Um mês após a onda de protestos de junho pelo país, 11% dos detidos foram indiciados até agora por supostos crimes cometidos durante as manifestações.
Dos 1.490 adultos detidos, 170 haviam sido responsabilizados até a sexta-feira. O número pode mudar, pois há inquéritos em aberto e 157 pessoas ainda são investigadas --129 delas foram autuadas em flagrante. (Leia mais abaixo)
Os dados, obtidos pelo jornal Folha de São Paulo com as secretarias de Segurança dos Estados, referem-se a investigações já concluídas em 24 capitais.
Em São Paulo, foram 212 detidos, segundo a secretaria, que informou não ter o número de indiciados.
Ao todo, 1.720 pessoas foram detidas nessas capitais durante os protestos --ao menos 230 são adolescentes e, por lei, não podem ser indiciados. Do total, 99 adultos continuavam presos --cinco cidades não souberam informar.
A maioria dos indiciamentos ocorreu por suspeita de crimes como dano ao patrimônio, formação de quadrilha, furto e roubo. Concluídos os inquéritos, cabe à Promotoria decidir se oferece ou não denúncia (acusação formal) à Justiça.
Belo Horizonte é uma das capitais com mais indiciados: 72 dos 141 adultos detidos (51%). Além dos casos concluídos, há inquéritos paralelos sobre a morte de dois jovens que caíram de um viaduto e ataques a 20 pontos comerciais. (Leia mais abaixo)
A polícia mineira afirma que não há um perfil homogêneo entre os suspeitos.
Cenário diferente ocorre em Porto Alegre, onde as investigações apontam possível infiltração de gangues de assaltantes entre os manifestantes --o que levou a 60 indiciamentos até agora.
A capital gaúcha teve três protestos com saques em junho. Pequenos comércios, lojas de celulares e de roupas foram alvo. Duas pessoas continuam presas por condenações anteriores.
No Rio, foram indiciados 8 dos 62 adultos detidos. Também houve 25 adolescentes apreendidos nos protestos.