O PT de Campos pode apostar na experiência política da ex-vereadora, professora e sindicalista Odisséia de Carvalho para concorrer à Prefeitura de Campos nestas eleições de 2020. A meta, de acordo com Odisséia, é chegar ao segundo turno na disputa majoritária e eleger pelo menos dois representantes na Câmara de Vereadores. Em entrevista ao Campos 24 Horas dentro da série que o site publica com pré-candidatos à prefeitura, Odisséia fala sobre temas importantes para Campos, como programas sociais, Educação, Saúde e enxugar a máquina, além dos equívocos e acertos do seu partido nos últimos anos. “Nosso objetivo é chegar ao segundo turno. Levar nossas propostas aos bairros, localidades e distritos de Campos, com 25 pré-candidatos à Câmara Municipal, contando com o apoio de sindicatos e movimentos sociais, numa eleição difícil, diante desta pandemia, buscando evitar aglomerações e preservar vidas. Mas campanhas do PT são assim mesmo: um trabalho de formiguinha nas ruas, o olho no olho entre candidato e eleitor”, disse Odisséia, que preside o diretório do PT em Campos.
A pré-candidata avalia que há uma necessidade da população em fazer uma reflexão “sobre os rumos da política nas últimas eleições” no município. — O eleitor campista precisa fazer uma profunda reflexão sobre as candidaturas que contam com o capital político de políticos tradicionais do município. Eles já provaram que tiveram oportunidade de fazer por Campos, mas não fizeram. Precisamos, sim, de um fim nesta política hereditária, onde pré-candidatos têm como maiores credenciais a herança de seus pais e avô — analisou. (Leia mais abaixo)
EXPERIÊNCIAS - Odisséia de Carvalho avalia o PT como uma alternativa para uma mudança de rumos na política em Campos, também em razão do modelo de administração já empregado em outras capitais. “O PT tem propostas, não promessas. Porque já tivemos experiência de sermos governo em cidades importantes deste país. Este modelo que visa a prioridade para a redução das desigualdades e pela inclusão das camadas mais vulneráveis da sociedade, podemos empregar em Campos, se chegarmos à Prefeitura. E temos quadros importantes no próprio partido, nas universidades, nos sindicatos e no próprio MST que tem nos ajudado a construir um programa de governo”, pontuou Odisséia.
LEGISLATIVO - Odisséia projeta as chances do PT em eleger pelo menos um representante no Legislativo. “O PT sempre teve uma tradição em eleger pelo menos um vereador. Começou com a eleição de Ivete Marins, na década de 1990, depois Antônio Carlos Rangel, Renato Barbosa, eu entrei como suplente após seu falecimento, e depois elegemos o Marcão. Nas últimas eleições, o professor Alexandre obteve uma votação expressiva e esteve perto de se eleger. E agora temos chances reais de voltarmos a eleger de um a dois candidatos. As chances são boas também porque com a não coligação o percentual de legenda caiu de 11 a 12 mil votos para 9 mil votos de coeficiente. Temos excelentes candidatos. Montamos uma boa nominata”, explicou.
FINANÇAS - O quadro crítico das finanças municipais de Campos não assusta Odisséia. “Não podemos ficar de braços cruzados. Se houver necessidade de enxugarmos, vamos fazer, reduzindo o número de secretarias, superintendências os cargos em comissão. E, também se fizer necessário, buscar recursos, através de convênios e projetos”.
ROYALTIES - A ex-vereadora criticou o modelo administração dos royalties em Campos e apontou a gestão exemplar dos recursos em outros países. “O melhor exemplo é o da Noruega, onde os recursos foram investidos numa poupança futura para contrabalançar a inevitável queda de receitas quando a produção de petróleo iniciasse a sua curva de declínio. Mas em Maricá, os recursos da renda do petróleo têm sido empregados para garantir o futuro da cidade num Fundo Soberano, em um ciclo pós-royalties. Em Campos, houve muito desperdício com gastos elevados com shows, obras desnecessárias que nada tem a ver com políticas visando melhores condições de vida para a população”.
PROGRAMAS SOCIAIS – A extinção de programas sociais pelo atual governo foi criticada pela pré-candidata do PT. “É preciso voltar com o Restaurante Popular, o Cheque Cidadão e a passagem a 1 real, que são programas importantes e não deveriam ser desativados. São direitos da população que foram retirados. E os alimentos do restaurante devem ser adquiridos junto aos pequenos produtores da nossa agricultura familiar. A passagem social foi implantada em outros municípios e até ônibus gratuitos são disponibilizados para a população de São João da Barra e Maricá, por que não em Campos?”. (Leia mais abaixo)
EDUCAÇÃO - Na Educação, Odisséia considera que Campos tem deixado a desejar nos últimos anos. “Algumas escolas têm mostrado bom desempenho, mas o quadro geral exige maiores reforços”. Ela defende mais investimentos no ensino, com a construção de mais escolas e creches, através dos recursos próprios e do novo Fundeb, “que agora teve inclusão permanente na Constituição, com aumento da participação do governo federal de 10% para 23%, aprovado na Câmara e que deve passar também pelo Senado. O projeto prevê 5% de recursos na educação infantil. E o conjunto dos profissionais da educação terão, no mínimo, 70% dos recursos do Fundo para valorização profissional”.
