Professores que marcaram a história da educação campista; veja

No mês em que se comemora o Dia Professor, Campos 24 Horas lembra e homenageia figuras históricas do magistério campista


  • 29/10/2020, 00h33, Foto: reprodução do Face do professor Helio Coelho.

Considerada uma alavanca fundamental para o desenvolvimento de qualquer país, a educação no Brasil, porém, vive mergulhada em crise permanente e carente de perspectivas de um salto de qualidade e valorização dos profissionais do conhecimento. No mês em que se celebra o Dia do Professor, no último dia 15, o Campos 24 Horas lembra e homenageia figuras históricas do magistério campista e mestres de várias gerações. Promessas como a reforma do ensino e slogans como a “Pátria Educadora” e Todos pela Educação” não faltaram ao longo das últimas décadas para tentar cativar os agentes do saber, uma das profissões mais nobres da atividade humana. Certamente a mais importante entre elas porque dela dependem todas as demais.  (leia abaixo)

Em Campos, há mestres de várias gerações que foram ou continuam a ser referência na educação, como Clóvis Tavares, Luiz Magalhães, Conceição Sardinha de Azevedo, Joel Mello, Aristides Sofiatti, Beth Araújo, Hélio Coelho, Carlos Alexandre, Fúlvio D´alessandri, Sérgio Diniz, Luciano D Ângelo, Carlos Alexandre, Ivete Guerra Marins, Guiomar Valdez, Marilza Vieira, José Luis Vianna, Eduardo Peixoto Mário Lopes, Odisséia Carvalho e Lenílson Chaves, entre outros. (Leia mais abaixo)

Em entrevista ao Campos 24 Horas, o  professor Hélio Coelho se recorda com carinho de Conceição Sardinha, a quem prestou homenagem com uma foto postada em sua página no Facebook, durante um desfile escolar. “Ela foi uma de minhas primeiras incentivadoras. Dona Conceição era um dínamo, uma das fundadoras do curso de História da Faculdade de Filosofia de Campos, coordenadora da Fafic por muitos anos e diretora histórica do Liceu de Humanidades de Campos”

Hélio Coelho ainda destacou o papel de incentivadora de lideranças no período da ditadura militar e contribuindo para fortalecer o espírito de vanguarda que sempre caracterizou o Liceu de Humanidades. 

— Foi uma das que mais estimulou fortalecer o que chamamos de espírito liceísta. Em plena ditadura militar, na metade dos anos 70, nos incentivava a criar órgãos de representação estudantil no Liceu, num período em que o regime havia fechado um deles. E mesmo naquela época dura fizemos eleições, com uma campanha de duas chapas, com um professor que era o juiz eleitoral, confeccionamos títulos de eleitor, organizamos partidos políticos, o PDE (Partido Democrático Estudantil, que tinha uma visão mais de esquerda) e o PEL (Partido Estudantil Liberal, mais moderado). Eram tempos de lutas, enfrentamento da ditadura, resistência democrática e de glórias do ensino em Campos.

USINA DE LIDERANÇAS - O professor Hélio Coelho lembra do Liceu como uma usina de ideias e lideranças. “Desta época saíram o Sidney Pascotto (candidato a prefeito em 1982, pelo PT, e que foi presidente do Conselho Federal de Economia), Mário Filho (advogado e procurador da Prefeitura de Campos), o Peninha (Wellington Rangel, jornalista) entre outros. Garotinho e Fernando Leite vieram depois”, mencionou.   

Outra homenagem prestada por Hélio, como presidente da Academia Campista de Letras, foi direcionada ao professor Luiz Magalhães, falecido em 2013, aos 76 anos, quando realizou no mesmo ano o tributo “Magalha Para Sempre” para celebrar a memória do educador e diretor do Liceu de Humanidades de Campos.   (Leia mais abaixo)

“Tivemos a felicidade de registrar a importância deste grande educador e agitador cultural de nossa terra com uma celebração ecumênica, um documentário sobre ele e um sarau com muita música e poesia. Um homem morre fisicamente, mas suas ideias, seu exemplo e sua obra são imorredouras. Magalha tinha maior orgulho ter sido professor, como eu que continuo na sala de aula”, comentou Helinho. Outro orgulho de Luiz Magalhães foi que, através de seu curso pré-vestibular, mais de 10 mil alunos ingressaram nas faculdades de Campos.   

Magalhães chegou a ser preso pela ditadura. “Ele foi mal compreendido e acabou sendo acusado por alguns colegas reacionários porque tinha um modo de pensar a educação de modo vanguardista, no espírito de Paulo Freire. Eu, como advogado, fui até a Polícia Federal que era ali na Rua 13 de Maio, conversamos com doutor Rubson Fioravante, delegado em Campos, e ele acabou sendo logo liberado”, conta.    

