Sem data de reabertura, restaurantes de Campos amargam a pior crise da história

Grande parte não conseguiu se adaptar ao sistema de delivery, dizem Liga Gastronômica e ACIC


  • 21/07/2020, 07h42, Foto: reprodução-Campos 24 Horas.

Com as portas fechadas há mais de três meses, o setor da gastronomia está mergulhado numa crise sem precedentes com a pandemia da Covid 19 e se queixa da falta de atenção do poder público municipal. Restaurantes e bares de Campos amargam sérios prejuízos com a interrupção das atividades, ameaça de demissões de trabalhadores e ausência de perspectivas a curto prazo em razão das medidas de isolamento para frear os casos de contaminação pelo vírus. Alguns estabelecimentos já fecharam de vez, enquanto outros conseguiram se adaptar ao sistema de delivery para sobreviver ao tsunami. Mas grande parte deles não tem esse perfil e está sem nenhuma atividade. O Campos 24 Horas ouviu representantes da Liga Gastronômica de Campos e da Associação Comercial sobre a situação do setor(leia abaixo).

Enquanto outros setores do comércio já reabriram, caso dos shoppings centers e das lojas de rua, apesar das críticas do Sindicato dos Médicos, o da gastronomia não tem ainda previsão de retomada. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (ACIC), Leonardo Abreu, não vê uma solução a curto prazo, mas admite que já é hora de se dar o primeiro passo para o retorno às atividades do segmento da alimentação. (Leia mais abaixo)

“Vejo que há necessidade de se iniciar conversações para buscarmos uma solução junto ao poder público para o retorno da atividade da gastronomia. Vamos conversar com o pessoal da Liga Gastronômica, abraçar esta causa para ver o passo que poderemos dar”.

Leonardo Abreu avaliou que a volta das atividades do setor da gastronomia vai depender dos resultados das últimas medidas adotadas pelo governo municipal. “Se os números caírem, ou pelo menos se estabilizarem, haverá possibilidade de avançarmos para a retomada das atividades dos restaurantes, bares e outros setores similares”.

O presidente da ACIC, no entanto, frisou que há situações diferentes que precisam ser avaliadas. “No Rio, São Paulo e outras capitais, o setor foi reaberto com restrições, funcionando com 30% da capacidade para permitir o distanciamento, o que observo como um obstáculo para alguns estabelecimentos. Um restaurante com uma boa estrutura, se ele funcionar com apenas 30% de sua capacidade talvez não vá pagar os seus custos operacionais. Cada estabelecimento tem suas particularidades”, disse.

“Os restaurantes vão ter que adotar um sistema de rotatividade. Vamos ter gente na porta esperando para entrar, o cliente não vai se sentir à vontade. Daí pode acontecer como houve no Rio de Janeiro, quando as pessoas saíram para beber do lado de fora”, afirmou.

PELINCA - Proprietária do restaurante Secreto, na Pelinca, e integrante da Liga Gastronômica de Campos, Lívia Enes Barreto considera que ainda não é o momento de abertura do setor. (Leia mais abaixo)

“A Liga está muito dividida quanto a retomada do setor. Há os que querem a reabertura urgente, outros como eu entendem que ainda não é o momento de reabrir. Eu acho que tem que ser considerado o saber epidemiológico, pessoas que estudaram, estudam e conhecem sobre o que estão falando. Restaurante é um lugar especial onde as pessoas comem, bebem e confraternizam, daí ficam um pouco animadas, se abraçam ou se beijam, o que pode favorecer a proliferação do vírus. Visamos nossos negócios, sim, mas precisamos ter responsabilidade social. Com os clientes e com os próprios funcionários. Seria um risco que não deveríamos assumir neste momento”, analisou.

Lívia afirmou que o país e o mundo vivem uma crise pandêmica e financeira. Mas admite que a situação pode piorar caso seja mesmo suspenso o auxílio governamental do Programa de Auxílio Emprego. “Estamos com esse auxílio emergencial do governo, que tem nos ajudado, mas se for mesmo suspenso nem sei se me posicionaria desta forma como estou falando pra você agora. É uma situação bastante delicada”.

A empresária informa que optou por atendimento em sistema de delivery, mas seu faturamento caiu para menor de 1/3. “Se antes tínhamos um faturamento de R$ 100 mil, hoje a média é de R$ 30 mil. Muito difícil”.

Lívia avaliou a possibilidade da retomada das atividades, mas considerou também que cada estabelecimento possui suas peculiaridades. “Há restaurante com 150 lugares, onde é possível montar uma estrutura de atendimento para 30% da sua capacidade, mantendo o distanciamento. Já o meu já tem 60 lugares. Há essas diferenças”. 

INCERTEZA - Enquanto não se soluciona o impasse, muitos estabelecimentos se valem do Programa Auxílio Emprego, em que o governo paga os salários dos funcionários (até três salários) para que as empresas não demitam os funcionários no período seguinte à pandemia.Em outro programa emergencial, o governo autoriza as empresas reduzirem a jornada de trabalho e os salários dos empregados, além de suspenderem os contratos de trabalho temporariamente. É o caso do garçom Rafael Santos, que teve seus salários reduzidos e já não sabe como sustentar a família em casa, onde vem convivendo com uma companhia diária indesejável: a incerteza. (Leia mais abaixo)



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