(Vídeo da entrevista AQUI) - Desde que elegeu para cumprir seu mandato na Câmara Municipal de Campos, o vereador Leon Gomes (PDT) tem se dedicado de corpo e alma a uma meritória causa: a defesa das pessoas com deficiência. Pai do pequeno Benjamim Elias, de quatro anos, que é autista, o parlamentar sente na pele o drama e as dificuldades como a discriminação pela ausência de informação. Em entrevista ao Radar 24 Horas, programa veiculado nas plataformas digitais do Campos 24 Horas, Leon fala de sua pré-candidatura a deputado federal e afirma que pretende ser a voz destas pessoas em Brasília. O vereador, atual presidente do PDT de Campos, falou sobre suas divergências com Caio Vianna, afirmando que o partido tem uma história, muito acima de um sobrenome. Ele também afirma Campos avançou no atendimento a pessoas com deficiência e o que está sendo projetado para a Cidade da Criança nesta área.
— A causa das pessoas deficientes será uma de nossas bandeiras de luta. Elas sofrem discriminação, e mesmo sofro na pele por ser pai de um filho autista. Vamos tentar mudar este cenário, onde essas pessoas não têm um tratamento inclusivo adequado e as portas abertas para que sejam assistidas com todo cuidado que merecem — disse Leon. (Leia mais abaixo)
Campos tem registrado avanços nesta área, avalia Leon Gomes, a partir de ações na Câmara Municipal.
— Campos tem avançado de forma considerável nesta área. O que me motiva também entrar nesta causa é que no Congresso, nenhum deputado ou senador tem se posicionado de fato, não temos esta representatividade. Em 22/06 promovemos uma audiência pública do rol taxativo, quando debatemos o assunto. E mostramos que quando famílias se unem são capazes fazer transformações — afirmou.
Entre os avanços no município, Leon cita uma lei de sua autoria que permitiu Campos ser a cidade do Estado a vacinar pessoas com deficiência. “Primeiro incluímos instituições como a APAE, APOI, APAPE, o Educandários Cegos, e depois começamos alcançar outras pessoas com deficiência”, frisou.
Leon Gomes elogiou a postura firme do prefeito Wladimir Garotinho ao se engajar na causa. “Faço menção à coragem do prefeito Wladimir Garotinho naquele período, quando no âmbito federal não havia autorização para a vacinação destas pessoas, mas ele comprou essa briga e Campos adquiriu este pioneirismo”.
O legislador considera o peso de seu envolvimento por ter em casa uma situação familiar. “Não sou o único credenciado a defender a pessoas nestas condições, todo cidadão tendo alguém na família com deficiência ou não, tem condições de fazer o trabalho, mas a questão é quanto você vai se doar por esta causa”, declarou. (Leia mais abaixo)
Entre outros avanços, a doação do terreno para a APAPE pelo município e a cessão do imóvel onde funciona a APAE no Farol de São Thomé. “Agora há pouco tempo tivemos a doação do terreno da APAPE, uma indicação legislativa nossa que irá permitir melhorar e ampliar o atendimento. O projeto já está na prefeitura, o prefeito sinalizou prioridade, assim como a APAE Farol de São Thomé se encontra em situação instável na sua localização, sem um local próprio, mas alugado. “Se o dono da casa pede o imóvel, a instituição não sabe para onde ir, mas já temos uma indicação nossa pedindo a cessão do terreno. O projeto já está na Prefeitura que já está adotando providências”.
As melhorias na área do atendimento à pessoa com deficiência não para por aí. Junto à Secretaria Municipal de Educação, Leon conseguiu instituir o programa Cidade Inclusiva. “Foi também uma iniciativa nossa em abril ano passado, que graças a Deus aconteceu, através da Comissão de Educação Inclusiva, com a participação de seis universidades, incluindo pessoal capacitado, representantes da Educação e instituições onde foram discutidas as questões dos cuidadores e mediadores, entre outros aspectos”.
Um dos eventos que contribuíram para alavancar a política de direitos da pessoa deficiente foi a I Conferência Municipal em Apoio ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), realizado pela Câmara, sendo idealizado por Leon, também presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Minorias no Legislativo.
