Um acadêmico dentro do governo cercado de energia


domingo, 17  de novembro de 2013      -    Foto: Campos 24 Horas

 Entrevista / Marcelo Neves  - Secretário Municipal de Petróleo, Energias Alternativas e Inovação Tenológica (Leia mais abaixo)

Marcelo Neves 1Não é comum, em pouco mais de quatro meses de criação, um órgão público já ser referência naquilo que se propôs a fazer e, muito menos, conseguir a credibilidade da área acadêmica, tradicionalmente fechada nela mesma, com seus pensadores trabalhando à parte. Mas tudo isso foi conseguido a partir da confiança adquirida ao longo dos anos por uma pessoa que também é da academia e hoje é o gestor deste órgão, a secretaria municipal de Petróleo, Energias Alternativas e Inovação Tecnológica.

Marcelo Neves Barreto, engenheiro e físico, mestre e doutor em engenharia voltada para o petróleo e energia, além de professor de diversas faculdades, já está com vários projetos em andamento na secretaria, alguns até, para os leigos, um pouco distante e de difícil assimilação. Mas todos eles, garante o gestor, visando o desenvolvimento sustentável e, em consequência, uma cidade com sustentabilidade. E, de forma mais audaciosa, Marcelo acredita que o município possa, adiante, ser incluída na rede de cidades eficientes. Para isso sua equipe é basicamente formada por técnicos qualificados em diferentes áreas, vindos também de diferentes universidades.

Marcelo Neves 6Campos 24 Horas – Quando se fala em Marcelo Neves, logo se associa a petróleo, principalmente por ser secretário-executivo da Ompetro. Mas sua secretaria vai além, não é?

Marcelo Neves – É isso mesmo. O desafio hoje é desvincular o Marcelo do petróleo e expandir para outras áreas de energia e a científica, como já estamos fazendo. Estamos com vários projetos em andamento nessas áreas, baseado no crescimento do município e a transformação que ele vem passando. E temos também como nosso carro chefe, o projeto regional, o Complexo Logístico e Industrial Farol-Barra do Furado, empreendimento construído entre Campos e Quissamã, que tem importância reconhecida como estrutura logística imprescindível para apoio às atividades do pré-sal.

C24H – Como estão os trabalhos no Complexo Farol-Barra do Furado e qual é sua importância no contexto nacional? (Leia mais abaixo)

Marcelo– O desenvolvimento do pré-sal na Bacia de Campos vai ser muito grande. Farol-Barra do Furado é um dos grandes projetos e dos mais importantes do país. O Ministério dos Portos mesmo diz isso, porque ele é o ponto de apoio mais próximo da Bacia de Campos, geograficamente falando. É o mais acessível financeiramente. Agora eles estão terminando o transporte de sedimentos e estabilização da embocadura, o que permite o tráfego de embarcações. Deste investimento Campos ficou responsável por 70% e Quissamã por 30%. E também eles já estão construindo as casas de máquinas.

C24H– E depois disso tudo? Qual é a próxima etapa?

Marcelo – A próxima etapa será a construção do mole sul (enrocamento sul), com lançamento da ordem de serviço para a construção. Depois tem a dragagem do Canal das Flechas e a adequação lateral. É uma obra prevista para três fases e a primeira deve terminar no final de 2014. O complexo todo deve ficar pronto em 2018. O projeto original era de 2006 e de lá para cá houve evolução das embarcações e, aí, necessidade de reformação dele.

Marcelo Neves 4C24H – Mas a população alcança a grandiosidade e valor dessa obra?

Marcelo – Quem está próximo tem a noção sim. Isso pode ser notado pela especulação imobiliária próxima ao Farol de São Thomé, Barra do Furado e Quissamã. Houve majoração grande e tem muita gente de fora já circulando nestes locais. São pessoas querendo viver uma nova realidade. Algumas também se qualificando em cursos técnicos, já pensando no complexo logístico e industrial. (Leia mais abaixo)

C24H – Vamos falar de outros projetos. Quais mais a secretaria já está colocando em prática?

