Caminhoneiros do RJ não cedem; veículo multado pela PRF; combustível chegando

A suspensão da greve dos caminhoneiros ainda é uma incógnita


  • 29/05/2018, 16h12, foto: Divulgação.
A greve dos caminhoneiros entra em seu nono dia com várias indefinições, principalmente, quanto ao seu término ou não do movimento nacional. Para o governo, a partir do que foi oferecido à categoria (redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias, isenção de pagamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios, entre outros), a maioria dos caminhoneiros aceitou e, por isso, a greve está encerrada. No entanto, alguns caminhoneiros, especialmente no Estado do Rio de Janeiro, considerados autônomos, dizem não à proposta e afirmam que continuarão com o movimento. Além disso, entidades de classe que congregam à categoria também não se entendem sobre o fim da greve, algumas aceitando a proposta e outras dizendo não a tudo o que já foi oferecido. CAMINHÕES PARADOS SERÃO MULTADOS A partir das 15h30 desta terça-feira (29), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificará os veículos de carga que continuarem com a paralisação. Eles serão relatados à justiça para aplicação da multa autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a qual determinou a liberação de rodovias, acostamentos e entorno, inclusive nos pátios dos postos de combustíveis, que estão bloqueados pelo movimento. As empresas que descumprirem a ordem de desocupação em R$ 100 mil por hora e de aplicarem penalidade no valor de R$ 10 mil por dia aos motoristas autônomos que não obedeceram à sentença. CAMINHONEIROS DO RJ NÃO ESTÃO SATISFEITOS A maior concentração de caminhoneiros no Estado do Rio de Janeiro, às margens da BR-116, no trecho da Rodovia Presidente Dutra, no município de Seropédica, parece não ceder à proposta de acordo do governo e aos apelos de suas próprias entidades de classe. No emaranhado de caminhões, em um grande pátio de um posto de combustíveis, todos os motoristas ouvidos pela reportagem, nesta segunda-feira, demonstraram não estarem totalmente atendidos em suas reivindicações. As principais demandas, repetidas por quase todos, é um maior desconto no óleo diesel, além dos R$ 0,46 dado pelo governo, e por um período maior, de seis meses a um ano, e não por apenas 60 dias, e a garantia de um preço mínimo no chamado frete de retorno. Também reclamaram muito do valor do pedágio cobrado nas estradas, que chega a representar 10% do valor do frete. COMBUSTÍVEL COMEÇA A CHEGAR O Estado do Rio de Janeiro recebeu 10 milhões de litros de combustível nesta terça-feira (29), segundo o governador Luiz Fernando Pezão. Em dias normais, costumam circular 15 milhões de litros pelo estado. A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro divulgou um balanço que informa que 311 escoltas foram realizadas na noite de segunda-feira (28) e na madrugada e manhã desta terça-feira (29). Destes, 300 foram escoltados de uma só vez transportando alimentos para abastecer a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O total também conta com caminhões de combustíveis para abastecer postos, ônibus e as barcas que fazem a travessia marítima para o Rio. PROTESTOS DE CUNHO POLÍTICO O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta terça-feira (29) que os protestos restantes em rodovias neste nono dia da greve dos caminhoneiros é de "cunho político". Segundo Padilha, os representantes de caminhoneiros que negociaram com o Palácio do Planalto afirmaram que a greve, da parte deles, foi encerrada. O ministro afirmou que os bloqueios que ainda persistem em algumas rodovias têm mais participação de populares do que de caminhoneiros. NORMALIZAÇÃO SÓ EM UMA SEMANA Abastecimento de combustíveis apresentou melhoras pelo país com a redução do movimento de paralisação dos caminhoneiros, mas a situação ainda está longe do ideal e deve demorar pelo menos uma semana para voltar ao normal, disse nesta terça-feira (29) o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Aurélio Amaral. Segundo o diretor da ANP, há uma maior fluidez de abastecimento em grandes cidades como Rio de Janeiro e Brasília, depois que algumas associações de caminhoneiros responsáveis pelo movimento recomendaram o fim da paralisação após um pacote de medidas do governo em atendimento a demandas da categoria. Também contribuiu para a melhora no abastecimento de combustíveis a realização de escoltas de tropas federais a caminhões-tanques por todo país. MINISTRO DESCARTA AUMENTO DE IMPOSTOS Brasília - O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, mudou o tom em relação à necessidade de aumentar impostos para compensar a redução de tributos sobre o diesel, declaração que ele fez na segunda-feira. Nesta terça-feira, nono dia da greve dos caminhoneiros, o ministro afirmou que a compensação na redução do preço do diesel será feita apenas com redução de benefícios fiscais. A mudança de tom ocorreu após ele ser criticado pelo presidente da Câmara e pré-candidato à Presidência Rodrigo Maia, que afirmou que Guardia "não manda no Congresso Nacional" e teve uma atitude "irresponsável".



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