quarta-feira, 7 de janeiro de 2015 - Foto: Valor

Com investimento de R$ 80 milhões, o Rio de Janeiro vai ganhar no começo do segundo semestre um aquário de 4,5 milhões de litros de água. Será o maior da América Latina, com porte compatível com os de Orlando e Lisboa, que estão entre os mais visitados do mundo. O espaço será usado, também, para pesquisa científica, e não apenas para entretenimento.
Batizado de AquaRio, o projeto promete ser uma das âncoras da nova região portuária da cidade, que passa por um amplo processo de revitalização. Levou mais de cinco anos para ser desenvolvido e está saindo do papel sem nenhum tipo de recurso público, em um modelo de gestão totalmente privado.
Três empresas financiam a construção: Kataratas, que opera os parques de Foz do Iguaçu; Esfeco, que administra o trenzinho do Corcovado; e Del-Tur, de fretamento de veículos para turismo. As companhias serão pagas quando o projeto estiver operando. A remuneração sairá das receitas de patrocínio, das parcerias para pesquisas e de ingressos, que não passarão de R$ 40, além de receitas de eventos e mergulhos - inclusive para deficientes físicos.
"Um dos maiores desafios foi fechar um modelo de negócios no qual o preço dos ingressos não fosse proibitivo. Queremos atrair todos os públicos", disse Roberto Kreimer, sócio da Kreimer Engenharia que, além de ser a responsável pela execução da obra, dedicou-se pessoalmente para fechar o modelo de negócios. "Noventa por cento da população do Rio nunca visitou um aquário de grande porte. Não podíamos desprezar esse público".
Segundo Kreimer, o projeto do AquaRio contempla diversas funções. Graças a uma parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, um centro de pesquisas biomarinhas será implantado no espaço. A ideia é simular ambientes para aquacultura no tanque, onde poderão ser desenvolvidas espécies brasileiras em cativeiro para posterior produção em fazendas marinhas.
"Também será possível fazer pesquisas com correntes marinhas, por exemplo. Os tanques terão uma tecnologia embarcada de ponta", disse Kreimer.
Já a PUC-Rio fará estudos na área de energia, aproveitando-se do elevado consumo do projeto. Para garantir que a cada hora 4,5 milhões de litros de água sejam retirados, filtrados e reintroduzidos nos tanques, a carga instalada é de 1 MW de energia.
"A PUC fará pesquisas com energias de várias fontes", disse Kreimer, que também negocia com um fabricante de placas solares para cobrir o telhado com esses equipamentos.
O AquaRio está sendo construído em um antigo armazém de alimentos. Um túnel que era usado para trazer as mercadorias do porto agora será o meio para trazer a água do mar para dentro do tanque, que depois funcionará como um circuito fechado, praticamente sem descarte de resíduos. Nos 20 mil de m
2 de área construída, serão instaladas 20 lojas e três restaurantes, além do tanque principal de 3,5 milhões de litros.
O estacionamento, porém, terá capacidade para menos de 500 veículos. Um dos itens de sustentabilidade do projeto é contar com a rede de transporte público que está sendo criada na região, que ganhará uma linha de VLT (Veículo Leve sobre Trilho).
Após a entrega das obras, que começaram há um ano, a Kreimer se afasta do projeto, que passará a ser gerido por uma fundação sem fins lucrativos, presidida pelo biólogo Marcelo Szpilman, criador do Instituto Aqualung.