O comerciante Cláudio Rangel (PMN) é mais um entrevistado da série do Campos 24 Horas com os pré-candidatos à prefeitura de Campos. Homem do interior, bem sucedido em sua empresa, que opera no ramo de plano de assistência familiar (Boa Viagem), onde emprega cerca de 150 pessoas. Esse espírito empreendedor que marca sua trajetória no setor privado ele pretende imprimir na administração pública, caso seja eleito na disputa deste ano. Basta uma conversa de alguns minutos com Cláudio para que o interlocutor logo chegue à conclusão de que o agronegócio é para ele um dos atalhos para que Campos supere o marasmo, o colapso financeiro e encontre os caminhos do desenvolvimento. Seu possível candidato a vice deverá ser o coronel aposentado da Polícia Militar, Almir Porto.
“Se não for o caminho principal, vai ajudar muito se implantarmos políticas voltadas para a agricultura a fim de que Campos saia desta situação triste e difícil. Precisamos produzir mais cana, mandioca, caju e maracujá, com uma lavoura consorciada nas mesmas áreas. Mas com unidades de beneficiamento para gerar produtos com valor agregado e gerar empregos”, disse Rangel. (Leia mais abaixo)
Na visão do pré-candidato, "setores da política de Campos precisam se livrar de um costume péssimo, o de um radicalismo populista do passado que ainda reina no presente. “Os políticos no passado subiam num caixote ou num palanque chamando os usineiros de ladrões. Não quero citar nomes, mas o que esses políticos trouxeram para Campos em obras estruturantes?”, pergunta.
PRODUÇÃO - A proximidade com o Porto do Açu e dois grandes centros consumidores como Rio e São Paulo animam o pré-candidato. “Nós estamos a poucos quilômetros de um porto que é um dos maiores do mundo, e o que nós exportamos? Não conseguimos embarcar um saco de açúcar, sequer, só o minério que vem de Minas. Por que não produzimos e exportamos carne, farinha, açúcar e etanol? O Rio importa o etanol de São Paulo porque contamos com prefeitos que não enxergam um palmo além do seu nariz. Precisamos mudar esta cultura porque Campos tem tudo. O solo é bom, temos ventos, água e sol o tempo todo, além de lagoas e canais para irrigação”, analisou.
INVESTIMENTOS - Entre outras propostas do pré-candidato, a aposta é também atrair investimentos de fora para apresentar Campos, seus recursos naturais e potencialidades. “Há empresários e investidores em São Paulo e no Paraná que querem investir em Campos. São Paulo é a grande locomotiva que puxa o desenvolvimento do país. O Paraná é um estado também muito forte na agricultura. E o agronegócio é que tem salvado a economia do país. É só ver o que acontece também em Mato Grosso, Goiás ou no Nordeste. Você entra no interior de Sergipe e Alagoas, vê aqueles caminhões carregados de milho, coco e mandioca para serem beneficiadas. Por que Campos quase nada produz com um território imenso como esse?”, indaga.
ASSOCIAÇÕES E COOPERATIVAS – Cláudio Rangel é favorável a criação de associações e cooperativas de produtores, para que eles consigam adquirir equipamentos e máquinas, unidades de beneficiamento de frutas, cooperativas de laticínios ou frigoríficos, além de destilarias para produzir etanol.
Ainda segundo a visão de Rangel, “para o município avançar, o governo municipal tem que ser parceiro dos industriais, dos comerciantes, dos agricultores, dos trabalhadores e de quem produz em geral, apresentando idéias e propostas”. (Leia mais abaixo)
O pré-candidato ressalta que os pequenos e grandes e negócios tem maior capacidade de geração de empregos, mas há necessidade de investimentos na zona rural.
FEZ MAL - A respeito do grande volume de recursos do petróleo que entrou nos últimos 30 anos em Campos, Cláudio Rangel analisa que: “Em vez de atrair indústrias, os prefeitos sentaram em cima do dinheiro dos royalties. Os recursos dos royalties praticamente acabaram, e a cidade ficou nesta situação, com hospitais públicos fechando as portas por falta de pagamento, servidores e aposentados da prefeitura com atraso de salários. Hoje Campos é uma cidade que entrou em colapso, onde nada funciona. Não há saúde, educação, transporte...”.
