
Preso desde abril do ano passado, o ex-secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, parece ter encontrado uma ocupação para seu tempo ocioso. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio, desde junho, quando foi autorizado pela Justiça a trabalhar no cárcere, o médico, que confessou ter recebido propina, diz já ter feito oito mil atendimentos na Cadeia Pública José Frederico Marques, onde está preso, e no Instituto Penal Oscar Stevenson, ambos em Benfica, na Zona Norte. A quantidade de consultas, uma média de 36 por dia, é controlada pelo próprio Côrtes, que encaminha relatórios mensais à direção do presídio, nos quais discrimina os nomes dos presos atendidos.
Foi o ex-secretário quem entrou com o pedido para que pudesse exercer o seu ofício atrás das grades. Côrtes atende desde casos simples, ambulatoriais, até mais graves, como presos que foram baleados e emergências psiquiátricas. O EXTRA teve acesso aos relatórios de três meses de atendimento. Neles, Côrtes afirma ter feito 708 consultas em junho, 1.382 em julho e 1.641 em agosto. Médicos e coordenadores de UPAs ouvidos pelo EXTRA informaram que a média de atendimentos de um médico oscila entre 50 e cem pacientes por dia, de acordo com a localização da unidade.