São Salvador superou a crise

ENTREVISTA / Patrícia Cordeiro, presidente da Fundação Cultural Jornalista O. Lima


09/08/2015     -   00h33     -     Foto: Campos 24 Horas Postado por: Fabiano Venancio  PatríciaA maior festa do calendário do município, a Festa de São Salvador, padroeiro da cidade, está terminando e reforçando a tese de que, em momentos de crise, existem duas opções: ou se trata o assunto de forma pessimista e simplesmente paralisa tudo, ou então, se une forças e trabalha-se com mais criatividade ainda. E assim está sendo realizada a tradicional festa, segundo a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro, que acrescenta ainda que “essa foi a prova de que quando pessoas de boa vontade se juntam, encontram caminhos”. patrícia08Mas, filosofias à parte, a festa está aí e as críticas também, principalmente, a de que somente agora, com a crise, se prestigiou de fato os artistas da terra. Patrícia Cordeiro desmente e explica que este prestígio falado vem desde as primeiras festas realizadas no então Governo Rosinha Garotinho. E ainda dentro do tema prestigiar, cita o Museu Histórico de Campos que já passa de 65 mil visitações desde sua abertura, há três anos. Também cita o Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop), consolidado como espaço de múltiplos eventos, o Teatro Trianon, que acaba de completar 17 anos, entre outros. Veja a entrevista: Campos 24 HorasVamos começar falando de críticas e a dessa semana foi quanto aos shows da festa de São Salvador... Patrícia Cordeiro– Vou dar um exemplo mais recente. No ano passado, nos 10 dias de festa, todos os dias no canteiro da Catedral tinham bandas locais, super prestigiadas. No palco oficial as pratas da casa abriam ou fechavam os shows nacionais. É um equívoco dizer o que algumas pessoas disseram, porque não foi a tônica dos anos anteriores. E este ano teve um dado novo, de duas estrelas da música serem reveladas e serem da nossa cidade e, por isso, nada mais justo do que dar visibilidade a elas. C24HMas os shows também diminuíram em relação aos anos anteriores, certo? Patrícia – Sim, em função da crise que assola o país e Campos não está fora deste contexto, os shows foram redimensionados, mas sem perder o brilho, cuja maior estrela é o Santíssimo Salvador. Sem falar que este ano é importante dentro da Igreja Católica, porque a nossa Catedral está completando 80 anos de existência. Nós estamos até com uma exposição no Museu Histórico de Campos falando sobre o fato. C24H – É por isso que o Museu fez um horário de visitação especial? Patrícia – Claro, para que as pessoas que forem prestigiar a festa visitem nosso Museu e possam apreciar a exposição temporária “Um Templo de Fé: de Capela rústica à Catedral Diocesana do Santíssimo Salvador”, além da exposição de artesanato Trilho das Artes. Também as artesãs da Casa de Cultura de Goitacazes estão vendendo produtos de cama, mesa, banho, acessórios, além de macramê, vagonite, fibra de bananeira, biscuit, tricô e feltro e outros no local. Nestes três anos mais de 65 mil pessoas já passaram por lá, fora as caravanas que vão e uma só pessoa assina por todas as outras. C24H Dentro dessa crise, tem algo interessante para acontecer na cidade? patrícia0081Patrícia – Tem, o Festival de Cultura Urbana, que será realizado durante quatro dias (de 26 a 29) em agosto, enfatizando o respeito e o apoio a todas as vertentes da cultura. A ideia surgiu através da união de forças que, antes, caminhavam sozinhas em pequenas manifestações, porém, de grande expressão cultural. É a valorização das minorias, podendo citar o grafite, a dança do passinho, hip hop, pop rock, entre outros, além das atividades esportivas de características urbanas como skate, basquete de rua e outras. C24HVoltando às críticas, fala-se muito sobre o Cepop, usado também para eventos particulares. O que você pode falar sobre isso? Patrícia – O Cepop está consolidado como um espaço para múltiplos eventos. Ele, além de ser todo equipado para receber grandes eventos do calendário municipal, é também, como exemplo de outros espaços do país (sambódromo), um espaço de parceria público-privado, que gera receita para o município. C24HE o Trianon, o que falar das peças pagas? Patricia Cordeiro  0908Patrícia – O nosso Teatro Trianon, o maior teatro municipal do interior do estado do Rio, não é só estruturalmente muito bom, mas também o mais equipado e com um material humano de primeira qualidade. E mesmo em um momento difícil, mantemos uma programação interessante, proporcionando aos campistas assistirem grandes espetáculos do circuito nacional e com preços abaixo dos praticados nas capitais. Isso é porque a gente abre mão de uma margem de lucro maior para, dessa forma, reduzir o valor do ingresso. C24H No início da entrevista você falou muito rapidamente na Bienal do próximo ano... Patrícia – É porque estamos começando a tratar do assunto. Esta semana mesmo teremos reunião em São Paulo, justamente para levantar esse assunto, a Bienal de 2016. E assim estaremos mais uma vez garantindo Campos no circuito nacional de bienais. C24HDentro de uma crise, qual é o maior desafio de um gestor? Patrícia – Viver cada momento do calendário, de forma responsável, redimensionando as ações, sem ofuscar o brilho que elas já têm. E esse redimensionado não é só com a Festa de São Salvador, estamos também fazendo o mesmo com as festas de bairros e distritos. A Fundação sempre recebe solicitação de apoio neste sentido, mesmo para as festas fora do calendário de festas tradicionais e, para felicidade, tem procurado atender, não com artistas, mas com palco próprio, reduzindo despesa. E a comunidade, com essa ajuda, realiza do seu jeito. C24HE a comunidade está entendendo esse período difícil de crise? Patrícia – Sim, a maioria dos festeiros com bom senso e boa vontade reúnem forças para que as manifestações culturais e de entretenimento não deixem de acontecer.  



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