“Quando uma porta se fecha, outra se abre”

Campos 24H ENTREVISTA Otávio Amaral, economista e Superintendente do Fundecam


19/07/2015   às 04h30   -   Foto: Campos 24 Horas Postado por: Fabiano Venancio Otavio Amaral-AL (11) Em Campos aquele antigo provérbio que diz que, “quando uma porta se fecha, outra se abre”, está sendo seguido à risca, beneficiando inúmeros microempreendedores, que tiveram a porta do governo federal fechada para financiamento. Essa medida fez com que o governo municipal, sensível à causa e entendendo que este segmento da economia movimenta o município, abrisse financiamento, através do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam). O economista, pós-graduado em Finanças e Superintendente do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), Otávio Amaral de Carvalho, diz que essa tal porta que se abriu para os microempreendedores apresenta outras vantagens, como por exemplo, juro ao ano bem mais baixo do que era praticado pelo governo federal. E no abrir de portas, o Fundecam exala números.  No local a meta é dar suporte a diferentes segmentos da cadeia produtiva para que, cada vez mais, o município se desenvolva. Otávio Amaral completa:  Em governos anteriores só existia uma linha de crédito e com foco nas grandes empresas, esquecendo-se dos pequenos empresários, que tocam pequenos negócios. Isso mudou. Otavio Amaral-AL (7) Confira a entrevista: Campos 24 Horas – Vamos falar dessa oportunidade para o microempreendedor, através do Fundecam, que foi negada pelo governo federal... Otávio Amaral de Carvalho – Com a crise econômica no país, as operações que eram subsidiadas pelo Tesouro Nacional foram suspensas há seis meses. Vendo isso, o Fundecam mostrou para a Prefeita Rosinha que o micro crédito é importante para o município, levando-se em consideração que cada um microempreendedor gera, pelo menos, dois empregos diretos. Assim, foi autorizado, em caráter excepcional, que déssemos continuidade ao programa de micro crédito, como forma de aquecer a economia local. Nós tínhamos parado com o programa, porque o governo federal estava fazendo. C24H – Mas de onde sai este dinheiro para empréstimo ao micro empreendedor? E de royalties? Otávio– Não, o Fundecam tem caixa próprio, por causa da sua movimentação financeira. Lá atrás começou com royalties, mas conseguimos nos firmar e há tempos que temos caixa próprio. E o microempreendedor pode apanhar esse dinheiro para capital de giro ou para investimento. Para capital de giro, inicialmente, ele pode apanhar até R$ 2 mil com prazo de pagamento de seis meses. Para investimento, até R4 3 mil com prazo de nove meses. C24H – Você falou que o juro é mais baixo do que era praticado pelo governo federal. Qual é a porcentagem? Otávio– Antes é preciso deixar claro que o candidato ao programa deve apresentar toda documentação para análise, além de, no caso do empréstimo, dois fiadores. O juro é de 2% ao ano, inferior ao é de 2% ao ano, inferior ao que era praticado pelo governo federal, de 5,5% ao ano. O programa foi retomado na terça-feira e cerca de 100 microempreendedores se candidataram, alguns com processo já em andamento, porque têm pressa do dinheiro e está tudo ok, em temos de papelada. C24H – Você falou que em governos anteriores o modelo do Fundecam beneficiava só grandes empresas. Que remodelação foi essa que aconteceu? Otávio – O Fundecam foi mesmo remodelado pela Prefeita Rosinha Garotinho. Antes do primeiro mandato dela, o Fundecam fazia aporte direto com as empresas. E a grande maioria estava inadimplente. Ou seja, as pessoas apanhavam o dinheiro e não abriam as empresas em Campos. Referentes a gestões anteriores, existia uma calote em torno de R$ 290 milhões, totalizando quase 50 empresas neste bolo. Daí nasceu a necessidade de se reestruturar o Fundo, criando a Superintendência de Estruturação de Ativos. Otavio Amaral-AL (4)=C24H – Mas os calotes acabaram? Otávio– Não existe mais isso de calote e o risco de crédito hoje fica a cargo dos bancos. O empresário que quer investir procura o Fundecam, este prepara uma carta consulta e encaminha a um dos bancos, que vai analisar o limite de crédito da empresa. Assim, o risco passa para as instituições financeiras, ficando o Fundecam como equalizador e subsidiador da taxa de juros. Em função da seriedade e capacidade técnica do Fundecam e o Conselho Gestor dele, através de análises técnicas dos projetos apresentados, tornou-se quase zero a possibilidade de erro. C24H – Esses calotes foram recuperados ou tudo acabou em pizza? Otávio– Já recuperamos a partir de 2011, cerca de R$ 18 milhões de várias empresas. Temos possibilidades de, até o final do ano, recebermos mais R$ 30 milhões através de dação de pagamento, ou seja, o dono da dívida paga com imóvel, mas isso mediante avaliação desse imóvel, pela Secretaria Municipal de Fazenda. Estes podem ser revertidos em dinheiro, a partir de licitação de venda, pode ser para uso do município para ocupar a área para desenvolver programa habitacional e por aí vai. Ou, ainda, o pagamento pode ser feito em dinheiro vivo. São duas modalidades de recebimento da dívida. Otavio Amaral-AL (6) C24H – Muito se fala em abertura de empresas em Campos. Onde estão essas empresas tão faladas? Otávio– Temos empresas genuinamente campistas. Tem uma que importa uma máquina da Espanha para fabricação de pisos intertravados, a 1ª do país e a 5ª do mundo, que é a Fábrica de Ladrilho Goitacaz. Tem fábrica de telha, tem a Schultz, trazida para Campos quando a Prefeita Rosinha foi governadora do Estado, tem fábrica de carroceria de caminhão que veio do Espírito Santo, de argamassa e tinta, também vinda do Espírito Santo e muito mais. De 2009 até hoje são 29 empresas instaladas, gerando 2.227 empregos. C24H – O setor sucroalcooleiro sofreu muito nas últimas décadas. O Fundecana vem tirando-o do buraco? Otávio- Tirar ou não, não é uma política do governo municipal, porque a política nacional é que gera a expectativa que rege a vertente sucroalcooleira. O que nós entendemos é que é uma atividade fonte geradora de emprego e renda para o município e o Fundecam tem trabalhado no sentido de só erguê-la. Foi dado um aporte de R$ 12 milhões ao setor. C24H – E o microcrédito rural? Como funciona? Otávio– Quem quer investir na propriedade vai à Superintendência de Agricultura, procura um agente municipal rural, para fazer um projeto. Quem tira leite, por exemplo, e quer um resfriador na sua propriedade, se ele tiver o DAP emitido pela Emater, o juro dele vai ser 0% ao ano. Neste caso o dinheiro não sai daqui do Fundecam, aqui vai receber o contrato dele, que foi feito com o banco, para equalização dos juros, para que ele fique isento.



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