Quadrilha que infiltrava motoristas em empresas de transporte do RJ para desviar cargas é alvo de operação

Oito pessoas foram presas por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC); grupo desviou cerca de R$ 2 milhões




27/03/2024, 08h51, Foto: Divulgação.


Oito pessoas foram presas — duas delas em flagrante — durante uma operação da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), da Polícia Civil do Rio, deflagrada nesta quarta-feira. Todos são suspeitos de integrarem uma quadrilha especializada em desvio de cargas de transportadoras que infiltrava motoristas em transportadoras para que desviassem cargas. Um suspeito ainda é procurado. Ele é considerado foragido.(Leia mais abaixo)


As equipes cumpriram seis dos sete mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Os policiais cumpriram ainda outros dez mandados de busca e apreensão.(Leia mais abaixo)


A investigação sobre o grupo, que desviou cerca de R$ 2 milhões, começou em janeiro deste ano, após uma transportadora lesada denunciar que um de seus motoristas teria retirado uma carga de alto valor da empresa e não ter entregue aos destinatários. Uma auditoria interna foi realizada na empresa e ficou constatado que o motorista e outros tinham agido da mesma forma.(Leia mais abaixo)


De acordo com o delegado Fábio Asty, da DRFC, a organização criminosa era formada por um chefe, motoristas, ajudantes, aliciadores e receptadores, que burlavam as empresas para destinar a mercadoria para pequenos comércios e, principalmente, feiras localizados na Zona Norte da capital — como as de Acari, Honório Gurgel, São Cristóvão e Jardim América. Os bandidos falsificam canhotos, carimbos e assinaturas. Os produtos de preferência eram gêneros alimentícios em geral, com foco em laticínios, carnes e bebidas, que vendem rapidamente.(Leia mais abaixo)


Os produtos desviados, em geral, eram de baixo valor de mercado. Isso porque, esse tipo de carga não tem rastreador, o que facilita sua distribuição.(Leia mais abaixo)


Alguns receptadores, de acordo com Asty, "encomendavam" os produtos roubados: eles pagavam antecipadamente pelas mercadorias. A DRFA, agora, investigará quem são essas pessoas que revendiam os produtos desviados.(Leia mais abaixo)


Telefones e comprovantes de residência falsos

Os integrantes da quadrilha escondiam-se nos municípios de São João de Meriti e Belford Roxo, na Baixada Fluminense, segundo a investigação. Eles se aproveitavam de fragilidades na contratação de motoristas parceiros, faziam cadastros dessas pessoas usando telefones e comprovantes de residências falsos. Após aprovado o cadastro, a ação dos criminosos começava. O motorista retirava as cargas das transportadoras, mas não as entregava em seus locais de destino e, sim, nos locais predeterminados pelo grupo.(Leia mais abaixo)


O motorista, então, retornava para a empresa com os recibos de entrega das mercadorias. Mas, após algum tempo, os destinatários das mercadorias entravam em contato com as transportadoras alegando não ter recebido os produtos. Ao serem questionados, os motoristas alegavam que as encomendas tinham sido entregues e, depois, não atendiam mais as ligações. Ao verificar mais a fundo o que havia acontecido, as empresas constataram que os carimbos e assinaturas dos recibos eram falsificados.(Leia mais abaixo)


Nas transportadoras nas quais não havia carimbos pré-fabricados, os motoristas alegavam que tinham sido roubados. Em algumas ocasiões, eles faziam falsos registros de ocorrências em delegacias distritais. Por carga desviada, dada motorista recebia entre R$ 500 e R$ 1.000, dependendo da quantidade de produtos.