A pré-candidata também defende mais investimentos na construção de mais salas de aula. “Eu sou oriunda dos Cieps, a educação púbica tem que ser através da escola em tempo integral, envolvendo atividades de recreação, esporte, lazer e cultura, com atividades na biblioteca, entre outros espaços. Mas o que se vê hoje são escolas superlotadas com uma turma enorme de 30 alunos e até mais, dificultando a transmissão de conhecimento e o aprendizado”.
SAÚDE – Odisséia também foi outra a criticar os resultados pífios na Saúde diante do robusto orçamento de mais de R$ 700 milhões. “Com todos esses recursos, a Saúde sempre foi esse caos. Agora mesmo nesta pandemia, profissionais tem reclamado de falta de equipamentos. Já era um problema sério, agora se agravou com a Covid-19, pelo que soube. Pessoas que estão na linha de frente na pandemia não tem a devida proteção e ficam expostas ao risco do vírus. Um absurdo. Investir em saúde preventiva é também a receita a ser prescrita”.
PREVICAMPOS - "O prefeito Rafael Diniz está mostrando a cada mês ser mais cruel com os servidores aposentados e pensionistas. Pelo segundo mês durante a pandemia, funcionários receberam seus vencimentos parcelados ou até mesmo não receberam. Um absurdo, sabendo que temos as reservas da PreviCampos que deveriam ser usadas para não deixar faltar salários ", analisa Odisséia.
ECONOMIA - No campo da economia e do desenvolvimento econômico e social, Odisseia Carvalho admite que a prioridade deve ser o investimento no pequeno produtor rural. “A prefeitura deveria estimular a agricultura familiar, melhorar estruturar os assentamentos, buscar meios facilitadores de escoamento de sua produção, além de dialogar com outros setores. A cana é uma vocação nossa. Consideramos que a lavoura canavieira é importante geradora de empregos, não apenas no campo, mas nas indústrias de açúcar e etanol”. (Leia mais abaixo)
UNIDADE - A exemplo do que ocorre em quase todo país, em Campos a unidade das esquerdas foi descartada nestas eleições, pelo menos neste primeiro turno, dia 15 de novembro. “Gostaríamos muito de tentar uma esquerda unida aqui em Campos. Reconhecemos ser legítimo que o Psol busque construir uma base como partido no município, com a escolha da professora Natália como pré-candidata. Creio que os opositores do PT não estão no Psol, nem os do Psol estão no PT porque que temos mais convergências do que divergências nesta disputa, e estaremos juntos no segundo turno”.
LAVA JATO - Apesar do desgaste da legenda em razão dos efeitos da Operação Lava Lato no plano nacional, a pré-candidata considera que o partido jogará também as suas fichas no legado deixado pelos recentes governos petistas no plano federal.
EQUIVOCOS – Na visão da pré-candidata à prefeitura de Campos, o PT cometeu erros com alianças junto a outros partidos que ajudaram a governar nas gestões petistas. Mas valorizou a parceria com as legendas. “Entendo que a política de alianças foi importante e permitiu ao PT ser bem sucedido com os elevados índices de aprovação nos governos de Lula e no primeiro governo Dilma. Erramos em alguns pontos na aliança com o PMDB porque houve espaço para uma facção do partido que depois inclusive nos traiu, casos de Eduardo Cunha ou Renan Calheiros, envolvidos também em casos de corrupção. Como erramos ao não priorizarmos um entendimento com o ex-governador Roberto Requião, um nacionalista e homem de grande valor. Mas acertamos na aliança com o vice-presidente José Alencar, que foi de uma lealdade total com o Lula. Espero que estas lições nos sirvam no futuro, mas no atual sistema da política brasileira é muito difícil governar sem alianças.
LEGADO - O legado do PT em seus governos no plano federal será um dos motes de campanha da pré-candidata. “A marca do PT é governar para todos, mas com um olhar para os mais pobres, através da inclusão em massa de pessoas abaixo da linha de pobreza, como fizemos a partir de 2002, com a eleição de Lula. O Brasil era outro. Na economia, havia pleno emprego, o PT tirou o país do mapa da fome, com projetos que reduziram as desigualdades e melhoraram as condições dos mais pobres, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Luz para Todos, o Pro-Uni, o Ciência Sem Fronteiras, a valorização do salário mínimo, entre tantos outras políticas públicas, que tiveram inclusive reconhecimento internacional, levando o Lula a ser o presidente que mais recebeu homenagens em universidades e instituições de vários países pelo mundo afora”.
BOLSONARO – “Os índices de popularidade dele não se sustentam por muito tempo. A população vai se dar conta e lembrar que Bolsonaro sempre trabalhou contra os interesses dos trabalhadores quando foi deputado e não está sendo diferente como presidente. Fez reformas que retirou direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, quis liberar apenas R$ 200,00 de auxilio emergencial. Se não fossem os partidos de esquerda e outras legendas mais progressistas, não teríamos os R$ 600,00. Agora quer estender o auxílio, mas apenas com R$ 300,00. Mas vamos ter luta novamente no Congresso. Bolsonaro é uma ameaça à democracia, já elogiou torturadores, pediu a volta do AI 5, disse que iria metralhar adversários ou expulsá-los do país”. (Leia mais abaixo)