“Não podemos envergonhar os campistas com seus governantes sendo achincalhados por incompetência. Precisamos acabar com esta desonestidade e mediocridade que tem marcado a história deste nosso município, que sempre foi uma potência, mas hoje está nesta situação de falência por uma série de péssimos administradores que desperdiçaram nossos recursos. Precisamos reconstruir nossa cidade”.
A declaração é do construtor civil e pequeno proprietário rural Jonathan Paes, de 33 anos, pré-candidato a prefeito de Campos pelo PMB (Partido da Mulher Brasileira). Ele falou ao Campos 24 Horas na série de entrevistas que o site faz com os possíveis concorrentes na eleição de 15 de novembro. (Leia mais abaixo)
“Como muitos campistas, somos pessoas que não suportam mais ver os velhos grupos tradicionais que se sucedem e faliram nossa cidade. Gente que quer se perpetuar no poder e escravizar o nosso povo. Não queremos mais isso. Somos um grupo de profissionais liberais de diferentes faixas de idade, onde há médicos, engenheiros ou agrônomos e gente de outras profissionais com capacitação técnica e muita força de vontade para mudar esta cidade. Posso garantir que não somos promessa, mas solução”, afirmou o Jonathan.
O pré-candidato garante que o grupo tem experiência e projetos para transformar Campos. “Temos uma vasta gama de projetos a curto prazo para tirar o município deste atoleiro. Mas temos também projetos de médio e longo prazo, a exemplo da agricultura voltada para a sustentabilidade, com a recriação do colégio agrícola e das escolas agrícolas pelo interior”.
Ao lado da agricultura, o pré-candidato do MDB pensa em um plano de desenvolvimento voltado para a psicultura que poderá ser tocado de forma imediata. “Não apenas para produção de peixe, mas para processamento e comercialização, gerando emprego e renda. Ao lado da agricultura familiar”.
A exploração da bacia leiteira campista poderá ser também foco no olhar e nas ações do pré-candidato, garante Jonathan. “Em nossa zona rural produzimos mais de 20 mil litros de leite por dia. Já tivemos a Cooperleite, porque não criarmos programas de incentivo as pequenas cooperativas para que o leite produzido aqui seja beneficiado em Campos, gerando mais riquezas e empregos para o município?”, questionou.
Diante da falta de recursos do município para investimentos, Jonathan acredita que Campos tem potencial para atrair investimentos de fora pelos seus recursos naturais e a capacidade técnica de técnicos, pesquisadores, universidades. (Leia mais abaixo)
“É vital levar projetos para Brasília, em todos os ministérios, e também buscar as parcerias público-privadas. Trata-se de coisas viáveis, mas faltam ideias e projetos que ninguém apresentou lá fora, inclusive no exterior, para captar investimentos a fim de que a cidade saia deste atoleiro. Campos é rica em técnicos e pesquisadores do mais alto nível, com nossas universidades, que estão entre as melhores do país. Temos rios, lagoas e canais que podem servir de fontes de irrigação de nossas terras que são também férteis. O que está falta?”, questiona novamente Jonathan Paes
A pergunta, o pré-candidato se apressa em responder. “Falta é gestão, gente que tenha coragem para mudar e fazer tudo ao contrário do que fizeram antes. Foram incapazes de administrar com tanto dinheiro, transformando uma cidade que era uma potência num município sem orçamento, que não produz nada, ou quase nada. Tudo que produzimos é muito pouco ou insuficiente até para o nosso próprio consumo. O que consumimos vem quase tudo de fora, de outros estados e municípios. Precisamos de receitas para sermos auto-sustentáveis. E porque o dinheiro fácil dos royalties chegou ao seu fim”, sentenciou.
Além da produção, Jonathan admite que a máquina administrativa em Campos precisa de reordenamento. “O problema são os que não trabalham. A máquina está inchada, mais por critérios políticos do que técnicos”.
Ele afirma se inspirar em dois brasileiros, ambos já falecidos, nacionalistas ilustres que pensaram o Brasil. São eles o médico Enéas Carneiro, que foi candidato a presidencia da República, e o baiano José Walter Bautista Vidal, engenheiro e doutor em física, uma das maiores autoridades do país em produção de energia com a utilização da biomassa, considerado um dos pais do Proálcool (Programa Nacional do Álcool).
“Bautista Vidal provou que, diante da crise energética da década de 1970, o etanol seria uma das nossas grandes saídas para o desenvolvimento. Nosso PIB subiu consideravelmente naquela época, produzindo álcool. E pensar que Campos já foi o maior produtor de cana do país, mas hoje não temos cana suficiente, nossas poucas usinas operam com capacidade ociosa. O município tem de voltar a produzir etanol para o nosso consumo e exportar uma fonte de energia renovável”. (Leia mais abaixo)
A respeito dos programas sociais, Jonathan disse ser favorável a sua manutenção, desde que haja uma porta de saída. “Com este desequilíbrio social que temos, sou a favor, mas para quem precisa. E o beneficiário do programa social não pode ficar a vida toda como refém daquele benefício. A não ser que esteja incapacitado para o trabalho. É preciso reinserir o cidadão no mercado de trabalho, prepará-lo para que ele possa também ser produtivo”.
Sobre educação, o pré-candidato mexe na ferida das notas do Ibeb. “Investimentos em educação, os resultados são colhidos no longo prazo, mas é preciso fazer algo no curto prazo, cobrar resultados. Por que Campos, com todo este orçamento bilionário, está sempre mal nas notas do Ideb? Essas pessoas que foram gestoras da educação em Campos e os prefeitos que se sucederam no poder tinham que ser cobrados por isso”.
Quanto à Saúde, Jonathan Paes, questiona. “Outro absurdo é ter um orçamento de quase R$ 2,4 bilhões em saúde, mas os serviços de saúde não chegam ao povo que mais precisa. É muita incompetência, com toda esta montanha de dinheiro termos uma saúde com esta que temos em Campos, onde só se ouve reclamação”.
Ainda em relação ao tema, Jonatham destaca o seu pré-candidato a vice, o ginecologista Constantino Ferreira. “O dr. Constantino tem mais de 50 anos de história na medicina, então esta bandeira de uma saúde de qualidade nós estamos muito a vontade para levantar”.
O transporte público também foi outro assunto abordado pelo pré-candidato. “A população que depende do transporte de passageiros não tem sido bem assistida, fragilizada até no seu direito e ir e vi”. (Leia mais abaixo)
Jonathan se declara um campista da gema, um pequeno produtor rural que adora e cria cavalos, além de uma boa festa do laço. “Nasci no bairro do Jockey, mas tenho minhas raízes fincadas no interior, lá na roça mesmo.
Quanto ao Partido da Mulher Brasileira ter dois candidatos do sexo masculino ao Executivo em Campos, Jonathan Paes, pondera.
“No Brasil, na maioria das vezes as mulheres estão nos partidos apenas para compor número e cumprir uma exigência da lei para preencher a lista, mas não tem participação nenhuma nas siglas. Com o PMB é diferente. Em nossa presidência nacional há uma mulher como presidente, a Suêd Aidar. Em Campos, também é diferente. A nossa presidente municipal da legenda é uma mulher, Edna Caldas. A Daniele, que é vice, outra mulher. E a minha esposa, Poliana Jaqueline, também participa, tem um projeto lindo para as mulheres desde a pediatria, a adolescência, o pré-natal, passando pela obstetrícia, algo semelhante a um projeto que já em Brasília”.