'Resultado de R$ 15 milhões em prejuízo é um indicador de que a operação foi boa', diz secretário de Polícia Civil do Rio

Durante ação nos complexos da Maré e da Penha, na Zona Norte, e na Cidade de Deus, na Zona Oeste, foram apreendidos cem quilos de pasta base de cocaína, meia tonelada de maconha e 16 veículos roubados


  • 10/10/2023, 10h11, Foto: Divulgação.

A Polícia Civil acredita que a operação que levou cerca de mil agentes para as favelas dos complexos da Maré e da Penha, na Zona Norte, e à Cidade de Deus, na Zona Oeste, nesta segunda-feira, tenha causado um prejuízo de cerca de R$ 15 milhões a uma das maiores facções criminosas que atua no tráfico de drogas no estado. A megaoperação foi uma resposta ao assassinato de três ortopedistas, na semana passada na orla da Barra da Tijuca. As favelas são controlados pela facção criminosa que trava uma guerra em diferentes pontos da cidade com milicianos e é suspeita de ter ordenado o ataque em que os médicos foram mortos. Na ação, dois helicópteros — um da Polícia Civil e outro da PM — foram atingidos por disparos e tiveram que fazer pousos de emergência. Um dos agentes ficou ferido por estilhaços. Por precaução, 69 escolas não funcionaram.

Próximo ao Ciep Marielle Franco, na Maré, foi apreendido um fuzil que estava dentro de uma caixa enterrada, além de carregadores e munição. Os agentes também apreenderam 500 quilos de maconha e recuperaram 16 veículos roubados. Um laboratório de refino de drogas e uma fábrica de produção de artefatos explosivos foram estourados. O secretário de Polícia Civil, José Renato Torres, definiu a ação como “extremamente exitosa”, apesar do baixo número de presos. (Leia mais abaixo)

— Todos os integrantes dessa facção criminosa que têm mandado de prisão são alvos dessa operação. A atividade de inteligência detectou a migração para outras comunidades, reduto deles também. Então, decidimos aumentar o escopo de atuação. O resultado de R$ 15 milhões em prejuízo é um grande indicador de que a operação foi boa. O importante é mexer no bolso, seguir o dinheiro — disse Torres.

O objetivo da Operação Maré era cumprir 60 mandados de prisão, mas apenas nove suspeitos foram detidos. Os policiais não estiveram na favela onde fica o centro de treinamento do tráfico, já que o foco era outra quadrilha. Três das prisões foram em flagrante. Uma delas foi a de um policial militar que estava em um caminhão onde foram apreendidos 150 quilos de pasta-base de cocaína, avaliados em R$ 12 milhões. O terceiro-sargento Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, do 21º BPM (São João de Meriti), foi capturado por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) na Avenida Brasil, na altura da Rodovia Washington Luís. A polícia suspeita que ele tenha retirado a droga do Complexo da Penha devido à operação.

— Fiz questão de parabenizar as lideranças das nossas polícias na apresentação do balanço parcial da grande ação que realizamos. Trata-se da maior ação de combate às máfias com uso de tecnologia, aliada à inteligência e à investigação. O mais importante: estamos libertando os moradores das amarras do tráfico e da milícia, demolindo barricadas das vias públicas e devolvendo a eles o sagrado direito de ir e vir, em paz. Isso é só o começo, e não recuaremos um milímetro sequer — afirmou o governador Cláudio Castro.

Os agentes estrearam na operação dois drones com nova tecnologia. As aeronaves não tripuladas têm câmeras que fazem o levantamento das áreas em 3D e com infravermelho termal para o uso à noite. Os equipamentos também são ligados a um software de inteligência artificial com capacidade de realizar o reconhecimento facial e de placas. Eles são conectados aos sistemas de foragidos das polícias e de registros de roubos de veículos. Para o antropólogo Robson Rodrigues, ex-chefe do Estado-Maior da PM fluminense, também é preciso investir no trabalho de investigação:

— A gente não pode se agarrar à tecnologia como se isso fosse a solução de todos os problemas. O que não pode é ter a operação policial, que são intermitentes, como solução dos problemas. (Leia mais abaixo)

Apreensão de celulares Em paralelo às incursões nas favelas, a Secretaria de Administração Penitenciária fez uma operação nos presídios de Bangu 3 e 4, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, para bloquear os sinais de celular. Foram apreendidos 58 aparelhos. Na semana passada, logo após a morte dos ortopedistas, traficantes teriam feito uma videoconferência com presos, na qual foi decidida a pena de morte dos assassinos. Doze horas após o ataque na Barra, quatro corpos em dois carros foram encontrados na Zona Oeste.

Ao RJTV, da TV Globo, José Renato Torres disse que o uso de celular pelos presos ajuda nas investigações: — Acho até que, quando eles se comunicam, a gente conseguindo monitorar a conversa deles, é importante para a investigação. Mas, quanto ao protocolo dentro do sistema penitenciário, cabe à secretária (de Administração Penitenciária) responder.

Em seguida, a secretária Maria Rosa Lo Duca Nebel respondeu:

— Nós temos uma parceira muito integrada com a Polícia Civil e a Polícia Militar, e temos feito intervenções. No ataque na Barra, foram mortos Marcos de Andrade Corsato, de 62 anos, Perseu Ribeiro Almeida, de 33, e Diego Ralf de Souza Bomfim, de 35. Perseu teria sido confundido com um miliciano de Rio das Pedras, o que levou traficantes a cometerem o crime. O ortopedista Daniel Sonnewend Proença, que estava com o grupo num quiosque, foi ferido. Ele transferido ontem para São Paulo, onde mora.

Fonte: Extra (Leia mais abaixo)



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