O Rock in Rio deve injetar R$ 3,36 bilhões na economia da cidade do Rio de Janeiro, segundo levantamento realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O valor representa um crescimento de 5% em relação aos R$ 3,2 bilhões movimentados na edição de 2024. O resultado reforça a relevância econômica do festival, que aparece entre os eventos com maior retorno para a economia do país.
Segundo estudo realizado pela FGV, a cada R$ 1 investido no festival, são movimentados R$ 6,59 na economia brasileira. Além disso, o evento deve gerar 34 mil empregos, sendo 22,8 mil diretos e 11,1 mil indiretos, em áreas como segurança, gastronomia, hotelaria, transporte e produção. O público estimado para o evento é de 700 mil pessoas. Grande parte do público virá de fora do Rio para aproveitar o evento. Os dados de venda de ingressos indicam que 55% das entradas foram adquiridas por compradores de outros estados, o que representa um aumento de 20% em relação à última edição. (Leia mais abaixo)
Esse é o caso de Bárbara Marques, de 27 anos, moradora de São Paulos que virá ao Rock in Rio pela primeira vez. Ela diz que não ficará hospedada na cidade por causa dos altos preços. "Será minha primeira vez no festival e na cidade do Rio. Eu vou fazer um bate-volta mesmo, saindo de madrugada de Campinas, no interior de SP, e indo direto pro festival. Eu até cogitei ficar alguns dias para conhecer um pouco mais do Rio, mas os preços de hospedagem estão muito altos por causa do RiR. Então decidi encarar a canseira da excursão mesmo", diz.
Como estudante de pós-graduação, Bárbara conta que conseguiu comprar ingressos com meia-entrada, o que ajudou a economizar.
"O ingresso saiu por R$ 435. A excursão ficou R$ 380. Eu planejo gastar entre R$ 200 e R$ 300 ainda com alimentação e comprando algumas coisas para me sentir mais confortável e segura na viagem, como uma almofada de pescoço e uma pochete para levar documentos com mais segurança", explica. Os altos preços das hospedagens foram um dos principais desafios enfrentados pela estudante de pós-graduação, que irá ao festival para assistir aos shows das bandas Avenged Sevenfold e Bring Me the Horizon.
"Cheguei a procurar estadia entre os dias 4 e 6 de setembro, pois aí iria e voltaria com mais calma. Mas os menores preços que eu encontrei ficavam por volta dos R$ 3 mil, sem contar o deslocamento", conta. "Quando eu simulava para outras datas que não o fim de semana do RiR o preço caía consideravelmente, mais do que pela metade."
"Tirei a sorte grande porque ano passado eu comprei o show do Avenged no Allianz Parque, aqui em São Paulo, em outubro para comemorar meu aniversário. Só que o vocalista teve problemas na garganta e o show foi adiado para janeiro deste ano— e eu não pude ir. Quando eles anunciaram no Rock in Rio e vi que o Bring Me The Horizon, outra banda que eu gosto muito, iria no mesmo dia, resolvi aproveitar para ver os dois de uma vez só", diz. Procurada pelo jornal O DIA, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) afirmou que houve um crescimento de 13% no total de emissões de passagens aéreas internacionais para o período do evento deste ano, na comparação com o mesmo período da última edição, em 2024, sinalizando um aumento na procura de visitantes estrangeiros pelo festival. (Leia mais abaixo)
Em relação à origem dessa demanda internacional, a América do Sul concentra a maior participação, respondendo por 61% das emissões — crescimento de 8% em relação à edição anterior. A Europa representa 23% das emissões e apresentou a maior alta percentual (25%), enquanto a América do Norte responde por 11% das emissões, com aumento de 14%. Os dados são da plataforma Amadeus.
Já os produtos comercializados dentro do evento registraram aumentos sucessivos na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), segundo a Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro (Sefaz-RJ).
Entre as edições de 2019 e 2022, o crescimento foi de 244%, passando de R$ 1,3 milhão para R$ 4,48 milhões. Já na comparação entre 2022 e 2024, a alta foi de 92%, alcançando R$ 8,62 milhões.
"A principal mudança implementada pela Sefaz-RJ foi a criação de um regime tributário especial que permitiu aos contribuintes emitir, até o meio-dia do dia seguinte, uma única nota fiscal com todo o movimento da noite anterior", destaca a pasta.
"Isso gerou informações mais completas e adequadas ao real movimento, o que possibilitou uma cobrança de ICMS compatível com as vendas de diversos produtos durante o evento. Antes, o cálculo do ICMS dessas operações era feito por estimativa de venda. O sistema usado nas duas últimas edições facilita o trabalho do Fisco e dá a noção exata do imposto a ser pago", completa. (Leia mais abaixo)
Impacto no comércio carioca Para a 11ª edição do Rock in Rio, os setores de vestuário, souvenires, lembranças da cidade e artigos de uso pessoal estimam um aumento nas vendas de cerca de 10% a 15% em relação ao último evento, segundo pesquisa realizada pelo Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) em parceria com o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio).
As previsões se devem ao contingente de pessoas esperado, em torno de 700 mil, sendo 60% turistas. Essa massa de visitantes será responsável por uma grande movimentação de recursos nos serviços de alimentação fora de casa e hospedagem. No comércio, é esperado um crescimento no fluxo de receita em setores como vestuário de peças ligadas ao evento (10%), souvenires, lembranças da cidade e artigos de uso pessoal (14%).
"Como o evento ocorre na Barra da Tijuca, essa região, em conjunto com a Zona Sul, será uma das áreas mais impactadas pelo aumento no fluxo de visitantes. Se as estimativas apontam que o último Rock in Rio movimentou cerca de R$ 3 bilhões, segundo a organização do festival, desta vez o montante deverá ser pelo menos 10% superior", afirmaram a CDLRio e a SindilojasRio em nota.
Para Aldo Gonçalves, presidente do CDLRio e do SindilojasRio, o município carioca se consolidou, desde 1985, como um local atrativo para os shows de rock. "Há mais de 40 anos, o sucesso é inegável; e, a cada edição, o Rio de Janeiro e a Barra da Tijuca se constituem como polos de turistas e de deslocamento dos residentes. De forma crescente, o comércio tende a oportunizar vendas para atender ao gosto dos consumidores", avalia.