1º/11/2015 00h33 - Foto: Campos 24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio

Do lado de fora do centenário prédio na Lapa, não se tem a dimensão de que ali se “respira” esperança de dias melhores, futuro promissor, vontade de crescer. Muito menos que por ali passam, diariamente, quase mil e 800 crianças, adolescentes e jovens em busca de aprender, se socializar e, até mesmo, garantir uma renda extra através de diferentes cursos. É assim na sede da Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ), que tem braços por todo o município, afinal, também é responsável por uma Casa da Juventude com mais de 100 jovens em atividades e, ainda, mais sete abrigos, que totalizam cerca de 150 crianças e adolescentes à espera de reintegração às famílias ou adoção. Sem falar nos núcleos espalhados, onde são realizados cursos referentes aos programas da Fundação.
O presidente da Fundação, o advogado Rodrigo Nogueira de Carvalho, um jovem de 29 anos, é entusiasmado pela entidade e, segundo ele, apesar da pouca idade, já tem bagagem e conhecimento suficiente para não só administrar sete programas sociais que abrange toda clientela, os sete abrigos e mais de 600 servidores, como também desenvolver um trabalho social dentro da Fundação. Rodrigo Carvalho foi conselheiro tutelar eleito, por três anos, atuou na Defensoria Pública como estagiário oficial também por três anos e, antes de assumir à presidência, era assessor especial e cuidada da parte jurídica da entidade. E o que seria a FMIJ hoje? Na opinião do presidente, é um órgão que influencia a vida de centenas de crianças e jovens, procurando fazer a diferença na vida de casa um.
Campos 24 Horas – A alegria desses jovens aqui na Fundação contagia quem entra. Quantos programas existem aqui?
Rodrigo Carvalho – Temos sete programas sociais. O “Desafio”, que é o Serviço de Fortalecimento de Vínculos, por exemplo, para crianças de 6 a 14 anos e está implantado aqui na sede, além dos núcleos de Guandu, Travessão e Aldeia. Temos, ainda, o “Qualifica Jovem-Sede”, para jovens de 14 a 18 anos e o “Qualifica Jovem”, que funciona na Casa da Juventude, na Pelinca, para jovens de 16 a 29 anos. E, ainda, o “Guarda Mirim”, de 15 a 18 anos incompletos, o “Semeando Arte” para jovens de 14 a 18 anos, o “Jovens pela Paz”, de 16 a 24 anos, além do “Fortalecer”, de 0 a 18 anos.
C24H– Mas não são muitos iguais os programas?
Rodrigo – Não, primeiro porque são por faixas etárias e, depois, específicos a cada um, de acordo com o perfil deles. O “Desafio” é no contra turno escolar, para desenvolver potencialidades e, para isso, eles têm aulas de artes, reforço escolar, entre outros, sempre nesse meio todo, se implantando regras e disciplinas. O “Qualifica Jovem-Sede” tem cursos livres em diversas áreas, como gastronomia, cabeleireiro, manicure e pedicure, produção gráfica, instalação elétrica, pintura automotiva, arte em grafite e mecânica. Já o “qualifica Jovem” da Casa da Juventude são cursos de auxiliar de recursos humanos, autocad, estética, informática, logística, montagem e manutenção de computador e notbook e introdução ao design gráfico.
C24H– E os outros?
Rodrigo – Alguns as pessoas sabem bastante que existem, como o “Guarda Mirim”, hoje com 100 jovens, que dispõem quatro horas diárias no contra turno para desenvolver atividades nas repartições públicas da prefeitura e, dentro de mais alguns dias, também na Cidade da Criança. Eles têm remuneração de R$ 100 a 250/mês, de acordo com a idade e, também, têm aulas de música e fazem ensaios em bandas. Já o “Semeando Arte” os jovens têm aulas de dança, música, teatro e artes em geral, como forma de inserção na mercado cultural. Este mês, por exemplo, os alunos vão encenar O Mágico de Oz, olha só que bacana. E o “Jovens pela Paz” estão espalhados por diferentes núcleos no município. Eles também atuam no contra turno escolar ou da faculdade.
C24H– Então, muitos desses programas e cursos são para um futuro melhor, ou seja, visando renda para esses jovens, certo?
Rodrigo – Com certeza, eles estão aqui aprendendo, se qualificando, ao invés de estar pelas ruas. E o que é melhor, estão tendo oportunidade de fazer um curso que poderá gerar renda para eles. Os mais focados conseguem, prova disso é que temos pessoas que saíram dos nossos cursos e se transformaram em microempreendedores, abrindo salão de cabeleireiro, oficinas, entre outros. E os mais novos, além de estarem aqui nos cursos, estão aprendendo também boas maneiras, disciplina, respeito ao próximo.
C24H– Você disse que também tem uma clientela egressa de medidas socioeducativas. São muitos?
Rodrigo – É verdade, fazemos atendimento de adolescentes egressos de medidas socioeducativas, oriundos do Degase, que são direcionados para diferentes programas e cursos. Aqui nãõ pode existir e nem existe segregação. E por conta disso, pensamos como atrair esses jovens para um curso que realmente os motivasse, surgindo ai o Artes em Grafite, que é um sucesso entre eles, além do curso de cabeleireiro. Hoje temos cerca de 25 jovens dentro deste contexto.
C24H– E os abrigos, esse número de 150 crianças e adolescentes nestas sete casas é muito alto, não?
Rodrigo – Olha, em 2013 tínhamos 230 crianças e adolescentes abrigados e agora estamos com 150, já diminuiu bastante. E essa diminuição mostra que as políticas públicas e sociais implantadas estão surtindo efeito, já que muitas dessas crianças acolhidas estão voltando às suas casas, sendo reintegradas, além de outras estarem sendo adotadas. E muitas desses adotados foram através do incentivo dado pelo governo Rosinha Garotinho no Programa Um Lar Para Mim. O programa incentiva a adoção ao servidor municipal que, ao adotar, recebe uma ajuda de custo de acordo com a idade da criança. Mas é preciso deixar claro que a Prefeitura abre o processo de adoção, mas quem defere é a Vara da Infância.
C24H – E como é a visitação nestes abrigos?
Rodrigo – É diária e livre, claro que pré agendada com a direção de cada uma das casas, para não atrapalhar a rotina das crianças e adolescentes. Falo que são casas, porque a gente fornece tudo para que eles se sintam mesmo num lar. Eles são matriculados na escola e têm a rotina como qualquer estudante, alguns até fazem cursos fora do seu ambiente. E têm atendimento médico e odontológico caso necessário, têm atividades de lazer, vão ao shopping, vão a show, entre outros. Sem falar no atendimento psicológico e com equipe multidisciplinar.
C24H– Vamos falar de outra triste realidade, o abuso de crianças e adolescentes.
Rodrigo – Sim e temos um programa específico para casos como esse, o “Fortalecer”, que funciona próximo à Rodoviária Roberto Silveira, para crianças de 0 a 18 anos. Temos equipe técnica e multiprofissional, formada por psicólogo, assistentes social e pedagogo. São casos identificados pelos Conselhos Tutelares, escolas e rede socioassistencial em geral, já que atendemos crianças e adolescentes encaminhados pelo Ministério Público, Vara da Infância, Delegacias, Creas, entre outros. Denúncias neste sentido podem ser feitas pelo Disque 100 ou pelo 98826-4221 (aceita a cobrar).