

O 5º Encontro Nacional das Comunidades Quilombolas "Terra Titulada Liberdade Conquista, Nenhum Direito a Menos", realizado durante a última semana em Belém, no Pará, marcou a posse de três representantes de comunidades quilombolas de Campos na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). Lucimara Muniz, que é coordenadora nacional de comunidades quilombolas; Maria de Lourdes Cruz Nascimento, da comunidade da Lagoa do Sossego; e Amaro da Silva Lopes, da comunidade Lagoa Fea, foram três dos quatro delegados empossados. Eles vão representar o Estado do Rio de Janeiro na coordenação nacional pelos próximos três anos.
Para Lucimara, que também é presidente do Instituto de Desenvolvimento Afro Norte Noroeste Fluminense (Idannf), a representação de Campos com destaque na delegação do estado significa maiores condições de lutar por melhorias tão necessárias às comunidades quilombolas do município. O que pode ser feito através da intensificação das atividades dos conselhos, das reuniões e audiências.
— No Encontro em Belém, tivemos contato com diversas autoridades nacionais, representando o Ministério da Saúde, o Ministério das Cidades, entre muitos outros órgãos. Isso significa a abertura de canais para implantarmos diversas políticas afirmativas para as comunidades quilombolas — destacou Lucimara.
Um dos desafios, segundo ela, é o avanço no processo de regularização fundiária das terras ocupadas pelos quilombolas. Outra questão é a discussão diferenciada, por exemplo, em casos como o da Doença Falciforme, alteração genética que acomete principalmente descendentes de africanos e normalmente causa anemias e algumas limitações.
— Temos também a luta constante pelo resgate da nossa cultura. Ainda encontramos nas comunidades quilombolas do Imbé fortes traços culturais, principalmente na culinária e no artesanato. E se não trabalharmos por esse resgate, a preservação e a consequente transmissão desses valores e “saberes” para as próximas gerações, a tendência é tudo se perder com o tempo — acrescentou.
Com 18 comunidades quilombolas, Campos tem a maior concentração desses núcleos em todo o estado, que possui 43 ao todo. Seis já obtiveram reconhecimento, enquanto 12 continuam aguardando. Nas comunidades de Aleluia, Batatal e Cambucá são 175 famílias. Em todo o município, são cerca de dois mil quilombolas. No país, são aproximadamente 2,5 mil comunidades.
Fonte: Comunicação/PMCG