Marcelo – Sim, temos vários. Temos projeto na área de desenvolvimento sustentável, que está sendo trabalhado em 12 eixos temáticos e 100 indicadores dentro de um tema. Entre eles, a mobilidade urbana, responsabilidade social das empresas, sustentabilidade social, entre outros, com cada secretaria afim, envolvida no projeto. E temos ainda projeto na área de energia, o Plano Municipal de Gestão Energética, com levantamento das demandas dos prédios públicos, com readequação para economia de energia.

Marcelo Neves 5Marcelo Neves 4C24H – Esse plano de economia de energia já saiu do papel?

Marcelo– Sim e temos feito uma economia grande. No Jardim do Liceu, por exemplo, substituímos as lâmpadas de vapor de sódio por lead, numa economia de mais de 50% só ali. Na área de saúde também vamos substituir as que funcionam 24h. Mas o plano não é só isso não. Ele é constituído de quatro programas: eficiência energética, conservação de energia no município, incentivo ao uso de energia alternativa e inclusão do município na rede de cidades eficientes. Resumindo tudo isso, já foi reformulado o contrato de energia junto à concessionária Ampla, vendo a realidade elétrica, com economia de 400 mil/ano. Estamos estudando o tempo de uso de energia, tentando reduzir o período, fazendo a distribuição de cargas em outros horários. E, ainda, estamos conscientizando as pessoas para uso de equipamentos mais eficientes e uso de energia de fontes naturais, que não agridem o meio ambiente, como a solar, eólica e outras.

C24H – Você falou no início da entrevista sobre criação de um Parque Tecnológico em Campos. Como é isso? (Leia mais abaixo)

Marcelo Neves 6Marcelo – Esse parque está dentro dos projetos de inovação tecnológica. Não se pode pensar em cidade inteligente sem aproximar três entes importantes: governo, academia e empresa. E nós estamos colocando um quarto item, que é a sociedade civil organizada. Será um parque com modelo descentralizado, com tecnologias espalhadas e com a academia pensando para as empresas que procurarem o parque. Isso fará com que o município seja pólo de receber empresas e desenvolver novas tecnologias. Para que isso aconteça, já criamos o Conselho Municipal de desenvolvimento de Tecnologias, em fase de tramitação burocrática. E haverá um fundo municipal destinado a ele para a realização de projetos nessa área. Conselho deste tipo só tem hoje nas grandes capitais. Nos dias 9 e 10 de dezembro haverá um simpósio no IFF, para apresentação e discussão disso tudo.

C24H– E por falar em tecnologia, qual a contribuição que sua secretaria dá para o projeto Cidade Digital?

Marcelo – Esse projeto é do Centro de Informação e Dados de Campos (Cidac) e nós damos nossa contribuição, atuando não na ação executora, mas na ação presente, no projeto. Nos aproximamos do Cidac para transformar a cidade digital em benefício para toda a população, aproveitando a tecnologia deles para gerar conhecimento. São mais de 50km de fibra ótica espalhadas, um sistema de banda larga excelente que está sendo transformado em algo real.

C24H– Você conseguiu aglutinar universidades em torno de projetos municipais, entrando na área acadêmica, que é tão fechada...

Marcelo – Para mim não foi tão difícil, porque eu sou da academia e tenho conceito dentro dela, acho que se fosse outra pessoa, até poderia ser mais difícil, mas não foi. O que eu faço é lidar com cautela, mostrando que a construção é conjunta, não de cima para baixo. Sou um profissional da área acadêmica, dentro do governo. (Leia mais abaixo)

C24H– Mas para tantos projetos técnicos e complexos, a equipe também tem que se especializada, não?

Marcelo – Claro e a nossa equipe é muito competente. São pessoas qualificadas em cada área de atuação. Me sinto privilegiado por trabalhar com cabeças pensantes de grande nível de conhecimento. ____________________________ Postado por Fabiano Venancio



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