Psicóloga de Campos fala sobre atirador de Las Vegas

Valéria Ramos fala ao CAMPOS 24 HORAS sobre as características dos sociopatas


  • 04/10/2017 00h37 Foto: Campos 24 Horas e Divulgação.
Essa semana o mundo todo teve as atenções voltadas para o massacre em Las Vegas, quando um aposentado de 64 anos, rico e sem antecedentes criminais, matou 59 pessoas e feriu outras 500, usando, sucessivamente, um total de 23 armas de longo alcance. Um cidadão que, segundo relatos da família e amigos, vivia aparentemente de bem com a vida, o que acaba suscitando muitas indagações. O que levaria uma pessoa a chegar ao extremo de praticar um massacre deste tipo? Como ninguém desconfiar que uma pessoa poderia cometer tamanha barbaridade? O Campos 24 Horas ouviu a psicóloga e pós-graduada em psicanálise, Valéria Ramos. Ela fala sobre a existência de vários distúrbios de comportamento que podem levar uma pessoa a atos de grande violência contra outras. ACIMA DE SUSPEITAS O irmão de Stephen Paddock, Eric Paddock, disse estar completamente atordoado com o ataque realizado pelo irmão. De acordo com Eric, o irmão não era um homem violento. “Era um cara rico, que jogava vídeo-pôquer em cruzeiros”, descreveu Eric, acrescentando que Stephen jogava pôquer apostando US$ 100 por mão e podia comprar o que quisesse. Eric afirmou ainda que o atirador não tinha qualquer vínculo político ou religioso. “Nada. Nenhuma afiliação religiosa, política. Ele só saía para passear. Era apenas um cara normal. Algo se rompeu nele, algo aconteceu”, sugeriu o irmão. Chris Sullivan, dono de uma loja de armas chamada Guns & Guitar,s publicou um comunicado afirmando que Paddock era um cliente que cumpria todas as verificações de antecedentes e procedimentos necessários. "Ele nunca deu nenhuma indicação ou motivo para acreditar que era instável ou inapropriado para a compra de armas", disse Sullivan. DISTÚRBIOS MENTAIS A psicóloga Valéria Ramos explica que a partir dos 8 anos de idade já se pode começar a identificar certas características, como por exemplo, quando a criança trata um animal com crueldade ou, mesmo, quando o maltrata de certa forma. E, no caso do sociopata é preciso desmistificar que este seja alguém que tem baixo intelecto, o que é justamente o contrário. Ou seja, todo sociopata interage bem na sociedade e não tem problema intelectual. – É comum se dizer que um indivíduo fez isso ou aquilo porque é um ignorante. Pelo contrário, os sociopatas são articulados, além manipuladores, dominadores e sedutores, usando a fragilidade do outro para seduzir. A última palavra tem que ser deles, têm facilidade de mentir, não sentem culpa do que fazem e, ainda, não aceitam perder. Além disso, têm dificuldade de afeto. Essas podem ser algumas das características, entre outras – explica a psicóloga. O pior é que, segundo a especialista, a pessoa já nasce com distúrbios e eles não têm cura. O que pode acontecer é, se não tratado agravar e, quando tratado, estabilizar. Desta forma, com tratamento se consegue estabilizar momentos de fúria, melancolia, tristeza e outros. Hoje o grande desafio na clínica de saúde mental é identificar os diferentes transtornos no ser humano. Entre os transtornos de personalidade, destacam-se o transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de borderline, transtorno bipolar e outros que têm características semelhantes. Um pode ter traços do outro. AJUDA FAMILIAR A pergunta que não quer calar é como identificar tudo isso numa pessoa. Valéria Ramos explica que, observando aqueles que não respeitam as normas estabelecidas, que não se encaixam em determinado grupo social, que têm dificuldade em lidar com os outros e muito mais. Neste caso a recomendação é que a família passe a identificar os traços, porque se esperar pela própria pessoa, isso não acontecerá. Ela nunca vai sentir que é diferente. – A família é muito importante para identificar as características. E ainda é muito comum hoje a família dizer que tal paciente tem “personalidade forte”, ou então que “tem problemas de nervos”, entre outras desculpas para enfrentar o caso. Também não se pode confundir religião com os transtornos. Quem deve curar neste caso são os profissionais da área da saúde mental – finaliza a psicóloga Valéria Ramos.



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