Pré-candidato Edmar Ptak: "Há saída para Campos superar a crise"

Pré-candidato a prefeito do Pros, Edmar Ptak é o entrevistado do C24H nesta sexta


  • 14/08/2020, 00h54, Foto: reprodução do Facebook.

Há saída e jeito para Campos superar a crise, bastando que o próximo prefeito pare de reclamar e busque soluções práticas e concretas para o desenvolvimento do município. A receita é do empresário, produtor rural e advogado Edmar Ptak (Pros), 44 anos, pré-candidato a prefeito nas eleições de 2020, que toca nas feridas expostas da administração municipal e critica a postura do prefeito Rafael Diniz quando prometeu a manutenção de programas sociais do governo anterior, além de não ter feito as ações necessárias para que o município aumentasse suas receitas para suprir as perdas dos royalties. Ele aponta caminhos para vencer a crise. É mais um entrevistado na série de entrevistas do Campos 24 Horas com os pré-candidatos à prefeitura de Campos. (leia abaixo)

Na visão do pré-candidato, o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) enganou a população ao prometer a manutenção dos programas sociais e políticas públicas: "A situação é complicada, mas cabe ao gestor não apenas reclamar, apontando dificuldades, mas também buscar soluções e atrair recursos, não ficar de braços cruzados e dependendo do dinheiro do petróleo. Chegamos quase ao fim dos royalties e das participações especiais, alguma coisa tem que ser feita. Mas o prefeito Rafael Diniz só sabe reclamar, dizer que não tem dinheiro. Ele cruzou os braços",  disse o pré-candidato.   (Leia mais abaixo)

AGRICULTURA - Ptak destaca que investir no setor sucroenergético com foco na lavoura canavieira é ainda a principal vocação de Campos. “Não adianta inventar a roda, nossa maior vocação é a cana, onde temos conhecimento acumulado de técnicos e pesquisas, mas outras culturas podem ser estimuladas como o abacaxi. Em Campos há duas usinas com capacidade de moer o dobro da cana plantada hoje no município. Mas se uma delas falir ou for desativada, o produtor não terá a condição favorável que tem hoje. Vai ficar na mão de uma usina apenas, que vai pagar o que quiser pela tonelada da cana. Felizmente, graças ao empresário Renato Abreu, presidente do Grupo MPE, a Coagro está se sustentando e a Usina Paraíso pode voltar a moer  em 2022 com os investimentos que tem sido feito no plantio. Mas é preciso que haja estímulo do poder público porque a maioria dos produtores de cana é de pequenos fornecedores, que tem entre um e quatro alqueires.  Então, ele precisa de incentivos, de trator para tombar a terra, incentivos para tratos culturais na lavoura e na compra de insumos a preços maios baratos, enfim. E o Fundecana tem que voltar, os recursos devem ser destinados a esses pequenos produtores, não apenas aos amigos do rei”. 

IRRISÓRIOS - Os recursos minguados do Orçamento da Secretaria Municipal de Agricultura foram alvos das críticas de Ptak. “Quando deixou o governo, a ex-prefeita Rosinha Garotinho deixou uma dotação de R$ 5 milhões de Orçamento para a Secretaria de Agricultura. Mas o atual governo decidiu reduzir para R$ 250 mil”.      

PROJETO - Um impulso para incrementar agricultura canavieira, lembra Ptak, está na possível aprovação este ano de um projeto do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), tornando o Norte Fluminense região do semiárido (como o Nordeste) por falta de um regime chuvas regulares. “Aí, sim, teremos financiamento para irrigação e plantio a juros subsidiados”. 

INÉRCIA I- A inércia do governo municipal é uma das causas do marasmo que Campos atravessa, na visão do pré-candidato. “Alguém do governo já procurou o senhor Renato Abreu? Alguém o convidou para ir até Brasília em uma audiência com o ministro da Agricultura ou do Desenvolvimento? O prefeito algum dia já se reuniu com as bancadas de deputados estaduais e federais? Já apresentou projetos e saiu em busca de emendas parlamentares? Hoje, as emendas passaram a ser impositivas, o governo é obrigado a liberar esses recursos. Mas Rafael, quando viaja para Brasília, vai lá para fazer política”.   

INÉRCIA II – A busca de investimentos privados também não passou fora das observações de Ptak. “Quais empresas ele (o prefeito) atraiu para Campos? Somos um município de mais de 4 mil quilômetros quadrados, estamos dentro de um triangulo, entre as três maiores capitais do País, Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Estamos aqui diante de um porto que é o maior da América Latina e um dos maiores do mundo. E a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Campos faz o quê? Quantos empregos trouxe? Não desenvolve nada. O secretário tem que sair para viajar, mostrar projetos, buscar recursos de investidores pelo país ou no exterior. O mundo está com taxas de juros abaixo de zero. O investidor quer ter retorno em seu dinheiro, não ficar com o capital parado, ocioso, pagando para ter dinheiro guardado no banco sem rendimentos. Então, ele vai ter que investir num negócio em qualquer lugar para obter retorno”.  (Leia mais abaixo)

INCAPACIDADE - O pré-candidato resume a incapacidade do governo atual em não fazer deslanchar projetos de desenvolvimento. “O Nildo Cardoso (ex-secretário de Agricultura) tinha uma emenda parlamentar do deputado federal Felício Laterça para reativar a Ceasa, gerando milhares de empregos. Mas acabou deixando o governo e o projeto não foi adiante ele porque soube que o prefeito não iria cumprir com o combinado e usar a verba para outras finalidades”. 

