Quem tem lúpus pode engravidar? Conheça os riscos e cuidados necessários

A gestação de mulheres com lúpus apresenta mais riscos que o normal




29/01/2023, 00h20, Foto: Reprodução.


O lúpus é uma doença inflamatória autoimune causada por um desequilíbrio no sistema imunológico, que ataca os tecidos do corpo, podendo atingir pele, articulações e vários órgãos. Os sintomas geralmente incluem manchas na pele, febre, dores nas articulações, fadiga, entre outros. Muitos pacientes apresentam esses sintomas de forma esporádica. Eles se agravam durante as crises da doença e depois melhoram. (leia mais abaixo)


O lúpus é mais comum em mulheres em idade fértil. E a gestação nesses casos é considerada de alto risco, porque pode apresentar algumas complicações. Por isso, pacientes com a doença que desejam engravidar precisam se planejar e tomar alguns cuidados. Com o acompanhamento adequado e pré-natal rigoroso, na maioria dos casos, é possível ter uma gravidez segura. (leia mais abaixo)


Cuidados pré-concepção

De acordo com os especialistas, as mulheres com lúpus podem engravidar com segurança, e algumas medidas ajudam nesse sentido. 


“Se a doença estiver sob controle, é improvável que a gravidez cause crises. No entanto, planejar a gravidez é mais seguro. É importante manter o controle da atividade da doença, controle de concomitâncias como hipertensão, diabetes e obesidade, entre outros”, afirma o dr. Marco Antônio Araújo da Rocha Loures, reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).


Segundo a dra. Larissa Cassiano, ginecologista e obstetra e especialista em gestação de alto risco, para a mulher engravidar, o ideal é que o último quadro da doença tenha ocorrido há pelo menos seis meses. Também é importante fazer ajustes e, se possível, reduzir a dose de corticoide para as pacientes que fazem uso da medicação, além da avaliação renal, cardíaca e dosagem de anticorpos. (leia mais abaixo)


Além disso, os medicamentos chamados citotóxicos podem prejudicar a fertilidade. Se você tem lúpus e deseja engravidar, converse com o seu médico sobre a possibilidade de mudanças no tratamento da doença. 


“O ideal é antes da gestação realizar uma avaliação, pois algumas pacientes utilizam medicações que precisam de ajuste e outras, como por exemplo a hidroxicloroquina [medicação usada no tratamento do lúpus], em muitas situações não deve ser suspensa”, explica a médica. 


Principais riscos e cuidados na gestação

A gestação de mulheres com lúpus é considerada de alto risco: há maior risco de abortamento espontâneo, restrição de crescimento intrauterino e fetal, eclâmpsia, morte fetal e parto prematuro. 


Para minimizar esses riscos, é necessário um acompanhamento mais próximo do que o habitual – com obstetra e reumatologista, que vai orientar sobre possíveis mudanças na medicação, se necessário. Diversas medicações podem ser usadas durante a gestação, mas não todas.


“É recomendado que esse pré-natal seja mais rigoroso e realizado por obstetra especialista em gestação de alto risco. Geralmente, no início, as consultas são mensais, mas havendo alterações, este intervalo deverá ser ajustado”, afirma a dra. Larissa. 


Segundo a obstetra, muitas pessoas podem ter receio do parto vaginal em pacientes com lúpus, mas isso é totalmente possível. “O ideal apenas é que a gestação não ultrapasse mais de 40 semanas, caso isso ocorra, é possível realizar uma tentativa de indução de parto”, afirma a ginecologista. 


“O controle bem feito da doença, sem crises repetidas, o controle das comorbidades, evitar ingestão de bebidas e o uso de cigarros – refletem na queda dos fatores de risco”, explica o reumatologista.


Filhos podem nascer com lúpus?

O dr. Marco Antônio explica que os filhos de mães com lúpus podem nascer com um bloqueio cardíaco, que faz com as batidas do coração fiquem mais lentas, mas ele reforça que essa situação é rara. Além disso, alguns bebês podem desenvolver o lúpus neonatal – quando ele têm manchas semelhantes às de quem tem lúpus. (leia mais abaixo)


“No entanto, essas manchas são temporárias e a criança não desenvolve lúpus, propriamente dito. Estas duas situações ocorrem quando há um anticorpo chamado Ro. Algumas intercorrências sanguíneas podem ocorrer por um pequeno período de tempo e desaparecem.”


Fonte: Drauzio Varella