RJ: relatório aponta deficiências no sistema penitenciário


sábado, 28 de setembro de 2013   -    Foto: Campos 24 Horas 

As informações constam no primeiro relatório temático sobre cumprimento de pena no sistema penitenciário do estado Rio de Janeiro (Leia mais abaixo)

casa de custódia 2O Rio de Janeiro tem 52 unidades prisionais em todo o estado para abrigar uma população carcerária de 33.826 internos. No entanto, boa parte desses estabelecimentos destina-se ao regime fechado. Por isso, a maioria dos presos em regime semiaberto cumpre a sanção penal em unidades típicas de cumprimento de pena em regime fechado, ou seja, em unidades de segurança média ou máxima, dificultando o processo de reintegração.

As informações constam no primeiro relatório temático sobre cumprimento de pena no sistema penitenciário do Rio de Janeiro, divulgado hoje (27) pelo Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura do Rio de Janeiro.

Elaborado com dados levantados nos últimos dois anos por uma comissão formada por advogados, psicólogos e assistentes sociais, o documento revela também que apenas 2% dos presos do estado trabalham, número bem abaixo da média nacional, de 20%. Atualmente, em todo estado, existe apenas uma colônia agrícola ou industrial, que são unidades onde os internos podem trabalhar e estudar.

De acordo com a advogada Renata Lira, que é integrante do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura, a falta de trabalho e a internação em estabelecimentos inadequados à progressão da pena dificultam a reintegração do preso à sociedade.

"O que se pode afirmar é que as unidades destinadas ao semiaberto estão em condições tão degradantes quanto as do regime fechado. Há superlotação, ociosidade, péssimas condições de higiene e acomodação. Existem também inúmeros relatos de presos que já podiam cumprir regime aberto, mas estão aguardando o lento andamento processual" explicou a advogada. (Leia mais abaixo)

O relatório conta ainda com propostas que serão apresentadas à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) com o objetivo de melhorar o sistema de cumprimento de penas privativas de liberdade no Rio. Entre elas, estão a criação de novas varas de Execução Penal, a proibição imediata da revista aos familiares e uma campanha efetiva para estimular penas alternativas.

"Nós precisamos sistematizar esse tipo de informação, conseguir entrar nas unidades e conversar com os presos com o intuito de produzir cada vez mais relatórios com informações primárias. As unidades visitadas encontram-se em péssima situação de conservação de suas estruturas. São muitas as infiltrações e pouca iluminação, ambiente propício para se cometerem crimes. Acreditamos que só com trabalho, educação e boas condições de saúde [dentro dos presídios] é que poderemos mudar esse quadro", concluiu Renata.

A Seap rebateu os dados do relatório. O presidente da Fundação Santa Cabrini, órgão que visa à reinserção dos detentos por meio do trabalho, Jaime Melo de Sá, disse que o percentual de presos que trabalham varia de 7% a 9%, dependendo da sazonalidade do mercado.

Segundo ele, o sistema carcerário do estado tem 33 mil presos, sendo 22 mil condenados e 11 mil provisórios, que aguardam julgamento em cadeias públicas. Só no trabalho de faxina, são 1,8 mil presos, que recebem uma remuneração de 75% do salário mínimo. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) apoveita a mão de obra de mais 300 detentos. Cerca de mil presos fazem cursos profissionalizantes e o percentual que estuda, no ensino fundamental e médio, chega a 20%.

O presidente da Fundação Santa Cabrini reconheceu que só existe uma colônia agrícola, no município de Magé, mas disse que dez unidades prisionais oferecem trabalho. Ele avalia que é possível melhorar os índices de presos que trabalham, mas destacou que uma das barreiras é o preconceito na própria sociedade, pois muitas empresas se recusam a contratar um detento. (Leia mais abaixo)



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