05/06/2015 - às 17h30 - Foto: Divulgação

Quando o assunto é tratamento de obesidade infantil, não há tecnologia melhor que o modo convencional de lidar com o problema. É o que defende a pesquisadora e coordenadora do curso de especialização em endocrinologia pediátrica Ivani Novato Silva. Segundo ela, a melhor solução para reverter o quadro, seja sobrepeso ou obesidade na infância, continua sendo a reeducação alimentar e a prática de exercícios físicos.
“Os medicamentos para emagrecer não são aconselhados nem para os adultos; para as crianças, que ainda estão desenvolvendo o organismo, muito menos. Além disso, apenas ingerir essas medicações, sem mudar os hábitos alimentares, não vai fazer diferença, porque ela vai continuar tendo uma alimentação ruim e engordará novamente quando parar com os remédios”, explica. A especialista afirma também que a mudança de hábitos deve englobar toda a família, e não só a criança, pois é preciso dar o exemplo. Ivani explica ainda que remédios utilizados para controlar outras doenças relacionadas à obesidade, como colesterol alto e distúrbios de pressão, não entram na lista de restrição.
Segundo a endocrinologista, a dica para incluir atividades físicas no dia a dia dos pequenos é deixar a própria criança escolher quais exercícios ela mais gosta. “Atividades lúdicas, que dão prazer de serem feitas, são as com mais resultado. Não adianta colocar alguém que não gosta de caminhada para caminhar, porque não vai ser prazeroso e a criança não vai querer que isso entre na sua rotina”, explica.
O ideal, contudo, é a prevenção. Para a especialista, evitar o sedentarismo desde os primeiros anos de vida é muito importante. No Brasil, o índice de obesidade infantil vem crescendo de forma preocupante, segundo a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que divulgou um levantamento sobre o assunto no começo deste ano. De acordo com os dados, 7,3% das crianças brasileiras com menos de cinco anos estão com excesso de peso. Entre 5 e 9 anos de idade, o percentual aumenta para 33,5%. Na adolescência, o índice é de 20,5%.