Quem são os brasileiros em Gaza que aguardam para cruzar a fronteira do Egito

Grupo que espera repatriação é composto por 14 crianças, oito mulheres e seis homens adultos


  • 16/10/2023, 19h30, Foto: Divulgação.

Um grupo com 22 brasileiros aguarda a abertura da fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito para sair do território que está sob cerco de Israel. A Embaixada do Brasil no Egito deslocou uma equipe de diplomatas para Ismailia, no norte do país, para acompanhar as negociações. O embaixador brasileiro Paulino Franco Neto, que lidera a missão, espera ter novidades sobre o assunto ainda nesta segunda-feira.

De acordo com o embaixador Alessandro Candeas, chefe do Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, o número total de pessoas que estão neste grupo é de 28, sendo 22 brasileiros, três imigrantes palestinos e três palestinos. Ao todo, são 14 crianças, oito mulheres e seis homens adultos. Inicialmente, o grupo era formado por 30 brasileiros, mas uma família e outras duas pessoas desistiram da repatriação. Conheça alguns dos brasileiros que aguardam para cruzar a fronteira: (Leia mais abaixo)

Shahed al-Banna

A brasileira Shahed Al Banna, de 18 anos, está em Gaza há um ano e meio e, desde o início do conflito, relatou a situação que tem vivenciado na região. Inicialmente, ela foi para a casa de uma tia. Depois, na última sexta-feira, foi até uma escola que servia de abrigo para um grupo de brasileiros e palestinos. Quando todos foram orientados a sair do local com urgência, ela disse que o grupo estava “desesperado”.

"A situação está desesperadora, está difícil. As crianças estão chorando. Eu estou em uma escola. E a irmã da igreja disse que a escola não é mais um lugar seguro. Não podemos mais ficar aqui, os israelenses vão atacar todos os lugares" disse ela à GloboNews. O grupo em que ela estava conseguiu ser deslocado no último sábado, e agora aguarda a autorização para sair de Gaza. Segundo Candeas, o local atual é próximo da fronteira.

Noura Bader

A palestina Noura Bader, de 37 anos, é conhecida em São Paulo: seu rosto está estampado desde 2022 em um mural localizado em frente ao Museu do Imigrante, na Zona Leste. A obra é do artista Kobra, que pintou outros sete rostos de estrangeiros no mesmo local. Na última sexta-feira, ela também procurou abrigo na escola. Noura estava acompanhada da família, com nacionalidade brasileira. Quando a obra foi pintada por Kobra, Noura morava com a família em São Paulo, e estava no país como refugiada. Ela, o marido Monir Bader, de 38 anos, e os dois filhos mais velhos — o menino Bader Monir Bader, de 11 anos, e a menina Rose Monir Bader, de 9 — nasceram na Palestina. O mais novo, Mohamed Monir Bader, de 4, nasceu no Brasil. Todos os cinco, porém, têm passaporte brasileiro. (Leia mais abaixo)

Em janeiro deste ano, eles foram ao Egito, onde o marido ficou por pouco tempo. Em fevereiro, partiram para a Faixa de Gaza, local em que permaneceram até o início do conflito. Monir trabalhava como motorista, e Noura estava com dificuldades para conseguir emprego. Agora, eles desejam conseguir sair de lá.

 



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