TURISMO – Ptak questiona a função da Superintendência de Turismo em Campos. “A Superintendência de Turismo gera quais receitas? Nós temos locais de enormes potencialidades turísticas e belezas naturais indiscutíveis como o Imbé, Lagoa de Cima e Rio Preto. E o turismo histórico com os solares de nossa rica e bela arquitetura, com a história da escravidão? Mas eles só falam no Farol de São Thomé, é um dever de casa investir lá, já que é a nossa única praia. Mas o que tem sido explorado em muitos locais para o turismo funcionar onde há potencialidades? O Rio Paraíba comporta um restaurante flutuante e outras atividades, mas o setor de turismo da Prefeitura só gasta com salários de sua burocracia, é incapaz de gerar receita. Não há ali ações positivas, é produção zero”.      

PECUÁRIA – Na ótica de Edmar Ptak, Campos precisa também recuperar as potencialidades da pecuária leiteira. “Todo mundo bebe leite e toma Coca Cola, mas não temos mais a Cooperleite, como já tivemos a Coca Cola. Hoje o pecuarista se encontra desestimulado gerando uma baixa produção, não apenas pelo preço do litro de leite, mas por falta de incentivos para o melhoramento do rebanho, investimentos em tecnologia com a compra de equipamentos, máquinas e resfriadores”.    

CUSTEIO - Edmar Ptak defende um conjunto de medidas profiláticas e entende que o enxugamento da máquina administrativa tem que ser prioridade no conjunto de medidas para saneamento financeiro da Prefeitura, com a redução do número de secretarias e superintendências.  “O Orçamento previsto este ano é de R$ 1,6 bilhão. Mas a folha de pagamento deve chegar a R$ 1,1 bilhão/ano, com férias e 13º salário. A Secretaria de Governo tem um secretário, um subsecretário e um adjunto, fora os cargos de segundo e terceiro escalão que estão ali para fazer política, nada mais. Com o quadro de servidores efetivos concursados é possível tocar a administração da prefeitura, não há necessidade de se contratar RPAs e nomear DAS, que é função gratificada, para cargos de secretário gerando mais despesas para os cofres da prefeitura. É preciso saber quem trabalha e quem não trabalha”. 

Uma das saídas apontadas para obter recursos, segundo Ptak, é a cobrança de recursos da dívida ativa na Prefeitura. (Leia mais abaixo)

EDUCAÇÃO - Na educação, Ptak criticou as notas do Ideb obtidas por Campos, a atuação do governo no ensino durante a pandemia e alerta que o município está sob risco de perder as verbas do Fundeb. “Este ano Campos ficou fora da avaliação do Ideb porque a secretaria de Educação perdeu o prazo para inscrever Campos no Prova Brasil. E com isso o município pode perder repasses do Ideb. Enquanto os servidores da Educação estão em casa devido a pandemia, eles demitiram os professores por contratação temporária. E dizem não haver recursos para manter os alunos em atividade, alegando falta de material para aulas virtuais. Só criam dificuldades, a educação terá um ano perdido”.  

SAÚDE – Os recursos de cerca de R$ 2,4 bilhões nos últimos três anos do Orçamento da Saúde e a precariedade no atendimento também são questionados pelo pré-candidato. “Onde foram gastos estes recursos, se faltam remédios, médicos e os hospitais estão nesta situação crítica de atrasos de repasses dos convênios? Em Campos, há coisas estranhas neste governo, como a participação de empresas que respondem a processos em vários estados e municípios. Cadê a CPI da Saúde, que foi rejeitada pela Câmara?”.    

TRANSPORTE - O projeto apresentado por Felipe Quintanilha (presidente do IMTT, Instituto Municipal de Trânsito e Transporte) para o transporte público de Campos também entra no rol das críticas de Ptak. “É bonito no papel, mas na prática não funciona esse projeto, que prevê o transporte de passageiros dos distritos e da periferia para o chamado tronco alimentador e levar o pessoal para os terminais. Mas cadê o tronco alimentador? Naquele terminal provisório não existe banheiro, lugar para o passageiro sentar, o que era provisório virou permanente. Ele conseguiu desagradar a todos: nem o passageiro, o permissionário das vans ou as empresas de ônibus ficaram satisfeitos”.   

RAFAEL DINIZ– Para Ptak, o prefeito Rafael Diniz praticou um estelionato eleitoral, ao prometer que iria manter os programas sociais e políticas públicas do governo que o antecedeu.  

— Na campanha eleitoral, quando perguntado se iria construir casas populares, ele disse que iria, “mas não aquelas casas ruins, com segurança e sem aquelas brigas de facções por perto, que iria ter transporte e tudo mais. Falou que iria manter o restaurante popular no Centro e construir outro em Guarus. No transporte, disse que iria manter a passagem a R$ 1,00 e a população teria mais ônibus. O Cheque Cidadão, a mesma coisa. Na verdade, ele praticou um estelionato eleitoral. E ainda quer ser candidato à reeleição... O eleitor este ano precisa ter mais cuidado com as promessas desses aventureiros. — concluiu.      (Leia mais abaixo)

DEFINIÇÃO - A candidatura de Ptak, no entanto, depende da decisão do deputado federal Wladimir Garotinho em concorrer ou não à Prefeitura este ano. “A orientação do Pros, que tem a deputada federal Clarissa Garotinho como presidente, é que nossa candidatura depende da candidatura de Wladimir. Se ele entrar na disputa, devemos definir na convenção outra alternativa, apenas com candidatos à Câmara de Vereadores”, explicou.  

 



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