Coelho considera que há o que comemorar, mas também deve haver espaço para reflexão a cada ano no Dia do Professor. “Do ponto de vista simbólico faz sentido comemorar a importância de nossa função para a sociedade. Mas a melhor maneira de comemorar seria efetivamente valorizar o professor em todos os níveis em sua valorização salarial e na melhoria das condições de trabalho. É preciso também fazermos esta reflexão”, pondera.

 Se a missão de lecionar é das mais nobres, hoje, no entanto, profissionais da educação se deparam com um clima de pavor no contexto de um cenário em que são pressionados por projetos como Escola sem Partido, além de ataques de agentes do atual governo que visam desconstruir a memória de referências caras aos educadores como Paulo Freire, além de medidas que visam cercear a liberdade de ensinar, algo que permanece inserido na Constituição. 

— O atual pensamento conservador quer o professor sendo um mero repetidor de conteúdo. Esta proposta representa um retrocesso para confundir a opinião pública a partir da Escola Sem Partido. A verdade é que não há ciência neutra, educação neutra, seja como concepção ou quando se parte de uma visão do homem sobre o mundo e as coisas que o cercam. A grosso modo há sempre a concepção que busca frear o avanço social da História e se coloca como defensora dos valores tradicionais como guardião de uma ordem conservadora — opinou. (Leia mais abaixo)

OBSCURANTISMO - O professor de História do Brasil e Ciência Polícia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Faculdade de Direito de Campos (FDC) critica ainda o conservadorismo que prega uma escola obscurantista no rumo do retrocesso social e não estimula o desenvolvimento de uma consciência critica do aluno para a transformação da realidade em que vive. 

“E há outra concepção que reconhece os valores tradicionais, mas entende que através da educação é possível interferir no mundo, na realidade para transformar as condições de vida da maioria da sociedade. Além da formação moral e profissional, a educação deve ser transformadora. Não pode ser confundida com partido no sentido da política partidária, mas um partido da vida plena e democrática, com base em princípios humanísticos da luta por justiça social. Este outro modelo conservador da tal Escola Sem Partido na prática quer que a escola seja partidária do obscurantismo, do retrocesso social e contra a formação de uma consciência no alunado, que precisa ser emancipadora”, comentou.

Hélio Coelho falou também sobre a tentativa de desconstrução de Paulo Freire. “É uma outra tentativa de falsear a verdade, que  está no bojo da linha conservadora desses tempos sombrios que visa manter o status quo. Freire, o grande educador brasileiro de renome mundial, dizia que quando a educação não é libertadora, o oprimido acaba querendo imitar o opressor”.   

Não por outro motivo, a profissão de professor, uma das mais desprestigiadas em termos salariais do país desde sempre, passa a sofrer também o desprestígio em função do fato de que nos tempos atuais campanhas agressivas e eivadas de fake news visam desmerecer os educadores.  

EXEMPLOS LÁ FORA - Há pelo mundo, no entanto, exemplos que devem ser seguidos. Em países desenvolvidos, como Japão, Alemanha, Canadá, Noruega, França e Suécia, uma das principais prioridades de investimentos é em educação. São destinadas verbas consideráveis em prol de um ensino de qualidade, com escolas bem estruturadas, materiais didáticos de qualidade, recursos tecnológicos inovadores, merendas com excelente base nutricional e principalmente profissionais na área de educação em todos os setores são professores, psicólogos, orientadores, supervisores, diretores entre outros, a fim de prezar por uma das maiores virtudes de uma sociedade que é a educação. (Leia mais abaixo)

 Os educadores são valorizados financeiramente e reconhecidos pelo seu trabalho essencial. Pois pesquisas apontam que, para um crescimento econômico e cultural de um país, deve-se investir consideravelmente em educação. 

Em tempos de pandemia, os professores campistas têm acumulado ainda mais problemas em sua missão de ensinar. “Nesta época de pandemia, estamos afastados dos nossos alunos e alunas pois 50% deles não tem acesso à internet ou possuem um computador. Além disso, professores têm dificuldades em entrar nas plataformas e apresentar nossas tarefas. É necessário mais investimentos na educação. Sem professor não teríamos as demais profissões. Sou professora há 33 anos e tenho orgulho da minha profissão”, afirmou a professora e ex-vereador Odisséia de Carvalho. 

No Brasil, surge uma luz no fim do túnel. Em fevereiro deste ano, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), redefiniu o piso salarial de um professor com regime de trabalho de 40 horas semanais em R$ 6.358,00. Em 2018, no início do seu governo, o piso era de R$ 5.340,00.

São esses os profissionais que têm a responsabilidade de formar crianças, jovens e adultos de todas as gerações, a juventude que irá comandar os destinos do país nos próximos anos. Apesar desta importância vital, entra ano, sai ano, entra governo, sai governo, e a situação não se altera. 

O professor ainda não tem a valorização que merece num país que investe dez vezes menos de seu orçamento com a Educação do que os gastos com o pagamento de encargos e juros da dívida pública ao sistema financeiro.  Mas ainda assim eles são símbolos da resistência. (Leia mais abaixo)



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