—Nesta primeira conferência trouxemos 22 palestrantes de vários estados. Não tínhamos condições financeiras. Liguei para eles, quando alguém perguntou: é pela política ou é pela causa? Eles vieram sem receber nada, o presidente da Câmara, Fábio Ribeiro, nos ajudou custeando as passagens e conseguimos trazer essas pessoas para levar informação e enriquecer o debate. Hoje podemos afirmar que a inclusão deixou de ser uma pauta invisível em Campos — ressaltou.
Outra conquista almejada pelo vereador é a concretização do projeto de criação de um ambulatório pediátrico para diagnóstico precoce, no Hospital dos Plantadores de Cana (HPC). “Já conversei com o prefeito Wladimir, que mais uma vez demonstrou sensibilidade. Precisamos de um Centro Especializado de Reabilitação, que tem financiamento do governo federal. Falta a implementação pelo município que iremos implementar, se Deus quiser”. (Leia mais abaixo)
Leon também já conversou com o prefeito sobre a necessidade de concentrar estas ações numa futura Secretaria Municipal para Proteção das Pessoas com Deficiências. “Só em Campos temos cerca de 36 mil pessoas com deficiência. Nós temos boas leis, como a Lei Brasileira de Inclusão, falta mesmo políticas públicas”.
Leon considera ainda que o problema maior enfrentado pelas pessoas autistas é a falta de informação. "Somos privados de irmos a lugares por falta desta informação, vamos chamar atenção do poder público para esta pauta. Um dia desses rstava num supermercado quando meu filho teve uma crise comportamental, se jogou no chão e eu sentei com ele tentando acalmá-lo. O problema não é a patologia em si, mas a forma como as pessoas olham. Não é bem a falta de humanidade, mas de informação", constata.
Quanto à política, Leon avalia que com a saída de Caio Vianna do PDT (trocando a sigla pelo PSD), se sentiu mais à vontade para continuar no partido após algumas divergências com o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna.
— Conversei com o Lupi (Carlos, presidente nacional do partido). Eu sou grato ao Caio por ter me cedido o partido para minha vaga como candidato a vereador. Mas logo depois tivemos algumas divergências de opiniões. Na primeira pauta a ser votada na Câmara ele queria que eu votasse contra, como no caso do projeto que passava de 11% para 14% de desconto da contribuição previdenciária no salário do servidor, que era uma lei federal na Reforma da Previdência. O município tinha que se enquadrar à lei federal — explicou.
A falta de atenção de Caio com a bancada do PDT na Câmara acabou por distanciar ainda mais Leon de Caio. (Leia mais abaixo)
— Desde quando entrei na Câmara, Caio nunca foi ao meu gabinete, nem me fez uma ligação. Só sabia de suas posições pelas postagens nas redes sociais que ele colocava. Ora, ele foi um candidato a prefeito com cerca de 110 mil votos. Deveria ter chegado mais pra perto, apresentando projetos de leis para a cidade. Afinal, ele tinha três vereadores do seu partido na Câmara — acrescentou.
— Eu sempre fui firme e leal naquilo que faço. Já fui um crítico da família Garotinho, mas encontrei em Wladimir um cara humano demais, tive a oportunidade de conhecê-lo. Além do mais, não poderia aceitar aquela discriminação política e os ataques, enquanto nem mesmo era convidado para reuniões do partido.
Leon Gomes enfatiza que o PDT em Campos tem por trás de si vultos ilustres, uma história de lutas pelas camadas sociais mais desfavorecidas e não pode se resumir a uma família ou um sobrenome.
— Não há como viver num ambiente onde não se fala a mesma língua. Quando falo do PDT estou falando de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, João Goulart, Getúlio Vargas, o próprio Garotinho, o Carlos Lupi... Respeito muito o ex-prefeito Arnaldo Vianna, que foi um prefeito extraordinário, foi ele que me deu uma bolsa para que eu tivesse uma formação profissional. Mas o PDT não acabou em Campos, sendo bem mais do que um sobrenome — finalizou comentou.
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