Preso fazendeiro suspeito de trabalho escravo
sábado, 26 de abril de 2014 - Foto: Saulo Garcez / Campos 24 Horas
Um fazendeiro, seu filho e um caseiro foram presos em São Fidélis por suspeita de submeter trabalhadores a condição análoga à escravidão

Um fazendeiro, seu filho e um caseiro foram presos pela Polícia Civil neste sábado(26), em uma fazenda da localidade de Angelim, em São Fidélis, acusados de submeter quatro trabalhadores a condição análoga à escravidão. Segundo o delegado Paulo Pires, adjunto da 134ª DP/Centro, que comandou a operação, um dos trabalhadores conseguiu fugir na noite da última quinta-feira e denunciou o caso na delegacia de São Fidélis.
Segundo ainda a polícia, os quatros trabalhadores eram obrigados a cuidar do gado e de plantações da fazenda. A jornada de trabalho durava 12 horas por dia, das 4 às 16h. Um caseiro da fazenda seria o homem que mantinha os quatro em um alojamento, sem direito direito a sair ou ter contato com funcionários de fazendas vizinhas. Além disso, segundo a denuncia, eles não recebiam salário e tinham direito a apenas duas refeições por dia.
O fazendeiro Paulo César Azeredo Girão, de 59 anos, Marcelo Azeredo Girão, de 33 anos, e o caseiro Roberto Melo Araújo, de 28 anos, receberam voz de prisão e estão na 134ª DP/Centro de Campos, a delegacia de área do fim de semana. Eles foram apresentados à imprensa na manhã deste domingo.
O delegado Paulo Pires informou que os trabalhadores demonstraram medo quando a equipe da Polícia Civil chegou à fazenda. Segundo o delegado, trabalho escravo se caracteriza nesse caso por vários aspectos, sobretudo pela jornada de trabalho extenuante e pelas condições a que eram submetidos no alojamento.
As vítimas, segundo a polícia, foram os seguintes trabalhadores: Roberto de Oliveira, de 36 anos, Davi Pereira Ferreira, 38 anos, moradores de São Fidélis, Cirlei Rodrigues Moreira, de 36 anos, cuja família é de Natividade, e Romério Mota Rosa, de 26 anos, de Campos.
Versão do fazendeiro
O fazendeiro alegou que os trabalhadores prestavam trabalhos esporádicos em sua propriedade. Segundo ele, não é verdade a versão de que os trabalhadores não recebiam salário. "Pagávamos R$ 50,00 por cada dia trabalhado. Dois deles só prestavam serviços no final de semana", disse o fazendeiro.
A Polícia Civil realiza novas diligências na fazenda na manhã deste domingo, a fim de conseguir mais provas.