RJ tem 13 mil assassinatos sem resposta desde 2010

Em 2017, estado atingiu a maior taxa de mortes violentas desde 2009: 6.731 casos. Mesmo com tantos casos, DH da capital tem hoje menos gente trabalhando do que há 8 anos, quando foi criada


  • 20/08/2018 14h28 Foto: Divulgação .
As mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes estão há mais de cinco meses sem esclarecimento. O caso de grande repercussão expôs uma situação frequente na investigação de homicídios no Rio de Janeiro: a falta de resposta. Um levantamento das delegacias de Homicídios do Rio de Janeiro, obtido pela GloboNews, apontou que cerca de 70% dos inquéritos desde 2010 ainda não tiveram um desfecho. São mais de 13 mil mortes violentas em que a impunidade prevaleceu. No ano passado, o estado do Rio atingiu a maior taxa de mortes violentas desde 2009: foram 6.731 casos, o que representa uma taxa de 40 mortes violentas por 100 mil habitantes. As delegacias de homicidios investigam basicamente as mortes violentas da Região Metropolitana. Desde 2010, a DH da capital passou a centralizar as investigações de mortes violentas da cidade do Rio, pegando casos que antes ficavam com as delegacias dos bairros. Em 2014, essa centralização passou a valer também para as DHs da Baixada Fluminense e de São Gonçalo/Niterói. A GloboNews teve acesso a dados sobre os inquéritos abertos a partir dessa centralização (2010, no caso da capital, e 2014 no caso das outras duas delegacias). Os números revelam que a grande maioria dos inquéritos continua sem uma conclusão. E mesmo com tantos casos pra serem investigados, a DH da capital tem hoje menos gente trabalhando do que em 2010. Na época, 232 servidores trabalhavam na Delegacia de Homicídios da Capital. Em 2018, são 200. No mesmo período, o total de inquéritos em andamento aumentou 27 vezes. "O número de homicídios aqui no estado do Rio, como em outros estados do país, é um número muito elevado, que não se permite você ter muito tempo para se dedicar exclusivamente a um caso apenas. Diante do problema financeiro que o estado passa, nós temos também carência de efetivo, carência de alguns recursos para perícia, de viaturas, então isso tudo compromete na atuação da DH", explica Fábio Cardoso, diretor da Divisão de Homicídios da Capital. O peruano Carlos Patrício Samanez é um das vítimas dessa estatística. Ele vivia no Brasil havia 30 anos. Professor universitário, ele foi morto em fevereiro de 2016, enquanto passeava com a cadelinha de estimação na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte do Rio. Um adolescente de 14 anos chegou a ser apreendido, suspeito de participação no crime. Ele afirmou à polícia que estava a mando de outras pessoas. Até agora, o inquérito não foi concluído. "Era um professor inteligente... os alunos adoravam a ele. (...) Ele era um bom pai, puxa, amava seus filhos. Bom marido. Ele era demais. Não merecia isso", diz Giovanna Bisso, viúva de Samanez. Para ela, faltou empenho das autoridades. "Eu acho que a polícia não investigou. Quem eram esses adultos que mandaram esse rapaz a fazer isso? E nem por que fizeram isso? A motivação a senhora entende? Não, nada... não entendo. Não entendi porque ele era uma pessoa que só fazia o bem. Não implicava com ninguém. Não tinha inimigos." Luiz Carlos Alves de Oliveira também espera por respostas há mais de um ano. A mãe e a irmã morreram baleadas no mesmo tiroteio. No momento em que Marlene e Ana Cristina Conceição foram atingidas, policias e criminosos trocavam tiros no morro da Mangueira, na Zona Norte. A família acredita que os disparos tenham sido feitos por policiais. O laudo pericial foi considerado inconclusivo e as investigações ainda estão em andamento. "De lá para cá, parou. A investigação está parada. E ninguém nos procurou para nada. Só fomos lá na DH, no começo, demos nosso depoimento, ficaram de entrar em contato, mas ninguém falou mais nada não", conta Luiz. Fonte: G1



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