LGBTQIA+: Projeto sobre diversidade sexual acende polêmica na Câmara de Campos

Proposta de Marquinhos Bacellar para realização da Semana da Diversidade no município divide opiniões


  • 11/08/2022, 07h24, Foto: Campos 24 Horas.

Em tempos de polarização entre conservadores e progressistas, em que a pauta de costumes está na ordem do dia, a questão da reflexão sobre os direitos da comunidade LGBTQIA+ ocupou boa parte das discussões na sessão desta quarta-feira (10) na Câmara Municipal de Campos, quando os vereadores discutiram projeto do vereador Marquinhos Bacellar (SD), que propõe a realização da Semana da Diversidade no Município de Campos. O prefeito Wladimir Garotinho (PSD) vetou a matéria, alegando vício de iniciativa no projeto que deveria ser encaminhado pelo Executivo. Vereadores evangélicos e conservadores votaram contra ou se abstiveram de votar na proposta, mas outros, como Abdu Neme e Nildo Cardoso, votaram favoravelmente. Um dos vereadores da oposição votou de forma favorável ao veto do Executivo. O Campos 24 Horas mostra as posições dos parlamentes campistas; leia abaixo

Numa legislatura campista conservadora formada, ainda assim o vereador do SD disse esperar que a proposta seja aprovada através de indicação legislativa. “O assunto é delicado para muitos, mas pra mim não é. Torço e muito que a matéria passe nesta Casa como indicação legislativa. Se nós, vereadores, estamos aprendendo a forma correta de se expressar, imagina o quanto a população também não seria beneficiada com as informações corretas com esta Semana da Diversidade? É importante e muito necessário”, argumentou o vereador. (Leia mais abaixo)

O vereador proponente do projeto afirma que não se trata de parada do orgulho gay, mas um evento visando a conscientização e respeito pelas diferenças. “Não se trata de parada gay como muitos falaram aí , mas um evento com palestras de pessoas influentes para explicar e dar conhecimento à população a diminuir o preconceito e a violência contra esses grupos”, arrematou Bacellar.

Alguns vereadores votaram a favor do veto do governo, mas outros se abstiveram ou estiveram ausentes. Alguns da oposição como Anderson de Mattos (Republicanos) votaram favoravelmente ao veto do Executivo.

Católico, o vereador Nildo Cardoso (União Brasil) ponderou que mesmo nas igrejas há pessoas que tem orientação sexual diferente da maioria, mas que não se manifestam. Pastor Marcos Elias (PSC) disse, por sua vez, que não há este caso particular em sua igreja “que segue a palavra de Cristo, mas acolhe estas pessoas com respeito, diálogo, cura e tratamento”.

Marquinhos Bacellar corrigiu o vereador evangélico. “Não há cura ou tratamento porque não é caso de doença ”, resumiu. E também questionou a semântica. "E não se trata de opção, mas de orientação sexual".

Polêmica - Abdu Neme (Avante) considerou a proposta como polêmica e votou contra o veto governamental. “O gay é igual a todo mundo, eles são cidadãos, pagam impostos e, geralmente, bons profissionais. Muitos que conheço são figuras excepcionais”, comentou. (Leia mais abaixo)

Abdu avalia que as igrejas precisam avançar na compreensão e respeito em relação às pessoas, independentemente de sua orientação sexual. “Vamos afixar na porta das igrejas que aqui não entra gay? Tratar quem, afinal? Quem é mais doente? Ele ou os outros que discriminam ou geram preconceito”, questionou.  



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