A denominação protagonismo juvenil, que entre outras definições, é o jovem participar como ator principal em ações que não dizem respeito somente à sua vida privada, familiar e afetiva, mas a problemas relativos ao bem comum, na escola, na comunidade ou na sociedade mais ampla, pode ser nova. Mas em Campos a luta para que esse jovem realmente seja beneficiado dentro da concepção ampla do protagonismo, é antiga e na esfera municipal, quem trabalha nesse sentido é a Fundação da Infância e Juventude.
E ninguém melhor do que um jovem para gerir uma entidade como essa. Neste caso entra o advogado Thiago Cerqueira Ferrugem Nascimento Alves, 27 anos, a maioria deles dedicado ao jovem, em lutas pelos grêmios, diretórios estudantis e União Nacional do Estudante (Une) da vida. Thiago Ferrugem fala com orgulho que, por causa das ações implementadas pelo governo municipal, Campos conseguiu uma cadeira no Fórum Nacional de Gestores Municipais da Juventude, com Thiago Ferrugem sendo tesoureiro da entidade. No campo da política, o presidente da Fundação é 1° suplente do PR. E agora, meu jovem? (Leia mais abaixo)
Campos 24 Horas– Vamos começar pelo perfil da Fundação da Infância e Juventude. Que juventude é essa e como eles são assistidos?
Thiago Ferregum – Veja bem. Antigamente a entidade atendia a faixa etária de 0 a 18 anos, mas o mundo evoluiu para discussões que mostram a necessidade de políticas públicas voltadas para o jovem também acima dos 18, por isso, agora a faixa etária é de 0 a 29. O Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca) prevê assistência até os 18, mas a partir daí, qual a referência que o nosso jovem tem? A Fundação da Infância e Juventude. Assistimos a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, as que tiveram os lados familiares rompidos, as que estão em abrigos, as que cumprem medida sócio-educativa, as vítimas de violência e exploração sexual e a comunidade em geral.
C24H- Você disse que a referência é a Fundação. Mas se ele for buscar essa referência, o que pode encontrar?
Thiago– Acolhimento no sentido mais amplo da palavra. Além da Fundação, para esse jovem temos a Casa da Juventude, na avenida Luiz Sobral, 56, na Pelinca, com cursos profissionalizante e de qualificação diversos. É um espaço onde eles não só estudam, mas também se reúnem para discussões visando a formação da cidadania. O local está aberto a grêmios e associações, também para um diálogo mais próximo com o poder público. Na Casa temos o Conselho Municipal da Juventude, Pastoral da Juventude, Associações das Redes Evangélicas, Nação Basquete de Rua, entre outros.
C24H – Mas para qualquer ação, é preciso traçar um perfil de quem vai ser atingido. Vocês têm pelo menos um perfil dos jovens locais? (Leia mais abaixo)
Thiago– Claro que temos. Hoje somos o 56° município com maior índice de violência juvenil, na minha opinião, consequência da ineficiência de políticas públicas de segurança do Estado. Ainda dentro da estatística, 75% são negros e a maioria com índice de escolaridade baixo. E nós temos que diminuir danos. As ações são traçadas a partir destes dados e você pode perguntar como. Vamos aderir ao Programa Juventude Viva, do governo federal, que perpassa pelo Estado, até chegar ao município, obrigando o Estado atuar mais em cidades com alto índice de violência juvenil, implicando em liberação de recursos para mais programas para eles.
C24H– Ainda se nota em todo o país uma falta de interesse dos jovens em discussões mais amplas. Como reverter isso?
Thiago– Olha, já estamos dando alguns passos nesse sentido. Estamos elaborando o Estatuto Municipal da Juventude, uma forma de avançar em algumas discussões, como por exemplo, acesso à cultura, ao esporte, lazer, tudo visando a construção da cidadania, que só é conquistada quando você conhece, de fato, seus direitos e, também, seus deveres. Sem falar que também estamos ampliando o número de conselhos tutelares, com previsão de mais dois. Com isso amplia-se também a compreensão da defesa dos direitos da criança e do adolescente.
C24H – E por falar em direitos e deveres, um grupo que parece conhecer bem isso é o de guardas mirins. Certo?
