Porto Central se movimenta para atrair refinaria, gasoduto e térmicas

Complexo de Presidente Kennedy (ES) cujas obras serão iniciadas ainda este ano trará impactos para a economia do Norte Fluminense com geração de milhares de empregos




22/02/2021, 17h11, Foto: Reprodução.




 










Apontado como um dos principais empreendimentos portuários do Espírito Santo e com impactos na economia do Norte Fluminense, especialmente quanto à geração de empregos, o Porto Central, em Presidente Kennedy (RJ), na divisa com São Francisco de Itabapoana, deve ter suas obras iniciadas no primeiro semestre de 2021, entre abril e maio. (leia mais abaixo)


O cronograma de construção do complexo de águas profundas foi impactado pelo avanço mundial do coronavírus  mas a crise sanitária não desanimou os investidores, que correm atrás de sócios para uma ideia mais ousada: construir um gasoduto para escoamento do gás do mar à costa do Estado. (leia mais abaixo)


“A pandemia afetou [o prazo] porque nesse primeiro terminal a carga âncora é o petróleo, e as petroleiras, com a queda do preço do barril, passaram por uma fase de reavaliação de seus investimentos. Felizmente, esse pré-sal brasileiro é competitivo e, depois de alguns meses, as petroleiras confirmaram seu plano de investimento como originalmente estava previsto. Retomamos as negociações e esperamos em curto prazo fechar esses contratos com os primeiros clientes e fazer o financiamento do projeto”, destaca o CEO do grupo, José Maria Vieira Novaes. (leia mais abaixo)


Para a primeira fase de obras, o Porto Central estima que serão gerados 2 mil empregos diretos e 2 mil indiretos. A expectativa é que se abram 4 mil oportunidades de trabalho em dez anos de funcionamento.


Para o projeto no novo mercado de gás, o Porto Central estuda a viabilidade junto a investidores parceiros. A ideia é que tenha uma rota saindo do pré-sal, na Bacia de Campos, no Litoral Sul do Espírito Santo, e depois uma outra linha levando o combustível já purificado até Minas Gerais.


Essa estrutura vai atrair para o complexo outros projetos, como terminal de tratamento de gás e termelétricas para a geração de energia mais limpa e mais barata. A intenção é que o local também possa receber uma planta de regaseificação para processar gás natural liquefeito que poderá ser importado de outros países.


O complexo industrial portuário multipropósito em desenvolvimento em Presidente Kennedy, ficará em uma área de aproximadamente 2.000 hectares. O negócio prevê um porto de 25 metros de profundidade capaz de receber navios de grande calado, tais como VLCCs e Valemax, com até 400.000 toneladas de capacidade.


Os investimentos que ele deve atrair serão principalmente do setor de energia, já que o Porto Central prestará serviços para grandes empresas de petróleo e gás. Também tem planos de expandir os negócios com terminais de grãos, de carga geral e contêiner, e de granéis sólidos de exportação.


Na carta de pedido de autorização para a construção e exploração do terminal de uso privado, a direção do Porto Central destacou que o empreendimento, de cerca de R$ 3 bilhões, vai constituir um indutor do crescimento econômico nacional e local, potencializando os fluxos de comércio exterior, reduzindo os custos logísticos e aumentando a competitividade do país, além de gerar emprego e renda na Região Sul, uma das menos desenvolvidas economicamente no Estado.


O acesso marítimo para os terminais será realizado por meio de um canal de acesso de 300 metros de largura, permitindo duas vias de tráfego simultâneo para navios de médio porte e tráfego de sentido único para os maiores navios.


A área foi apontada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) como prioritária e ideal para a instalação de um porto. Um terreno de 6.815 hectares ao redor do local foi disponibilizado para o desenvolvimento de um distrito industrial, contribuindo para o crescimento planejado e integrado da região.


A localização do Porto Central no Sul do Estado é tida pelos investidores como estratégica por estar no centro da costa brasileira, próxima aos grandes polos produtores do país, como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro. Destaca-se ainda pela proximidade com os principais campos de petróleo e gás do país.


"Presidente Kennedy reúne vários elementos importantes, como o fato de estar no extremo-sul do Espírito Santo, mais perto das reservas de petróleo, mais próximo do Norte Fluminense. É uma região bem próxima a grande estoque de petróleo. Uma outra vantagem é que lá é uma área totalmente plana, desabitada, bastante propícia para projetos industriais de grande porte. Um outro aspecto importante é que as conexões rodoviárias são boas e a ligação ferroviária está muito perto de acontecer com o plano de construção até Anchieta”, pontua Novaes.