmios Nobel em áreas científicas diferentes, Física e Química. “Essas histórias mostram como a pesquisa pode mudar setores inteiros da sociedade, da produção de alimentos ao conhecimento sobre a matéria”, destaca Carla Salles, gerente de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia da Seduct e organizadora da SNCT.
A ciência brasileira contemporânea também está representada por Jaqueline Goes de Jesus, biomédica que integrou a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do coronavírus SARS-CoV-2 no Brasil em cerca de 48 horas após a confirmação do primeiro caso de covid-19 no país, em 2020. O trabalho contribuiu para acompanhar a evolução e a disseminação do vírus. Já Tatiana Sampaio, cientista da área de biotecnologia, desenvolve pesquisas com a polilaminina, molécula investigada por seu potencial no tratamento de lesões da medula espinhal. Suas trajetórias ilustram diferentes formas de transformar conhecimento científico em ferramentas para enfrentar desafios da saúde.
A engenharia tem como representante Enedina Alves Marques (1913-1981), primeira mulher negra a se formar em Engenharia Civil no Brasil, em 1945. Em uma profissão historicamente dominada por homens, ela participou de projetos de infraestrutura, incluindo os relacionados à Usina Hidrelétrica Capivari-Cachoeira, no Paraná. Na física, Neusa Amato (1926-2015), nascida em Campos, foi pioneira nos estudos de partículas e raios cósmicos no país. Pesquisadora do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), escreveu o primeiro artigo científico da instituição e dedicou décadas ao estudo de fenômenos de alta energia.
Outras homenageadas ampliaram o conhecimento sobre a formação cultural e social brasileira. A antropóloga, intelectual e professora Lélia Gonzalez (1935-1994) tornou-se referência nos estudos sobre as relações entre raça, gênero, cultura e sociedade. A linguista Yeda Pessoa de Castro dedicou sua carreira à investigação das línguas africanas e de suas influências no português falado no Brasil, contribuindo para reconhecer a presença africana na identidade nacional. “A presença dessas pesquisadoras permite mostrar às novas gerações que a ciência é construída em diferentes campos do conhecimento e que suas descobertas ajudam a compreender e transformar o mundo”, afirma Carla Salles.
A produção científica regional ganha destaque com Rosana Rodrigues, pesquisadora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) desde a fundação da instituição. Professora e pesquisadora do Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal, atua em genética e melhoramento de plantas e tornou-se a primeira mulher eleita reitora da universidade. A lista inclui ainda Juana Nunes Pereira, representante das Ciências Humanas e diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sua atuação busca ampliar o acesso à cultura científica, especialmente entre crianças e jovens, aproximando educação, pesquisa e sociedade.
Para Carla, dar visibilidade a essas dez trajetórias também permite apresentar referências diversas às novas gerações e ampliar a percepção de quem pode produzir conhecimento científico. “Ao conhecerem a trajetória de mulheres que se destacaram na física, na engenharia, na biotecnologia, na agricultura e nas ciências humanas, crianças e jovens podem reconhecer a diversidade da produção científica e encontrar novas referências para seus próprios caminhos”, ressalta a organizadora.