Remédio em carro de motorista em Copacabana estava fora da validade

Uma das embalagens do medicamento Depakote está vencido desde julho de 2017


  • 19/01/2018, 20h38, Foto: Agência O Dia.
Um dos remédios encontrados no carro de Antonio de Almeida Anaquim, de 41 anos, motorista que atropelou diversas pessoas na orla de Copacabana na noite desta quinta-feira, estava fora do prazo de validade. Uma das embalagens do medicamento Depakote está vencido desde julho de 2017. A droga é um dos remédios usados para tratamento de alguns tipos de epilepsia. Em depoimento na 12ª DP (Copacabana), Anaquim alegou ter sofrido um ataque epilético ao volante, atropelando 18 pessoas no total e deixando uma bebê de oito meses morta. A Polícia Civil não informou se os remédios encontrados no carro são usados por Anaquim. O resultado do exame de alcoolemia deu negativo. Os demais exames toxicológicos deverão sair nos próximos 15 dias. Além do Depakote, também foram encontradas duas cartelas de Lamitor e Tegretol CR. As medicações anti-epiléticas são usadas de acordo com o grau que a pessoa apresenta da doença. De acordo com a neurofisiologista do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Priscila Oliveira da Conceição, os remédios que estavam no veículo são de uso comum para tratamento da epilepsia, inclusive a associação entre os três. — A gente não trabalha com remédios fortes ou fracos. Cada um tem seus efeitos colaterais típicos, uns mais que outros e também depende da pessoa. O que temos são remédios para vários tipos de epilepsia. Não sabemos o tipo que ele (Anaquim) tem. De qualquer forma, o Depakote e o Lamitor são remédios de amplo espectro e funcionam para vários tipos da doença. O Tegretol provoca sonolência, mas também é muito utilizado. A associação entre eles também é muito adotada. É importante lembrar que qualquer medicação pode apresentar problemas com eficácia se for consumida fora da validade — disse. Ainda segundo Priscila, uma crise epilética dura em média de um a três minutos, dependendo do grau da doença. Após a crise, o paciente pode demorar a sair do estado de confusão mental. Após o acidente, testemunhas relataram que Anaquim deixou o carro desorientado. Para Priscila, a reação é comum após crises. — O pós-crise pode perdurar muito tempo. Em alguns casos, a pessoa pode voltar rápido ao estado normal. Outros podem demorar um pouco a deixar de ficar confusos. Há relatos de pessoas que ficam mais agressivas ou então completamente desnorteadas, como se quisessem sair correndo — relatou.



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