Estado do Rio tem 341 gestantes com suspeita de zika

Na última semana, o número de casos de microcefalia passou de 23 para 45


11/12/2015   07h40   Foto: Divulgação gestanteO Estado do Rio já registrou 341 casos de grávidas com suspeita de terem contraído o zika (transmitido pelo mosquito Aedes aegypti) desde 18 de novembro, quando passou a ser obrigatória a notificação do atendimento de gestantes com manchas vermelhas na pele, um dos sintomas da doença causada pelo vírus. O número alto vem provocando temor entre mulheres grávidas, médicos e o poder público. Para as gestantes, o grande risco do zika é que ele pode causar microcefalia nos bebês. Na última semana, o número de casos registrados de microcefalia no estado, que até então totalizava 23, pulou para 45. Infectologistas acreditam que o salto pode estar relacionado tanto ao aumento da circulação do vírus, quanto ao maior volume de informações sobre a doença, fazendo com que, de um lado, médicos se preocupem mais em notificar a doença e, por outro, mais pacientes procurem os serviços de saúde. Apenas na cidade do Rio de Janeiro, a Secretaria municipal de Saúde registrou, entre outubro e a primeira semana deste mês, 419 casos suspeitos de zika. Destes, 85 foram confirmados após testes sanguíneos. Em outubro, a secretaria começou a registrar os casos de suspeita da doença. Mesmo assim, a notificação não é obrigatória. Além disso, o Ministério da Saúde calcula que 80% das pessoas infectadas pelo vírus não apresentam sintomas. A Secretaria estadual não registra os casos suspeitos de zika. Nas últimas semanas, a estudante Karina Santos, de 19 anos, anda apavorada, com medo de ser contaminada com o zika. Não é para menos. Grávida de 38 semanas, Karina soube que o vírus é associado a casos de bebês que nascem com microcefalia. Além disso, soube que na região de Madureira, onde vive, há muitos focos do Aedes aegypti. Por isso, há uma semana, ela decidiu comprar um repelente na farmácia perto de casa e passou a usá-lo várias vezes por dia. De acordo com o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes Aegypti (Lira) do município, a área de Madureira é onde se encontra o maior número de focos do mosquito. — Eu li na internet e fiquei com medo. Decidi me prevenir, e agora passo repelente o dia todo, várias vezes. Quando vou dormir, passo uma dose extra. Também pedi à minha mãe que coloque uma tela na janela da nossa casa. Tenho que me proteger ao máximo — diz ela, que ontem foi a uma Clínica da Família em Madureira para tirar dúvidas sobre a doença. Especialistas orientam a prevenção Para o Presidente da Sociedade de Infectologia do Estado, Alberto Chebabo, o aumento do número de casos de bebês com microcefalia no Rio pode estar associado a dois fatores. Um deles pode ser o real crescimento da circulação do vírus zika. Outro, o aumento da preocupação de gestantes e médicos, o que faz crescer o número de notificações. — Há, sem dúvida, um aumento do número de casos de microcefalia, mesmo que estejam relacionados a outros fatores que não o vírus zika. A doença está aumentando em larga escala mesmo. Porém, é claro que, diante da gravidade do quadro de disseminação pelo país, os casos que não vinham sendo notificados passaram a ser — afirma. Para o infectologista Celso Ramos Filho, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Fundão, o que pode explicar em parte esse aumento dos casos de microcefalia registrados na última semana é o que ele chama de “retardo de notificação”. — Que esta é uma grave crise de saúde no Brasil, não se tem a menor dúvida. E ainda vai se agravar ao longo do verão, com certeza. Mas é preciso avaliar se esses diagnósticos de microcefalia já haviam sido feitos, porém não notificados. Não é que as gestantes tenham contraído zika esta semana e o bebê foi identificado então com microcefalia. Isso pode ter acontecido há seis meses — diz. Ele frisa que, mesmo se o mosquito pudesse ser extinto da noite para o dia, os casos de microcefalia continuariam surgindo, pois muitos casos só vão ser diagnosticados quando o bebê nascer. Ambos os especialistas afirmam que o melhor para as gestantes é a prevenção. Segundo eles, as grávidas devem evitar o contato com o mosquito. — É complicado, porque o Aedes pica primordialmente dentro de casa. Então, é importante ter tela antimosquito nas janelas. Se não, mantê-las fechadas. O mais importante é o repelente, aplicá-lo várias vezes por dia, no corpo e sobre a roupa. Ar-condicionado ligado também ajuda, porque o mosquito prefere temperaturas mais elevadas — orienta Celso. As informações são do jornal O Globo.



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