11/08/2015 - às 16h10 - Foto: Divulgação

Um ano atrás, nem o analista mais pessimista imaginava que o Brasil chegaria a meados de 2015 com expectativas tão deterioradas. A economia pode ter recessão de 2% este ano e a inflação é estimada em 9,3%, mais do dobro da meta de 4,5%, segundo previsões do mercado.
Paira ainda a ameaça de o país perder o grau de investimento, selo de bom pagador duramente conquistado em 2008. A situação ainda pode piorar se governo e Congresso não acertarem os ponteiros para aprovar o ajuste fiscal e evitar a criação de leis que ampliam o gasto público.
O risco de impeachment da presidente e as investigações da Lava Jato, cuja extensão e desfecho ainda são incertos, tornam qualquer prognóstico, no mínimo, arriscado.
Imperando o bom-senso, porém, haverá razões concretas para acreditar que o ajuste doloroso que o país atravessa agora dará resultados mais à frente.
Se há males que vêm para o bem, o câmbio é um bom exemplo. Com a recessão diminuindo a demanda interna, o dólar mais alto deve ajudar a reverter o déficit comercial.
O saldo acumulado neste ano está positivo em US 4,6 bilhões, ante déficit de US$ 952 mi no mesmo período de 2014.
O déficit em transações correntes, medida mais ampla que também inclui turismo e outras contas, deve cair de 4,5% do PIB em 2014 para 3,6% este ano e 2,9% em 2016, segundo o economista Cristiano Oliveira, do Banco Fibra.
A volta do crescimento forte da década passada ainda não está no horizonte.
Mas as expectativas do mercado já apontam alguma melhora no médio prazo. Em 2016, as estimativas ainda são medíocres, mas apontam que a economia pode parar de piorar, com o PIB saindo da recessão este ano para um crescimento perto de zero, e IPCA desacelerando dos atuais 9,6% para 5,4%.
Para 2017 em diante, o mercado já vê o crescimento voltando, embora timidamente, e a inflação encostada no centro da meta.
A percepção de melhora já deve ocorrer a partir do 2º semestre do ano que vem, quando o PIB já deve mostrar resultados trimestrais positivos, embora o resultado do ano possa ser negativo, diz Oliveira.
Uma das medidas para revigorar a economia após o ajuste fiscal e a alta dos juros já foi encaminhada. O plano anunciado em junho promete gerar R$ 198 bilhões em investimentos em infraestutura até 2018.
Melhor do que o valor é a orientação do pacote, que trouxe regras consideradas pelo ex-ministro Delfim Netto como mais favoráveis aos investidores do que as observadas nos planos anteriores.