
O valor total atualizado recebido pelo governador Luiz Fernando Pezão como forma de propina, como sustenta a acusação do Ministério Público Federal (MPF) que levou à sua prisão, bancaria os salários de mais de 22 mil servidores estaduais. Segundo a acusação, foram pagos a Pezão R$ 39.105.292,42, entre 2007 e 2015. O valor seria suficiente para bancar os salários de 22.614 funcionários públicos ativos do Executivo por um mês, todos com vencimentos que variam entre R$ 800 e R$ 1.600, considerados os mais baixos do funcionalismo estadual.
A lista com os vencimentos foi obtida pelo EXTRA por meio da lei de acesso à informação e diz respeito a folha referente ao mês de junho de 2018 soma R$ 39.105.016,51. O levantamento já exclui o pagamento de mais de uma matrícula, contando somente um servidor beneficiado.
As matrículas estão vinculadas, em sua maioria, à Secretaria estadual de Educação. Também seriam beneficiados com os valores desviados por Pezão funcionários da Faetec e da Secretaria de Saúde, que cobram a aplicação de um novo plano de carreiras e salários há mais de uma década.
A partir de dezembro de 2015, ano em que Pezão ainda teria recebido propina, os servidores começaram a sentir os efeitos da crise com os atrasos de salários. Em 2016 e 2017, os funcionários públicos sofreram com vários meses sem vencimentos, sem contar a dívida acumulada sobre o 13º salário, que só foi encerrada em abril de 2018.
No fim do ano passado, muitos tiveram que recorrer à distribuição de cestas básicas feita pelo Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe). Sem dinheiro para a ceia e para as despesas básicas, os trabalhadores atrasaram contas e pegaram mais empréstimos até com parentes e amigos.
Fonte: Extra