sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 (Foto: Ag. O Dia)
Há 16 anos, o suposto terrorista Joseba vivia no Rio, com nome falso (Leia mais abaixo)
O professor de espanhol num curso de idiomas da Zona Sul e tradutor nas horas vagas. Há 16 anos, era assim que vivia no Rio, com nome falso, o suposto terrorista Joseba Gotzon Vizán González, de 53 anos, conhecido por Potxolín e apontado como membro do grupo separatista basco ETA, considerado organização terrorista pelo governo da Espanha.
Joseba foi preso nesta sexta-feira pela Polícia Federal na Zona Sul carioca, onde vivia com a mulher e o filho, e usava o nome de Aitor Julián Arechaga Echevarría. Foragido da Justiça espanhola desde 1991, quando participou de atentado que culminou na morte de policiais, ele estava incluído na difusão vermelha da Interpol — alerta máximo da polícia internacional para criminosos de alta periculosidade. A captura do criminoso aconteceu uma semana antes de prescrever o crime pelo qual foi condenado a 20 anos de prisão.
Segundo o superintendente da PF no Rio, Valdir Lemos de Oliveira, a investigação começou há alguns meses, após a polícia espanhola informar aos agentes brasileiros sobre o paradeiro de Joseba. “Mas a identidade verdadeira dele só foi confirmada há três dias, através das digitais que enviamos à Espanha. Desde então, ficamos 24 horas monitorando Joseba até conseguirmos prendê-lo. O tempo todo trabalhamos com o apoio da polícia espanhola”, explicou Lemos. A operação contou com 25 agentes da Delegacia de Imigração da PF.
Joseba ficará preso no complexo penitenciário de Bangu, mas poderá ir para a Espanha se for pedida a extradição. Ele foi indiciado por uso de documento falso. A pena é de um a cinco anos de prisão.
“É uma pessoa que vivia sem chamar a atenção, mas extremamente perigosa. (A prisão) é importante não só para o Rio, mas para o Brasil e a Espanha”, disse o delegado. (Leia mais abaixo)
O ETA (Pátria Basca e Liberdade, em basco )foi criado em 1959 com o objetivo de tornar a região basca (norte da Espanha e sudoeste da França) num estado independente. Anunciou em 2011 o fim da luta armada, após cinco décadas de violência nas quais morreram 850 pessoas.
PF teve ajuda internacional
Apesar de viver no Brasil há 16 anos com nome falso, Joseba pediu em 2012 o registro nacional de estrangeiros, que garantiria a ele a permanência legal no Brasil. Mas a PF não informou porque o suposto terrorista pretendia ficar no país.
“Essa prisão foi possível com o acordo que temos com as polícias do mundo desde que o Rio entrou na agenda dos grandes eventos mundiais. Dessa forma, podemos garantir segurança para o Brasil. Muitas pessoas podem se valer desse mecanismos que utilizou Joseba para entrar no Brasil”, explicou o delegado Lemos.
Em 1991, Joseba deixou a Espanha e foi para a França, onde viveu até 1993. Depois, foi para o México e chegou ao Brasil em 1996. A PF investiga se ele Joseba manteve contato com terroristas. (Leia mais abaixo)
Autoridades da Espanha acusam Joseba de colocar bomba no veículo de um policial espanhol em 1988, que ficou gravemente ferido. Também é atribuído a ele a tentativa de assassinato de outros dois policiais.