O significado de um ídolo nem sempre consegue ser explicado. Com a morte de Pelé na última quinta-feira, aos 82 anos, em São Paulo, o mundo se emocionou e relembrou de uma das características mais bonitas do esporte: a amizade.
Dois dos maiores de todos os tempos, o Rei do Futebol e Diego Maradona, falecido em 2020, marcaram para sempre o futebol dentro de campo e também fora dele. O LANCE! relembra a amizade dos dois que, lado a lado, protagonizaram grandes momentos fora de campo, desde os enfrentamentos no decorrer da carreira do argentino, até a admiração exemplar entre a dupla.
Pelé foi o grande nome do futebol do final da década de 1950 até o início dos anos 1970. Já aposentado, o Rei do Futebol viu o crescimento de um possível sucessor em um país vizinho, na Argentina, com a chegada de Maradona ao futebol profissional.
Com auge mais curto, porém tão brilhante quanto, o hermano foi referência do esporte em meados da década de 1980 até o início dos anos 1990.
Os craques se encontraram pela primeira vez em 1979, quando Pelé, já consolidado como o maior de todos os tempos, conheceu o jovem argentino.
No entanto, a partir do momento em que Maradona se tornou um grande jogador, os dois trocaram farpas com relação ao jogo e aos problemas extracampo.
Em referência ao desempenho de Maradona na Copa do Mundo de 1986, conquistada pela Argentina, Pelé afirmou que seu sucessor só tinha habilidade com a perna esquerda e que era um mau exemplo - discorrendo também sobre os problemas de destempero do craque argentino e vícios extracampo.
Por outro lado, Maradona também alfinetou Pelé. Em 1998, durante uma entrevista para canal de televisão argentino, falou da relação de Pelé com as organizações de futebol e o dinheiro.
- Pelé é um escravo, ele vendeu seu coração para a Fifa. Pelé gosta mais de dinheiro do que de dormir - disparou Diego.
A briga pessoal entre os dois foi deixada de lado após Maradona conviver com graves problemas de saúde, sobretudo a partir de 2004. Nos últimos anos, os dois se encontraram em eventos e sempre ressaltaram a admiração que tiveram pelo futebol e entre si.
Quando Maradona comemorava aniversários, Pelé, digno de um Rei, o parabenizava. Dessa forma, a amizade mostrou aos torcedores que a rivalidade pode também ser marcada pelo respeito e admiração.
Em 2005, Maradona apresentava um programa de televisão na Argentina e convidou Pelé para uma participação especial. Durante a conversa ao vivo, os dois resolveram fazer o que pode ser considerada como a maior tabelinha da história do esporte: apenas com suas cabeças, os dois tocaram a bola no ar um para o outro e não deixaram ela cair.