Entre demandas Procon de Campos vira referência


domingo, 20  de outubro de 2013     -     Foto: Campos 24 Horas      Entrevista com a presidente do Procon-Campos, Rosângela Tavares

Rosângela Tavares 4Ela já perdeu as contas de quantas vezes ao ano vai a São Paulo e Brasília para fechar acordos ou tomar conhecimentos de novas regras que dizem respeito ao consumidor. Mas as idas e vindas, segundo a gestora da Secretaria Municipal de Defesa do Consumidor (Procon), Rosângela Ribeiro da Silva Tavares, tem valido a pena, considerando que Campos está saindo na frente em resoluções e projetos, alguns até, copiados por outros municípios e, até, implantado em nível estadual. A advogada, empresária e ex-funcionária do Banco do Brasil (já aposentada), hoje praticamente abriu mão de tudo isso para se dedicar só ao Procon, órgão que afirma ter hoje o respeito, não só da população, que confia nele, mas também das concessionárias de serviço do município, comércio, indústria, bancos, entre outros segmentos econômicos. E, ainda, que ele tem conseguido ações a favor do consumidor, que nenhum Procon do país conseguiu.

Rosângela Tavares 3 Campos 24 Horas – Baseado em que, a senhora diz que o Procon de Campos têm tem saído na frente em várias resoluções? (Leia mais abaixo)

Rosângela Tavares– Em fatos. Por exemplo, essa semana o Senado aprovou uma lei que há dois anos o Procon daqui já vinha praticando, sobre a cobrança por parte das escolas, do material escolar coletivo, entre eles, papel higiênico, copo descartável, entre outros, junto com o material escolar. Em 2011 nós nos reunimos com os diretores de escolas dizendo que o Procon não aceitaria o material coletivo associado à lista de material escolar, porque ele deve já estar embutido na mensalidade escolar e não exigido por fora. Só agora o Senado tornou isso lei. E temos muito mais exemplos...

C24H – Pode citar?

Rosângela– Sim. A diferença entre reajuste de mensalidade escolar e aumento de mensalidade, o que somente é aplicado de forma severa pelo Procon de Campos. O reajuste geralmente pode chegar até 10%, porque é de lei. Acima disso é considerado aumento e, por isso, a escola tem que mostrar o que acrescentou em benefício do aluno, como por exemplo, se criou nova biblioteca, sala de informática, área de lazer, entre outros. Este ano já começamos a pedir as planilhas das escolas do próximo ano, para ver o reajuste que será aplicado. Isso não é feito por todos os Procons do país.

Rosângela 7C24H – Vamos falar um pouco dos bancos. As filas imensas continuam. E o Procon, como fica nisso?

Rosângela – Fiscalizando, como sempre fez. Eles têm que atender os clientes da fila em 20 minutos (de terça a quinta-feira) e em 30 minutos às segundas e sextas-feiras, além de antes e após feriados. E pelo número cada vez menor de reclamações, observamos que eles têm respeitado e, caso, isso não aconteça, o cliente deve ter um mãos a senha distribuída, que marca o momento em ele entra na fila, para poder reclamar no Procon. Fora isso, fiscalizamos também a questão de banheiros, água e, ainda, se o local tem acento suficiente E vários não tinham nada disso, colocaram depois da nossa fiscalização. Em caso de descumprimento, eles são multados e a Federação dos Bancos (Febraban), se achar conveniente, recorre. (Leia mais abaixo)

C24H– E por falar em banco, o Procon local brigou para que o consumidor não pagasse juros por contas vencidas no período da greve. Mas São Paulo foi contra. Porque?

Rosângela Tavares 5Rosângela–São Paulo entendeu que o consumidor de lá tem outras opções para pagamento neste período, como internet, caixas eletrônicos, casas lotéricas e outros. Mas Campos, por ser interior, o Procon entrou com ação informando que nós não temos acesso à informática como essa capital e que os caixas eletrônicos estavam, a maioria deles, inoperante ou com defeito. E, ainda, que as casas lotéricas tinham filas muito grandes, contrariando as exigências que fazemos aos bancos. E aí ganhamos o direito de os juros durante a greve, não serem cobrados.

C24H– Inicialmente, a senhora citou um convênio que o governo Rosinha Garotinho fez com o Ministério da Justiça. Que convênio foi esse?

Rosângela– Fez o convênio não só com o Ministério da Justiça, mas também com o governo estadual. É para que o mal fornecedor em Campos, caso não resolva os problemas com o consumidor, via Procon, tenha seu nome inserido no Cadastro Nacional de Fornecedores. Uma novidade nossa, porque, antigamente, uma empresa lesava os consumidores aqui, saiam da cidade e não acontecia nada com ela. Agora, quando acontecer isso, ela estará marcada em todo o país, o que faz com que, também, tenhamos um índice alto de resoluções, pelo medo de ser incluída neste cadastro.

C24H– Diante de tanta vitória a favor do consumidor, o Procon não fica odiado pelos outros lados em questão? (Leia mais abaixo)

Rosângela Tavares 6Rosângela– Não, pelo contrário, porque há parceria, diálogo. Realizamos várias reuniões com os fornecedores para atendimento, criando parâmetros. E assim não fica bom só para o consumidor, fica para os dois lados, já que quando o consumidor está satisfeito, ele retorna àquele fornecedor e não mais o vê como um inimigo. A função do Procon está sendo harmonizar o mercado de Campos. E estamos conseguindo.

C24H– Vamos fazer em modernidade. Como o Procon atua a favor do consumidor no caso de compras via internet?

Rosângela – Infelizmente, ainda não existe uma legislação específica para contratos eletrônicos, documento que você gera ao efetuar uma compra via internet. A gente tem que trabalhar dentro do Código de Defesa do Consumidor, ou seja, a compra feita por catálogo ou até mesmo por telefone, fora o estabelecimento comercial, o consumidor tem prazo de sete dias após o recebimento do produto, para devolver, caso não tenha aprovado o modelo, cor, entre outros. Trata-se de Direito de Arrependimento, porque na internet é tudo muito mais difícil de negociar.

C24H– Apesar de toda atuação do Procon, algumas concessionárias ainda dão muito trabalho ao consumidor...

Rosângela– É verdade. O índice de reclamação ainda é muito grande em relação à Ampla, Águas do Paraíba, concessionárias de telefonia, entre outros. Nós tentamos resolver até um determinado ponto, mas quando precisa de prova testemunhal, a gente manda para a Justiça e, infelizmente, aí começa o processo de novo. (Leia mais abaixo)

Rosângela Tavares 4C24H– Para uma atuação eficaz, é preciso uma equipe bem treinada. Como é no Procon?

Rosângela – Nós ainda não temos uma equipe do tamanho que precisamos, mas na questão de capacitação, os técnicos de Campos foram capacitados pelo Ministério da Justiça, com curso presencial e à distancia. O mesmo aconteceu com nossos atendentes. Sem falar que de onde eu estiver, sei, por meio da internet, quantos atendimentos estão sendo feitos. E nosso sistema é integrado também ao Ministério da Justiça, assim, quando é aberto um processo no Procon daqui, em Brasília eles já estão sabendo. Uma integração total.

C24H– Me fala sobre esse “monitoramento” feito pela senhora de longe...

Rosângela– Não é monitoramento, é acompanhamento. Caso ele esteja viajando a trabalho, por exemplo, eu posso saber quantos atendimentos estão sendo feitos no Procon e, ainda, quantas resoluções estão sendo fechadas. Simples e prático.

_____________________________ Postado por Fabiano Venancio (Leia mais abaixo)

 



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