Campos 24 Horas - O Programa de Alergia ao Leite de Vaca (APLV), vinculado à Coordenação de Alimentação Saudável e Alergia Alimentar da Secretaria Municipal de Saúde, tornou-se referência estadual graças à sua estrutura multidisciplinar, que reúne alergista, gastropediatra, nutricionista, pediatras e assistente social. Voltado a crianças de 0 a 2 anos com suspeita ou diagnóstico de APLV, o programa oferece acompanhamento integral com foco na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A novidade é que, ainda este ano, será implantado o Teste de Provocação Oral (TPO), que proporcionará diagnósticos mais precisos e seguros.
A gastroenterologista pediátrica, Juliana Corrêa, explica que casos que demandam acompanhamento especializado são direcionados aos serviços de gastropediatria ou alergista, além de uma junta médica para casos complexos que exigem avaliação integrada. (Leia mais abaixo)
“O programa disponibiliza as fórmulas infantis especiais preconizadas para o tratamento da alergia à proteína do leite de vaca. Cada paciente é avaliado individualmente conforme a gravidade dos sintomas e suas necessidades nutricionais, determinando-se, assim, a quantidade e o período de uso da fórmula. A previsão é que, ainda este ano, iniciemos o Teste de Provocação Oral (TPO), considerado o padrão-ouro para o diagnóstico dessa condição”, apontou a especialista.
Para o médico alergista, Ronald Young, a Alergia Alimentar (AA) é um problema de saúde pública global, pois afeta entre 8 a 10% da população, sendo mais comum em crianças, principalmente na primeira infância.
“A definição da fórmula ideal para cada paciente baseia-se na história clínica e familiar, além do exame físico. Quando esses parâmetros não são suficientes para sanar eventuais dúvidas diagnósticas, recorremos ao Teste de Provocação Oral. Em breve, este procedimento será realizado no ambulatório do HGG, que dispõe da infraestrutura necessária, incluindo sala equipada e equipe de suporte capacitada para intervir prontamente em caso de reações adversas”, informou.
Maryanna Nicolau, nutricionista do programa, reforça que no ambulatório, o acompanhamento nutricional é indispensável para monitorar o consumo quantitativo da fórmula prescrita, bem como a adequação da alimentação complementar. “Esse trabalho abrange a avaliação contínua do estado nutricional durante o desenvolvimento da criança, considerando sua faixa etária, eventuais restrições alimentares e o aporte equilibrado de nutrientes essenciais para o seu crescimento saudável”, salientou.
Teste de provocação oral — O teste será aplicado conforme critérios rigorosos de elegibilidade, visando garantir o fornecimento adequado das fórmulas de substituição ao leite de vaca apenas para as crianças que realmente necessitam. (Leia mais abaixo)
Ronald salienta que o TPO consiste na administração controlada do alimento suspeito, iniciando-se com doses reduzidas que são progressivamente aumentadas até atingir a quantidade habitual de consumo. “Realizar o Teste de Provocação Oral traz mais segurança ao diagnóstico e motivação para a reintrodução alimentar. Como a restrição ao leite de vaca impacta significativamente a nutrição da criança e a rotina da família, encurtar esse período de exclusão através do TPO é fundamental para melhorar a qualidade de vida do paciente e familiares”, reiterou o especialista.
Assistência — A coordenadora do Programa de Alergia à Proteína do Leite de Vaca, Fernanda Lucas, aponta que acima da faixa etária de 0 a 24 meses, o atendimento é voltado a pacientes que necessitam de suporte nutricional via sonda, tais como gastrostomia (GTT), sonda nasoduodenal ou nasoenteral.
“O fluxo de atendimento inicia-se com a triagem realizada pelo pediatra, que, conforme a necessidade clínica, encaminha o paciente aos especialistas. Após a consulta médica, o atendimento com o nutricionista é obrigatório, sendo responsável pelo cálculo das necessidades nutricionais, enquanto o médico realiza a prescrição da fórmula. Posteriormente, o caso é encaminhado à assistência social para a avaliação socioeconômica. Conforme a legislação vigente, para que o paciente seja incluído no programa e receba o benefício, é necessário que o custo da fórmula comprometa mais de 22% da renda família”, ressaltou a coordenadora, concluindo que em maio deste ano, a equipe do programa foi convidada como palestrante durante uma capacitação do APLV, no Rio de Janeiro.
Pai da pequena Laura, de 11 meses, Márcio dos Santos Valentim, 47 anos, disse que o atendimento de toda a equipe do programa é excelente. “O atendimento técnico e a pontualidade dos profissionais são excelentes. Nós fomos muito bem atendidos e tivemos todas nossas dúvidas sanadas. Estão de parabéns!”.