Rio investiga dois casos por suspeita de intoxicação por metanol

A pasta foi notificada para acompanhar uma mulher em Niterói, na Região Metropolitana, e um homem em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos


  • 06/10/2025, 17h16, Foto: Divulgação.

Dois pacientes com suspeita de intoxicação por metanol seguem monitorados pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). A pasta foi notificada para acompanhar uma mulher em Niterói, na Região Metropolitana, e um homem em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. Ambos apresentam quadro de saúde estável.

Os dois casos foram notificados nos últimos dias. A SES-RJ "aguarda o resultado da análise laboratorial para confirmação ou descarte", informou em nota na tarde desta segunda-feira. Enquanto isso, o governador Cláudio Castro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pedem maior rigor nas fiscalizações, como tem ocorrido em bares, restaurantes e ambulantes. (Leia mais abaixo)

Também em nota, através da Prefeitura de São Pedro da Aldeia, a de Secretaria Municipal de Saúde informou que a suspeita do paciente foi registrada na última sexta-feira (2) no Pronto-Socorro Municipal. Segundo o comunicado, o homem, de 37 anos, residente em outro município e está em São Pedro da Aldeia a trabalho. Ele "procurou atendimento por meios próprios apresentando dor abdominal e desorientação após relatar ingestão de bebida alcoólica em menos de 12 horas".

A pasta destaca que "os sintomas iniciais são semelhantes tanto à intoxicação por álcool comum quanto por metanol, motivo pelo qual foi adotado o protocolo previsto para esse tipo de suspeita". O homem "apresentou melhora significativa, estando, atualmente, lúcido e orientado".

No caso de Niterói, segundo a prefeitura, a mulher relatou que ingeriu bebida alcoólica na Lapa, no Centro do Rio. Na capital, ao menos 13 rumores de contaminações foram investigadas, mas descartadas. A paciente não está internada no momento e apresenta bom estado geral. A SMS acompanha o caso e aguarda o resultado do exame, destca a pasta. A secretaria ressalta que as unidades de saúde do município "estão em alerta para os sintomas da intoxicação por metanol e segue as orientações do Ministério da Saúde para as condutas a serem adotadas nos casos suspeitos ou confirmados".

O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, orienta as medidas apra quem apresentar sintomas de intoxicação, em casos suspeitos.

— As recomendações para quem tem sintomas de intoxicação por metanol é procurar uma unidade de saúde o quanto antes, que vai fazer exames laboratoriais e verificar o quadro. A unidade faz a notificação à Secretaria e a Vigilância Sanitária pode ir até o local da possível infecção para averiguar se o produto está sendo vendido — explicou Soranz. (Leia mais abaixo)

Os sintomas da intoxicação podem aparecer entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão, e incluem dor de cabeça intensa, náusea, tontura, visão turva e dificuldade para respirar. Em caso de suspeita, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde, sem tentar se automedicar.

A SES-RJ também orienta que a população evite o consumo de bebidas alcoólicas de procedência duvidosa, especialmente as que são vendidas de forma irregular ou com preços muito abaixo do mercado.

O metanol é uma substância química usada principalmente na indústria, presente em solventes e combustíveis, e altamente tóxica quando ingerida. No organismo, é transformada pelo fígado em compostos que podem causar danos graves ao sistema nervoso, afetando a medula, o cérebro e o nervo óptico, o que pode levar à cegueira, coma e até à morte. Também há risco de insuficiência pulmonar e renal.

Força-tarefa para acompanhar cenário - O governador Cláudio Castro falou nesta segunda-feira, durante coletiva, sobre a preocupação do governo do Rio com bebidas adulteradas com metanol, que já provocaram mortes e intoxicações em outros estados. No Rio, ainda não há registros de casos, mas as autoridades estão em alerta.

— Desde o dia que isso explodiu estamos realizando diversas fiscalizações e diligências. Mais uma vez, tem a questão das fronteiras, assim como acontece com arma, droga e produtos contrabandeados. Temos muita dificuldade quando essas bebidas entram pelas estradas — explicou o governador. (Leia mais abaixo)

Castro afirmou que foi criada uma força-tarefa, que contou inclusive com a participação das estradas federais, e reforçou que o governo espera não ter problemas judiciais para poder atuar de forma plena.

— É uma situação grave. O governo está dando toda atenção, sobretudo com a Secretaria de Polícia Civil, que já tem inquérito aberto sobre isso, mas também na ponta com a Secretaria de Defesa do Consumidor. Lembrando que somos o único estado ou o primeiro com a criação de uma Secretaria de Defesa do Consumidor exatamente para situações como essa. Ela, junto com o Procon, está nas ruas desde o dia que aconteceu, para que possamos garantir que no Rio de Janeiro estamos combatendo isso — disse.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) emitiu uma recomendação conjunta destinada às entidades que representam os setores de turismo e lazer da capital fluminense, em que pede a adoção de medidas rigorosas de controle e rastreabilidade na venda de bebidas alcoólicas.

Isto para prevenir fraudes, adulterações e falsificações. Entre as ações indicadas às entidades estão a de comunicar e orientar os associados sobre a necessidade de implementar práticas de gestão de risco e compliance na comercialização de bebidas.

Fonte: Extra (Leia mais abaixo)



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