Campos 24 Horas – Mapear lagoas, investigar recursos hídricos e compreender a história da paisagem local foram algumas das atividades realizadas por estudantes da Escola Municipal Professora Eleonora da Silva Pinto Viana, em Travessão, durante uma visita de campo às lagoas Campelo e das Pedras, no final de setembro. A atividade integra um projeto de iniciação científica aprovado no Mais Ciência na Escola, da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), e reuniu pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em uma ação articulada com os programas Padrinhos da Ciência e Nosso Patrimônio Tem Valor.
O projeto, intitulado “Georreferenciamento dos recursos hídricos como prática pedagógica na educação formal no entorno da Escola Municipal Eleonora da Silva Pinto Viana na esfera de vivência dos alunos”, é coordenado por Neusa Regina Barros. A pesquisa combina levantamento bibliográfico, leitura de mapas, observação do território, visitas de campo e georreferenciamento, técnica que permite identificar e registrar a localização de elementos geográficos. Os três estudantes do 9º ano, Isac Rocha, Laiza Gomes e Marcelly Marinho., bolsistas de Iniciação Científica Júnior, acompanharam as etapas da investigação e ampliaram o conhecimento sobre o ambiente em que vivem.
A visita contou com a participação do historiador ambiental Aristides Soffiati, professor aposentado da UFF e padrinho científico do projeto, e do pesquisador Vinícius Lima, da Uenf. O registro de imagens aéreas, realizado com o apoio do Drone Caçador, também contribuiu para a pesquisa, oferecendo informações visuais sobre as áreas estudadas. Os registros irão auxiliar na análise espacial das lagoas e na produção de materiais que relacionem os dados coletados pelos estudantes às características do território.
Para Neusa Regina, aproximar a pesquisa escolar dos recursos hídricos da região permite que os alunos compreendam melhor o lugar onde vivem e reconheçam questões ambientais que fazem parte de sua realidade. A professora também destaca a contribuição de Soffiati, cuja experiência em História Ambiental amplia as possibilidades de análise do grupo. “Conhecer a história desses recursos hídricos envolve a localidade onde estes estudantes moram. Esta é uma oportunidade para eles relacionarem o conhecimento científico à realidade da comunidade. A participação de Aristides Soffiati contribui para ampliar esse olhar, trazendo referências históricas e ambientais que enriquecem a investigação”, afirma a coordenadora.
Como padrinho científico, Aristides Soffiati acompanha o desenvolvimento do projeto e contribui com referências e orientações para a compreensão das relações entre água, ocupação humana e transformações ambientais. “Nós vimos a situação das lagoas, que é uma situação crítica, já que no meio rural elas foram bastante alteradas por obras de saneamento, que na verdade são obras de drenagem, e perderam muita água. Além de tudo, elas foram cercadas pela agricultura e pela pecuária. E em Guarus, elas sofrem a ameaça do ambiente urbano, do crescimento urbano, principalmente as lagoas do Vigário, das Pedras e outras mais. Eu espero que os alunos que estiveram conosco tenham aproveitado essa experiência”, explica Soffiati.
Para Guilherme Vasconcelos Pereira, gerente de Programas e Projetos Escolares da Seduct, a atividade representa a integração entre a rede municipal de ensino e as instituições de ensino superior. “A aproximação entre a rede municipal e o conhecimento produzido no ensino superior é uma oportunidade de romper os muros das instituições e integrá-las à sociedade campista. É importante valorizar as iniciativas desenvolvidas no âmbito do Mais Ciência e o trabalho da professora Neusa, que tem promovido ações nesse sentido”, afirma.
Iniciativas integradas - A experiência também se relaciona ao programa Nosso Patrimônio Tem Valor, lançado pela Gerência de Ensino Fundamental da Seduct em setembro de 2026. A iniciativa integra as ações de Educação Fiscal do programa Na Ponta do Lápis, pactuado com o Ministério da Educação (MEC), e é desenvolvida nos componentes curriculares Projeto de Vida e Projeto Integrador. A proposta aborda a relação entre patrimônio público, aplicação dos recursos coletivos e cidadania, incentivando os estudantes a compreender que escolas, praças, prédios e equipamentos públicos pertencem à sociedade e dependem da participação de todos para sua preservação.
Embora tenham objetivos próprios, as três iniciativas se complementam ao estimular a investigação do território e a participação dos estudantes na produção de conhecimento. Enquanto o Mais Ciência na Escola promove a iniciação científica, o Padrinhos da Ciência aproxima os alunos de pesquisadores, docentes universitários e outros profissionais que podem colaborar com seus projetos. Já o Nosso Patrimônio Tem Valor amplia a discussão para a educação patrimonial e fiscal, relacionando a conservação dos bens coletivos à responsabilidade social. A integração favorece o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e aproxima os conteúdos escolares das questões locais.
O Padrinhos da Ciência funciona como uma ponte entre a educação básica e especialistas de instituições de ensino superior e de outros campos profissionais, que contribuem com conhecimentos e experiências para as pesquisas desenvolvidas nas escolas municipais. O Nosso Patrimônio Tem Valor, por sua vez, busca desenvolver a compreensão sobre o patrimônio público, a origem dos recursos utilizados em sua manutenção e a importância de preservá-lo. Ao articular essas propostas com a investigação das lagoas de Travessão, a Seduct amplia as oportunidades de aprendizagem ligadas à ciência, à história ambiental e à cidadania, valorizando o território como fonte de conhecimento.