RJ vai pedir transferência de chefes de facção criminosa para presídios federais

Pedido será para traficantes do Comando Vermelho. Segundo secretário, facção "resolveu enfrentar a Segurança Pública" do Estado. Marreta e My Thor, alvos de ações da Polícia Civil, estão entre os presos que podem ser transferidos


  • 20/08/2024, 10h44, Foto: Divulgação.

O secretário de Segurança Publica do Rio, Victor Santos, afirmou nesta segunda-feira (19) que as autoridades de segurança do estado vão pedir a transferência de traficantes do Comando Vermelho presos no sistema prisional do Rio para presídios federais.

As autoridades estudam a transferência de 12 nomes. O ataque a tiros que terminou com mortos e feridos em Vila Isabel e investigações recentes que mostram que chefes do tráfico seguem dando ordens dentro da cadeia são alguns dos casos que motivaram uma reunião da cúpula da segurança do estado sobre o tema. (Leia mais abaixo)

“O Comando Vermelho resolveu enfrentar a Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. A nossa intenção é individualizar a conduta de cada um deles e pedir a transferência desses presos que estão em presídios do Rio de Janeiro para presídios federais pelo Brasil”, explicou o secretário.

“Tivemos uma reunião hoje, para identificar essas lideranças. O objetivo é deixá-los longe do Marcinho VP, que é a principal liderança do Comando Vermelho”, afirmou Victor Santos.

Autoridades de segurança pública do Rio se reuniram no Centro Integrado de Comando e Controle, no Centro do Rio. A reunião começou pouco antes das 11h.

O secretário de Segurança Pública recebeu integrantes do Gaeco e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público , das inteligências das secretarias de Polícia Civil e Polícia Militar, além do setor de inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária.

Líderes na mira Entre os traficantes que estão na lista de possíveis transferidos, estão Marcos Antônio Firmino, o My Thor, e Luiz Cláudio Machado, o Marreta. (Leia mais abaixo)

Ambos estão no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste.

My Thor foi alvo de uma operação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) sobre o envio de remessas de cocaína de São Paulo para comunidades do Rio de Janeiro. O esquema contava com a participação de um policial civil. Segundo as investigações, a empresa de consultoria de Paulo Rafael Fernandes era utilizada para "lavar o dinheiro" do tráfico.

Agentes da Polícia Civil apreenderam celulares em sua cela.

My Thor e Marreta, segundo o secretário, seguem atuando na facção mesmo estando presos, de acordo com as investigações:

“Dois deles, por exemplo, o Marreta e o My Thor foram identificados nessa ação, mostrando que eles mesmos, dentro da cadeia, continuavam comandando suas ações e principalmente, com articulações em outros estados do país. Então isso é um indicativo de que há a necessidade de uma ação mais contundente, transferindo esses presos para outras unidades do Brasil”, disse o secretário. (Leia mais abaixo)

A polícia pediu a transferência de My Thor no ano passado para um presídio federal, que no entanto foi negada pela Justiça.

Já Marreta foi acusado de negociar fuzis e dar ordens aos seus subordinados mesmo estando preso em um presídio federal, em Catanduvas, no Paraná.

Essas informações levaram a Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro (VEP-RJ) a determinar que Marreta voltasse a um presídio federal. O traficante está em Bangu 1 desde o fim de outubro de 2023, depois que o próprio Judiciário Fluminense havia decidido transferi-lo de SP.

No dia 3 de abril, o juiz Marcel Laguna Duque Estrada atendeu a um recurso do governo do RJ e ordenou que Marreta deixasse Bangu 1 e regressasse a Catanduva.

Mas na semana seguinte, no dia 10, o desembargador Fernando Antônio de Almeida, da 6ª Câmara Criminal, concedeu um habeas corpus e deixou Marreta onde está — a transferência não chegou a ser realizada. Entre as justificativas, o magistrado alegou “evitar gastos desnecessários” em uma ação que “já foi objeto de recurso e, portanto, precária”. (Leia mais abaixo)

Condomínios do tráfico na Maré O secretário também comentou a operação desta segunda-feira (19) das polícias Civil e Militar e a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), que demoliram condomínios construídos pelo tráfico no Complexo da Maré. Em protesto, grupos fecharam a Avenida Brigadeiro Trompowski e tentaram bloquear a Linha Vermelha em diferentes momentos. Pela manhã, o bloqueio durou 1 hora e meia, e PMs contiveram o ato. O BRT ficou parado por pelo menos uma hora e meia.

No início da tarde, porém, um grupo invadiu um ônibus e tomou as chaves, deixando o coletivo no meio da pista. Carros conseguiam passar em meia-pista. Segundo a Secretaria de Educação, 26 escolas ficaram fechadas por conta da ação.

Na última semana, uma operação conjunta para derrubar o “condomínio do tráfico” no Parque União encontrou um quadriplex de luxo às margens da Avenida Brasil.

"A Polícia Civil está atacando a estrutura financeira, que é a construção civil. O loteamento irregular, a construção de unidades, a venda de unidades é mais uma fonte de receita do tráfico e aqui a segurança pública não vai ficar olhando somente uma única facção. A gente fala do Comando Vermelho, porque eles estão mais ousados nas suas ações mas o TCP, principalmente na no complexo da Maré, é um foco muito importante. E a polícia civil vai continuar esse trabalho, com apoio da Polícia Militar e também com o município que tem ajudado através da Seop", disse o secretário.

Fonte: G1 (Leia mais abaixo)



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