O ministro da Economia, Paulo Guedes, durante um evento em abril de 2019, prometeu que o gás de cozinha seria vendido ao consumidor pela metade do preço. À época, o preço do botijão de 13 kg custava perto de R$ 70,00. O brasileiro deveria então pagar R$ 35,00. "Daqui a dois anos, o botijão de gás vai chegar pela metade do preço à casa do trabalhador brasileiro", garantiu o ministro. No entanto, em Campos, município produtor de petróleo e gás, o preço do botijão já chega, em alguns pontos, a quase R$ 100,00.
Quase dois anos depois, a falácia do ministro restou em mais uma frustração de nova promessa não cumprida para a população. O preço do produto disparou para R$ 80,00 e, em muitos outros estabelecimentos, até R$ 90,00 nos mercados de Campos e Macaé, justamente duas cidades conhecidas pela maior produção de gás e petróleo na Bacia de Campos. (Leia mais abaixo)
Guedes declarou que a redução de preço do botijão seria possível com mais concorrência no setor e a "quebra do monopólio” do refino do petróleo, concentrado nas mãos da Petrobras, e da distribuição do combustível.
"No Brasil, [o gás de cozinha ] é mais caro que nos países que não têm. Por quê? Porque tem monopólio. Vamos quebrar esses monopólios e vamos baixar o preço do gás e do petróleo com a competição, fora a redução da roubalheira", prometeu. As declarações foram feitas após uma reunião com prefeitos na 22ª Marcha a Brasília em defesa dos municípios.
Campista, mas morador de Macaé, o músico Júlio Diego dos Santos Crespo, 34 anos, constatou aumento recente no preço do gás. “O ultimo que comprei custou R$ 72,00, mas agora já vejo placas em depósitos onde o botijão aqui já está custando R$ 90,00”, revela.
Em Campos, o preço do produto tem oscilado entre R$ 70,00 e R$ 80,00. A dona-de-casa Tânia Machado também constata que sentiu no orçamento o aumento do produto . “No fim do ano passado eu pagava R$ 69,00, hoje na distribuidora do meu bairro o preço subiu para quase R$ 78,00”.
Entretanto, no jogo do livre mercado, a concorrência permite ao consumidor pagar mais barato, andando um pouquinho mais. Há estabelecimentos em alguns bairros de Campos que o preço ainda não saiu de R$ 70,00 como em duas distribuidoras de gás do Jockey Clube. (Leia mais abaixo)
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito (ASMIRG-BR), Alexandre Borjaili, o preço do gás liquefeito de petróleo, também conhecido como gás de cozinha, corre risco de ser vendido para os consumidores entre R$ 150 a R$ 200 neste ano.
Vale lembrar que de acordo com dados divulgados pela Petrobras na última quinta-feira (14), o preço do botijão de gás de cozinha sofreu uma alta de 5,3% no último ano. Todo esse aumento é decorrente do distanciamento social ocasionado pela pandemia, o que fez com que a demanda doméstica pelo GLP aumentasse.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o consumidor paga hoje, em média, R$ 75,04 por um botijão de 13 quilos. Mas o valor máximo chega a R$ 105.
Em janeiro do ano passado, a média do botijão de gás era de R$ 69,74 – houve um aumento de 7,6% no período, sem considerar a inflação. Para se ter uma outra ideia, no primeiro mês de 2017, o gás de cozinha – GLP era encontrado a R$ 55,61.
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