VEREADORES - As relações de Câmara Municipal com o governo também foi outro assunto tratado pelo pré-candidato. “A Câmara tem que fiscalizar o prefeito, não ficar neste jogo do “toma lá dá cá”. O vereador tem que criar leis e ouvir as comunidades, levar as reivindicações para o prefeito e cobrar. Criticar os erros, não sendo convivente com eles, mas também apontar caminhos”, declarou Cláudio Rangel.
FINANÇAS - A situação de colapso nas finanças da prefeitura deve ter um tratamento de choque, na visão do pré-candidato. O próximo prefeito tem de fazer um checkup da situação do funcionalismo, saber quantos são os servidores, qual o real tamanho da folha de pagamento para chegarmos a uma situação de equilíbrio. Hoje há muitas pessoas que procuram trabalho, mas não querem trabalhar”, afirmou.
“Há também a necessidade de buscarmos recursos fora do município, e iremos atrás deles. Campos é uma cidade importante, precisamos buscar recursos federais com nossos representantes em Brasília, realizar com os deputados de nossa região uma boa parceria para colhermos os benefícios, independente deles pertencerem a este ou aquele partido político”. (Leia mais abaixo)
EDUCAÇÃO - Na educação, o pré-candidato entende que precisa mudanças por conta das notas ruins que Campos tem colecionado nos últimos anos no Ideb. E relata algumas experiências que teve. “Na minha empresa aparecem lá pelo menos 50 currículos por dia. Tem lá nome, endereço, telefone e pretensões do candidato, além de outros itens. Mas quando eu peço para eles sentarem ao meu lado para escreverem o que pretendem, chegam a passar mal. Os erros aparecem, caligrafia não é a mesma, eles pagam alguém para fazerem o currículo. Então está aí uma deficiência na nossa educação, que precisa de gente capacitada na secretaria para tirar Campos desta situação”.
SAÚDE - Na Saúde, Cláudio Rangel considera que Campos continua em situação de calamidade. “É o que vemos todos os dias, essa rotina diária com hospitais que não funcionam como deveriam, embora o orçamento da saúde seja milionário (cerca de R$ 800 milhões).
TRANSPORTE - A situação do transporte público não passou em brancas nuvens no crivo do pré-candidato. “Você vê que em quase quatro anos, o atual governo não conseguiu fazer nada. A televisão mostra os passageiros sentados em caixotes naquele terminal improvisado no Tarcísio Miranda, onde os que vem do Farol de São Thomé tem que fazer uma baldeação para pegar outra condução para ir ao Centro. Imagine uma pessoa que mora na Baixada Campista e trabalha na Pecuária. Vai ter que pegar dois ônibus chegar lá tão cansada que não vai conseguir render bem no trabalho. O problema é que os que montaram este projeto para o transporte público em Campos, nunca andou de ônibus”, comentou.
“O correto seria trazer linhas de vans para o Centro. Seria uma forma de movimentar o comércio da área central, na Rua Sete de Setembro, Aquidabã e outras”.
Rangel acaba de se recuperar após internação num hospital particular por conta da Covid 19. “Fiquei lá por 20 dias, vou ficar mais uma semana em casa e pretendo logo voltar a normalidade. Mas foi um desconforto difícil. Perguntei como era a situação dos nossos irmãos que estão sendo tratados num hospital onde a prefeitura assiste os doentes contaminados pela pandemia. E me disseram que o tratamento não era o mesmo. Infelizmente. Eu às vezes chego a incomodar porque sou verdadeiro. (Leia mais abaixo)
“Sou um simples comerciante, que nasceu no Córrego Fundo, na Baixada Campista, entre Campos e São João da Barra, que gosta de forró e de um bom churrasco. Já fui tocar boi na roça, trabalhei como servente de pedreiro e vendi farinha na feira em Duque de Caxias, onde fui também concessionário de serviços públicos de assistência funerária, neste ramo onde trabalho atualmente. E depois resolvi voltar para empreender na minha cidade. Sou um pré-candidato que tem ficha limpa e pretende contribuir durante a campanha para expor idéias que, de alguma forma, contribuam para mostrar caminhos e alternativas para Campos diante de tantas decepções com os gestores que vem governando nosso município ao longo dos anos”, finalizou Cláudio Rangel.