Saiba como semente de abacate pode se transformar em plástico descartável

Produção evita desperdício, pois pega restos de indústrias de guacamole e óleo no México. Bioplástico pode se decompor dentro de um ano, quando em condições ideais


  • 17/10/2021, 00h20, Foto: Reprodução.

A semente do abacate pode virar canudo, talher, prato e até marmita descartável. A iniciativa é da empresa mexicana Biofase, que desenvolveu um plástico biodegradável a partir da fruta.

Uma das vantagens de usar o abacate como matéria-prima é que ele é uma fonte renovável, então para obter mais plástico, basta plantar, diferentemente do petróleo, que pode ser esgotado. Além disso, este tipo de produto se decompõem mais rapidamente. (Leia mais abaixo)

Canudo de abacate: semente da fruta é matéria-prima para plástico descartável. A promessa da Biofase é que em 240 dias, 60% do produto será decomposto - este valor corresponde à quantidade de semente na estrutura do item.

Mas, para esses prazos serem cumpridos, é necessário que o material esteja em um ambiente com temperatura de 2°C a 80°C, úmido, com bactérias e fungos para a decomposição.

Além disso, não é recomendado o uso por mais de uma vez, por causa de seus componentes naturais. Ainda assim, a empresa conta que o material é extremamente forte e durável.

A transformação

Essa metamorfose da semente em um canudo, por exemplo, foi pensada pelo pesquisador mexicano Scott Munguia em 2013. Ele viu que o abacate tem componentes que permitem que a semente seja convertida em polímeros, que são macromoléculas usadas na produção do plástico biodegradável. (Leia mais abaixo)

A empresa considera que o ciclo do produto é renovável do começo ao fim. Isso porque os grãos vêm da indústria mexicana de processamento de abacate que produzem guacamole ou óleo, assim evitando o desperdício.

A organização afirma que o processo de desenvolvimento é de baixo carbono, pois nenhum cultivo e colheita de safras são necessários exclusivamente para o plástico.

Bioplástico no Brasil

O Brasil também possui algumas pesquisas voltadas ao bioplástico, incluindo um material que pode ser comestível. São alimentos, como o milho, a laranja e até mesmo o camarão, que se transformam em sacolas, talheres, copos, entre outros itens, que podem ser, inclusive, comestíveis.

No mercado, o bioplástico já é usado hoje nas chamadas bioembalagens. E a ciência vê ele como uma alternativa para tratar pacientes com Covid-19. (Leia mais abaixo)

É o caso da pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que monta películas biodegradáveis com a casca da laranja são usadas como teste de sensibilidade do paladar em pacientes de Covid-19, pois o uso de determinadas frutas gera um gosto azedo na boca ao desmanchar.

De modo geral, o diferencial do bioplástico é que ele proporciona uma fonte renovável para esta produção, feita a partir de alimentos, mas ele também possui problemas. Na comparação com o plástico comum, feito a partir do petróleo, ele é menos resistente e nem todos os tipos se decompõem rapidamente.

Fonte: G1



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