Recuperado do ombro, Demian revela drama

Lutador teve osteomielite, uma infecção óssea, e foi retirado do card de 23 de agosto, mas já está bem e sonha com retorno no início do próximo ano


sexta-feira, 14  de novembro de 2014     -     Foto:  Raphael Marinho demianmaia-ufc-raphaelmarinho (1)Sem lutar desde o dia 31 de maio, quando venceu Alexander Yakovlev por decisão unânime, em São Paulo, Demian Maia passou por poucas e boas desde seu último combate. O brasileiro lutaria no dia 23 de agosto contra Mike Pyle, mas uma infecção óssea no ombro direito, chamada de osteomielite, que o deixava com febre alta, impediu que o atleta atuasse. Apesar de ficar curado da infecção, Demian precisou voltar ao hospital duas vezes, já que a febre persistia. Chegou a sofrer com isso por cinco dias consecutivos, o que ligou o sinal de alerta dos médicos, que chegaram a fazer um exame para saber se ele estava com algum tumor. Felizmente, não passava de uma virose, mas ele só pôde voltar a treinar há pouco menos de um mês. - Voltei a treinar leve há umas três ou quatro semanas. Tive uma osteomielite, infecção óssea, ainda tentei manter a luta com o Mike Pyle, mas não consegui. Tive febre de novo, fui para o hospital, voltei pra casa, depois de umas três semanas tive febre mais uma vez, achamos que era a infecção óssea, mas não era. Aí foi o susto, porque não era mais a infecção e eu não sabia o que era. Até descobrir que tinha sido uma virose comum, que geralmente se tem quando criança, fiz até exame para tumor e fiquei meio tenso porque não sabia o que eu estava passando - afirmou, em entrevista ao Combate.com na última quinta-feira, em Uberlândia-MG, onde estava acompanhando Maurício Shogun. Plenamente recuperado, Demian Maia pretende retornar ao octógono no início de 2015. Ele ainda comentou os elogios que recebeu de Royce Gracie, os pontos que precisa melhorar no seu jogo para alcançar o cinturão e apostou em Johny Hendricks no duelo contra Robbie Lawler, dia 6 de dezembro, na luta principal do UFC 181, entre outras coisas. Confira a entrevista na íntegra: Combate.com: Como está agora depois de se recuperar da osteomielite? Demian Maia: Estou bem melhor, voltei a treinar depois de ficar três meses parado. Fui e voltei para o hospital três vezes, foi sério o negócio. Desde os 12 anos de idade não ficava tanto tempo sem treinar. Estou feliz de voltar, me sentindo bem e espero estar pronto o mais rápido possível. Voltei a treinar leve há umas três ou quatro semanas. Tive uma osteomielite, infecção óssea, ainda tentei manter a luta com o Mike Pyle, mas não consegui. Tive febre de novo, fui para o hospital, voltei pra casa, depois de umas três semanas tive febre mais uma vez, achamos que era a infecção óssea, mas não era. Aí foi o susto, porque não era mais a infecção e eu não sabia o que era. Até descobrir que tinha sido uma virose comum, que geralmente se tem quando criança, fiz até exame para tumor e fiquei meio tenso porque não sabia o que eu estava passando. A cada cinco, seis horas, tinha febre, tinha que tomar remédio e foi assim durante uns cinco dias direto. Ficava meio desesperado sem saber o que estava acontecendo. Já tem data para voltar a lutar? Gostaria muito de lutar o mais rápido possível, só que não posso entrar sem estar 100% ou perto disso. Queria sentir ainda o próximo mês, aí vou ter uma noção mais certa de quando vou estar preparado. Espero que no começo de 2015 eu consiga voltar. E você tem algum adversário que gostaria de enfrentar no seu retorno? Tem tantos nomes, está tão embolado o meio-médio, que não tem ninguém específico. Quero voltar a lutar para voltar à atividade, não me preocupo com quem será, só preciso voltar à atividade. Recentemente o Royce Gracie te elogiou e disse que você é um dos lutadores que ele gosta de assistir. Como foi pra você receber esses elogios? Nunca me esqueço do dia que ganhei do Sonnen. Fui para a China fazer um evento com o sheik de Abu Dhabi, e o Royce estava lá. Ele chegou pra mim - ele é um dos motivos de eu treinar jiu-jítsu - me olhou e disse: "Me disseram que você é o novo Royce Gracie". Isso não tem preço. Um cara que é ícone não só meu, mas de todos que lutam MMA e jiu-jítsu. Ele falar isso é um prêmio melhor que muitas medalhas que ganhei. Você teve um bom início quando desceu para os meio-médios, mas depois passou a oscilar dentro da divisão. O que acha que falta pra dar esse passo adiante e chegar em uma disputa de cinturão? Como você disse, tive um início muito bom, ganhei três lutas. Acho que contra o Jake Shields foi uma luta duríssima, poderia ter feito algumas coisas diferentes, mas revi essa luta várias vezes e acho que não perdi. Concordo que posso ter perdido dois rounds, mas não tem como ter perdido três. Ali foi muito ruim para a minha carreira porque eu estava em uma situação de pular para uma disputa de cinturão. Para você ver como um corpo de juízes pode te complicar. Com o Rory foi lutão, duríssima, apertada, ganhei tranquilamente o primeiro, ele ganhou o segundo. Terceiro round ele começou ganhando, consegui botar pra baixo e ele conseguiu virar no final. Mas é um cara que não tem o que falar, tem grandes chances de ser campeão, vai disputar o título. Às vezes as pessoas veem vitórias e derrotas, mas não veem com quem você lutou e como foram as lutas. Não é a mesma coisa perder para um cara que está começando ou fazer luta uma duríssima com um cara que é top 1 ou 2 do mundo. É lógico que com o Shields poderia ter feito coisas a mais para deixar mais claro. Eu entendo que tenho que dar esse salto para não deixar esse tipo de dúvida. Mas pensando até para me estimular, para mim eu tenho só uma derrota nessa categoria. Sei que não adianta nada, que vale o que está no papel, mas minha derrota é para o Rory, que foi luta dura, que preciso ver o que tenho que melhorar daquilo. Sei que tenho condições de lutar com cara top e até chegar numa disputa de título.



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