Preso pela PF sob suspeita de ligação com os crimes atribuídos ao deputado TH Joias, Rodrigo Bacellar (União Brasil) já esteve em posição bem mais confortável. Até sua reeleição na Alerj, era celebrado por políticos da direita à esquerda e tratado como um dos nomes mais promissores para 2026. E houve até quem dissesse isso literalmente.
Do Palácio Guanabara, o governador Cláudio Castro (PL) abriu o ano com um apoio de peso: em fevereiro, chamou Bacellar de “meu candidato predileto” ao governo, o que, à época, praticamente o credenciou como herdeiro natural do grupo. (Leia mais abaixo)
Do bolsonarismo, vieram gestos igualmente generosos. Jair Bolsonaro chegou a firmar um acordo político para apoiar Bacellar, desde que pudesse indicar o vice na chapa. As conversas ocorreram até em encontros presenciais, em Angra dos Reis, onde o presidente da Alerj fez visitas ao ex-presidente.
No campo partidário, Carlos Lupi, presidente do PDT, abriu 2025 declarando apoio público à articulação de Bacellar, movimento visto como tentativa de reposicionar o partido no Rio. E no União Brasil, o presidente da sigla, Antonio Rueda, tratava Bacellar como um nome competitivo e alinhado ao projeto nacional da sigla para 2026. Chegou até a defendê-lo mesmo após o bolsonarismo decidir pular fora da aliança. (Leia mais abaixo)
O deputado federal Marcos Tavares (PDT) também chegou a deixar um elogio numa rede social, após destinação de verba da Alerj às prefeituras do Rio. O parlamentar disse que a atuação do colega era marcada pela “responsabilidade fiscal, diálogo e compromisso com o desenvolvimento dos municípios fluminenses”...
Mas o caldo entornou de vez para o agora afastado presidente da Alerj em julho, quando, no exercício interino do governo, demitiu Washington Reis (MDB) da Secretaria de Transportes do Rio de Janeiro — gesto que detonou um racha com parlamentares da direita. (Leia mais abaixo)
A relação com Castro azedou, e Bolsonaro passou a repetir com ajuda do filho Flávio que havia se precipitado no apoio inicial. Parlamentares como Sóstenes Cavalcante, Carlos Jordy e Carlos Portinho, do PL, se colocaram publicamente ao lado de Reis.
Rueda também começou a testar alternativas após ver o presidente da Alerj perder tração e ser tratado como um aliado pouco confiável. (Leia mais abaixo)
Quando o “toc toc toc” da PF bateu à porta do deputado hoje, ele já não era mais o político cercado dos afagos de alguns meses atrás.