O aumento de casos de Covid-19 no Brasil, que chegou a 465% durante o mês de outubro nas farmácias, acontece ao mesmo tempo em que o mundo passa a registrar novas ondas da doença e a detectar uma proporção cada vez maior de diagnósticos causados pela subvariante da Ômicron BQ.1.
A alta está apenas no início por aqui, porém outros países que observaram a chegada da sublinhagem mais cedo já vivem hoje um cenário de queda nos casos, sugerindo em quanto tempo a tendência pode voltar a ser de desaceleração da doença no Brasil. (Leia mais abaixo)
Embora especialistas alertem que os números de casos oficiais são menores que a realidade devido à baixa procura pelos testes, as curvas epidemiológicas registradas em lugares como França, Dinamarca, Bélgica e Itália indicam que a nova onda pode demorar até 36 dias para chegar ao pico, e voltar ao patamar anterior em cerca de dois meses.
Subvariantes em circulação Para compreender a dinâmica das subavariantes e do crescimento dos diagnósticos nos países, primeiro é preciso lembrar o que são as sublinhagens da Ômicron. Como todo o vírus, o Sars-CoV-2, causador da Covid-19, passa por diversas mutações com o decorrer do tempo.
Aquelas que conferem a ele melhores chances de sobrevivência – como uma transmissibilidade maior e uma capacidade de escapar de anticorpos gerados por infecções anteriores ou pelas vacinas – acabam se tornando predominantes, e geralmente levam a um aumento de casos, embora os imunizantes sigam eficazes para prevenir hospitalizações e óbitos.
No entanto, de modo diferente das cepas anteriores, como a Delta e a Gama, a Ômicron tem chamado atenção pela velocidade acelerada com que essas mutações ocorrem, o que está por trás dos relatos recorrentes de reinfecção. Em janeiro, por exemplo, na primeira onda da variante, a responsável era a versão BA.1.
Poucos meses depois, alguns países passaram por novos aumentos de casos com a identificação da BA.2. Em junho, o mundo como um todo, incluindo o Brasil, teve uma onda significativa, embora menor que as anteriores, provocada pelas sublinhagens BA.4 e BA.5. (Leia mais abaixo)
Essas duas últimas, especialmente a BA.5, se estabeleceram como prevalentes na maioria dos países desde então, mas em setembro começaram a dar lugar a uma série de novas subvariantes da Ômicron que têm se espalhado pelo planeta. A grande maioria dessas novas versões são derivadas da BA.5.
É o caso da XBB, que provocou uma onda em Cingapura, e da BQ.1 e BQ.1.1 – que são as consideradas mais preocupantes pelas autoridades sanitárias. As duas versões da BQ.1 têm crescido principalmente na Europa, onde alguns países vivem o início de um aumento de casos, mas outros já entram num estágio de queda.
No final de outubro, o Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC) emitiu um alerta sobre as sublinhagens em que estimaram uma predominância da BQ.1 no continente até o fim de novembro, início de dezembro. “Isso provavelmente contribuirá para um aumento no número de casos de Covid-19 nas próximas semanas a meses”, disse o comunicado.
“Estudos preliminares de laboratório na Ásia indicam que BQ.1 tem a capacidade de evadir consideravelmente a resposta do sistema imunológico. No entanto, de acordo com os dados limitados.