Que venham as flores e também as chuvas...

Campos 24 Horas ENTREVISTA Eduardo Crespo - Secretário Municipal de Agricultura


Atualizado: segunda-feira, 29 de setembro de 2014    -    Foto: Campos 24 Horas Postado por Fabiano Venancio - Eduardo Crespo-AL (5)A seca que assola a região e já dura mais de 120 dias, acabando com plantações e matando animais, fez com que órgãos ligados à terra mudassem ou alterassem seus projetos e programas em função dela. Em Campos, a Secretaria Municipal de Agricultura entrou firme no combate, antes mesmo dela começar, lá por volta de janeiro. E hoje tenta amenizar os estragos inevitáveis que ela vem causando, de mãos dadas com os agricultores espalhados por mais de 220 mil quilômetros de hectares agrícolas. Por causa dessa dimensão territorial pode-se dizer que em Campos existe, pelo menos, um produtor rural em cada canto do município. Se fixar o homem no campo, em meio a tantas “tentações” de uma cidade grande, já não era tarefa fácil, levando-se em consideração que ele tem que ter produtividade e lucro, imagina com a seca. Quem conhece bem essa realidade é o doutor em Agronomia na área de Fitotecnia e, também, engenheiro agrônomo, Luiz Eduardo de Campos Crespo, atual secretário de Agricultura e, ainda, servidor público da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Eduardo Crespo também é da Associação Norte Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan). Confira a entrevista. Campos 24 Horas – A seca começou mais ou menos em maio. Mas este mês não é mesmo de muita chuva... Eduardo Crespo-AL (1)Eduardo 2Eduardo Crespo – Sim, mas essa seca é proveniente da falta de chuva no verão, de janeiro a março, mais ou menos. Com isso as nascentes não foram recuperadas e não houve reserva, porque o solo é como se fosse uma esponja. Além do estrago de plantações e mortes de animais, a seca também quebrou a produção de 500 mil toneladas de cana, o que corresponde a R$ 50 milhões a menos no mercado. Não tendo cana, as usinas não funcionam e as usinas não funcionando, gera desemprego. Agora estamos na esperança que possa começar a chover agora, já que entramos na primavera, uma estação que traz chuvas. Campos 24H – Se a seca é hoje um dos grandes problemas, que medidas a secretaria tem tomado neste sentido? Eduardo – Nós estamos trabalhando em ações preventivas desde o início do ano, já prevendo o problema atual. São limpezas de canais secundários e terciários, como o Maravilha, Genipapo, Gil, entre outros, passando de 130 km de limpeza no total. E essa atuação é em parceria com o homem do campo, levantando suas prioridades e necessidades. Essa é a pior estiagem da história da região e se não fosse essa prevenção, seria muito, muito, muito pior. Campos 24H – Além da limpeza de canais, o que mais foi feito? Eduardo - Nós entramos no Paraíba e fizemos um canal artificial no leito do rio, numa extensão de cerca de 2 mil metros. Isso foi para permitir que a água pudesse se aproximar das comportas e, através de moto-bomba, fazer a adução da água e a irrigação dos canais principais, que têm ligação com as Lagoas Feia, Cambaíba, Coqueiros e Macaé. E essas representam 50% da baixada. Campos 24H – Sabemos que as perdas são muitas. E neste sentido, a secretaria não está atuando? Eduardo – Claro que sim. E como você falou, as perdas são grandes, desde animais atolados como se estivessem numa areia movediça sem condições de sair, até outros morrendo de sede e muitos de fome. Neste sentido colocamos à disposição dos criadores a nossa patrulha rural, direcionando caminhões para puxar cana e fazer silagem para esses animais comerem. Também estamos atuando na limpeza de bebedouros, entre outros. A patrulha rural está inserida aí, porque ela tem três vertentes: preparo do solo, macrodrenagem e logística. Campos 24H – Vamos rezar para chover logo. E a partir da chuva? Eduardo – Trabalhar o solo, arar a terra e plantar de novo. Neste sentido a prefeitura de Campos renovou por mais um ano o contrato com as empresas que fornecem as máquinas do programa patrulha rural, que ficam nas Agências de Desenvolvimento Regional (ADRs) espalhadas pelo município.  São sete empresas no total e só uma delas teve o contrato cancelado, mas haverá processo licitatório para repor, o que quer dizer que o incentivo ao homem do campo está garantido por mais um ano. Campos 24H – E os programas Mais Leite e Mais Frango? Estão parados por causa da seca? Eduardo – Não, absolutamente. No Programa Mais Frango avançamos bem e a expectativa é de introduzir uma cadeia organizada de pequenos produtores de corte. O primeiro passo foi identificar uma unidade mínima para aprendizagem, com criação de uma mini granja, que nada mais é do que um equipamento para instalar na propriedade do pequeno produtor para que ele dê início à criação. E já foram compradas as primeiras 10 minigranjas (kit). Uma dificuldade é a ração e o produtor vai aprender a fazer. Campos já tem abatedouro certificado para isso, que hoje compra frango do Espírito Santo e, depois deste investimento, poderá comprar os daqui. Campos 24H – E o Programa Mais Leite? Eduardo 1Eduardo - Campos é o maior produtor de leite do Estado, com cerca de 1,5 mil pequenos pecuaristas, a maioria pecuária de leite. Vamos identificar 300 produtores de leite, que vão receber capacitação em parceria com o Sebrae. Eles vão construir um projeto com técnicas adquiridas e ver quantos meses precisam para triplicar a produção. Através de emenda parlamentar conseguimos adquirir equipamento, o kit leite, que é um container com tanque de resfriamento, para ser locado nas ADRs. Ele é semimóvel e pode ser deslocado de um território para outro. E neste contexto, capacitamos agentes de crédito para fazer acontecer os financiamentos, através das linhas de crédito oferecidas pelo BB e Caixa, que podem ser equilizadas pelo Fundecan. Campos 24H – E por falar em crédito, e o Programa Mais Crédito Rural? Eduardo – Está excelente, superando as expectativas. Mais de R4 100 milhões em projetos aprovados, a maioria da Agricultura Familiar, com 80% deles para a pecuária e 20% para a agricultura, envolvendo quase 80 produtores. E 70% do capital para investimentos e 30% para capital de giro. Sem falar que já foi iniciada a aprovação da equalização dos juros. Campos 24H – E como a secretaria trabalha dentro de um município que tem um interior de dimensões grandes, de forma proporcional? Eduardo – O governo Rosinha foi muito cuidadoso neste sentido e lançou Agências de Desenvolvimento Regional (ADRs), como falei acima, uma forma administrativa de criar territórios homogêneos para que as ações da secretaria fossem melhor realizadas, considerando a grande extensão territorial. As ADRs foram divididas em sete, como se fossem distritos rurais e, assim, se traça a política de trabalho, respeitando as vocações de cada um destes. Campos 24H– E quantos aos assentamentos? Parece que a cada dia aparece um… Eduardo – Não, temos hoje 16 e todos são reconhecidos pelo Incra. E temos neles políticas e ações para o público da agricultura familiar, porque nos assentamentos é onde concentra mais produtor desta natureza. E os assentamentos são um desafio para o Governo, porque temos que mudar a política de desenvolvimento que o Incra vem sustentando. Tem que ser uma política com interface tecnológica, na base do não produzir só para a subsistência, mas oferecendo mais para o produtor realizar.        



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