09/12/2016 15h42 | Foto: Divulgação

Em meio à dor pela perda de um filho, dona Ilaídes Celine Padilha teve um gesto de generosidade ao abraçar o repórter Guido Nunes, do canal SporTV, durante uma entrevista. A paranaense é mãe do goleiro Danilo, uma das 71 vítimas do voo da Chapecoense, que caiu perto da cidade de Medellín, na Colômbia. Em entrevista ao programa “Encontro com Fátima Bernardes”, na manhã desta sexta-feira, ela contou o que sentiu naquele momento e pediu desculpas pelo ato, um dos mais comoventes desde o dia 29 de novembro, dia da tragédia.
“Quando eu o abracei, senti que fosse o meu filho. Não tinha mais o meu para fazer isso. Gostaria de pedir desculpa, porque eu o emocionei no momento em que ele estava trabalhando. Ele tinha que fazer as perguntas e não eu perguntar”, afirmou Ilaídes. “Eu estava procurando um repórter de rádio, um comentarista. Saí no meio de todo mundo, desconhecida, mas queria abraçar alguém. A equipe me pediu a entrevista e eu aceitei. Eu não sabia que eu iria fazer isso com ele”.
Dona Ilaídes ainda não viveu o luto pela morte do filho mais velho — ela é mãe ainda de Daniele. A mãe do goleiro afirmou que não chora, não dorme e nem sente dor, mas que uma hora tudo irá transbordar de uma vez só.
“Meu coração está vazio. Não sinto dor, não tenho lágrimas, meu olho está seco. Não consigo dormir, o olho não fecha. Ainda não tive o luto do meu filho, vamos ter esse momento ainda”, contou. “O momento mais difícil foi voltar para a nossa cidade, Cianorte (PR). Só pedia para me abraçarem, que isso me deixará forte, em pé. Fiquei em pé por causa desses abraços. Um abraço substitui a palavra naquele momento. Não tem o que falar, não fala nada, só abraça”.
Dias após ter enterrado o filho em Cianorte, cidade natal da família, Ilaídes foi sozinha com o marido para o cemitério. A mãe do goleiro relatou o que sentiu:
"Não vi o rosto dele. Abraçava o caixão. Voltei ao cemitério essa semana com o meu esposo. Não senti nada. Ele (Danilo) não está lá. Ele está aqui no nosso peito, no nosso coração", disse dona Ilaídes.