Thiago – Certo. Hoje são 300 guardas mirins, de 14 a 17 anos, que fazem cursos que promovem a cidadania, num total de quatro horas diárias em ações diversas, como recentemente, que fizeram curso para agente de trânsito. E todas as famílias estão cadastradas no CAD-Único (Cadastro do governo federal) e o jovem ainda recebe bolsa de R$ 230/mês. E todos participam de qualificação profissional para, quando saírem da condição de guardas mirins, tenham um certificado que servirá para um primeiro emprego. Por isso, podem fazer curso de marcenaria, operador de áudio, pintura automotiva, lanternagem e muito outros. Nossa intenção é ampliar para 450 guardas mirins. (Leia mais abaixo)
C24H– São os mesmos cursos abertos também à comunidade?
Thiago – Sim, as oportunidades são para todos os jovens, sem distinção nenhuma. Temos ainda cursos de eletricista predial, gráfica, operador de áudio, DJ, gestão empresarial, inglês técnico, informática, reparador e montador de notebook, grafitagem, manicure, pedicure, cabeleireiro, além dos que já citei. E todos os cursos passam por módulo obrigatório de empreendedorismo.
Thiago– Porque a gente notou que muitos que fazem os cursos, seja na Fundação ou na Casa da Juventude, querem se juntar a outros colegas de turma para abrir seu próprio negócio, em casa mesmo. Eles têm visão de empreendedor e nós incentivamos e mostramos o caminho, porque temos ferramenta para isso, que é o Fundecam. Sem contar que eles fazem visita técnica a empresas locais para conhecer a realidade delas. Mostramos as possibilidades de parceria para crescer e muitos já estão amadurecendo a idéia. Talvez no próximo ano já teremos histórias para contar neste sentido.
C24H– Você no início da entrevista citou o programa Jovem Aprendiz como sucesso. Como funciona? (Leia mais abaixo)
Thiago– Esse programa é para jovem de 16 a 24 anos, em parceria com o Centro de Integração Empresa Escola (Ciee), para viabilizar o jovem aprendiz para a Fundação. A lei diz que, pelo poder público, os cursos têm que ser viabilizados por entidade de qualificação profissional, entrando aí o Ciee. É uma parceria de cooperação técnica e os dois (Ciee e Prefeitura) procuram empresas que querem aderir ao Jovem Aprendiz. Ele faz curso uma vez por semana (parte teórica), e as demais aulas são práticas, na empresa que o acolher, onde ganhará uma bolsa de meio salário mínimo. Esse programa hoje conta com 20 jovens e a intenção do governo Rosinha Garotinho e também ampliá-lo.
C24H– Vamos falar agora de crianças em abrigos. Como está a situação hoje?
Thiago– É triste, mas aumentou o número de crianças acolhidas. Campos é a terceira cidade do estado com maior número de acolhidos. Tínhamos três abrigos e hoje temos seis, caminhando para aumentar, com atendimento de 0 a 17 anos, não só de Campos, mas de Macaé, Cabo Frio, Rio das Ostras, Paraíba do Sul e por aí vai. Temos 190 crianças abrigadas, quando antes tínhamos 130, o que atribuo a desestruturação das famílias, questão das drogas, entre outros. Primeiro a gente busca o retorno dos vínculos familiares perdidos, seja com os pais, avós, irmãos ou outro parente próximo. Se não, por decisão judicial, no caso de perda do vínculo familiar, a criança tem o nome colocado para adoção. Temos equipe técnica com psicólogos, pedagogos, assistentes sociais e cuidadores. Infelizmente, é o segundo lar deles.
C24H– Você parece que respira protagonismo juvenil. Mas você é 1° suplente do PR. Tem vontade de se transformar em político?
Thiago- Agora não. Meu caminho, por enquanto, é a Fundação da Infância e Juventude, dentro de um projeto que eu estou traçando para estes quatro anos. Mas também sou suplente do PR, atrás de Magal, Kelinho, Gil Viana, Paulo Hirano, Alexandre Tadeu e Deivson Miranda. Faço parte de um grupo político e vamos esperar as coisas acontecerem... ________________________________________ Postado por Fabiano Venancio (Leia mais abaixo)