O porta-voz do presidente Vladimir Putin admitiu que a Rússia ainda não atingiu nenhum de seus objetivos militares na Ucrânia e se recusou a negar que Moscou poderia recorrer ao uso de armas nucleares.
Em entrevista à Christiane Amanpour, da CNN, nesta terça-feira (22), Dmitry Peskov rejeitou repetidamente a descartar que a Rússia considerasse o uso de armas nucleares, contra o que Moscou via como uma “ameaça existencial”. (Leia mais abaixo)
Quando perguntado em que condições Putin usaria a capacidade nuclear da Rússia, Peskov respondeu: “se é uma ameaça existencial para o nosso país, então pode ser”.
Putin já havia sugerido o uso de armas nucleares contra nações que ele via como uma ameaça à Rússia. Em fevereiro, o presidente russo disse em um comunicado televisionado: “não importa quem tente ficar em nosso caminho ou ainda mais criar ameaças para nosso país e nosso povo, eles devem saber que a Rússia responderá imediatamente, e as consequências serão como você nunca viu em toda a sua história.”
Ainda declarou que os “oficiais dos principais países da Otan se permitiram fazer comentários agressivos sobre nosso país, portanto ordeno ao Ministro da Defesa e ao chefe do Estado-Maior Geral que coloquem a Força de Dissuasão do Exército Russo em alerta de combate.”
Questionado sobre o que Putin achava que havia conquistado na Ucrânia até agora, Peskov alegou: “bem, em primeiro lugar, ainda não. Ele ainda não alcançou”.
O porta-voz também proclamou que a "operação militar especial" -- eufemismo oficial do Kremlin para a invasão da Rússia na Ucrânia-- estava "seguindo estritamente de acordo com os planos e os propósitos que foram estabelecidos de antemão". (Leia mais abaixo)
Peskov também repetiu as exigências de Putin, dizendo que os "principais objetivos da operação" são "se livrar do potencial militar da Ucrânia", garantir que a Ucrânia seja um "país neutro", se livrar de "batalhões nacionalistas", para a Ucrânia aceitar que a Crimeia --anexada pela Rússia em 2014-- seja parte da Rússia e aceitar que os estados separatistas de Luhansk e Donetsk "já são estados independentes".
Ele também sustentou que a Rússia só atacou alvos militares, apesar de numerosos relatos de ataques aéreos contra alvos civis que abrigam ucranianos comuns.
A entrevista ocorre quando a inteligência ocidental informou que as operações da Rússia pararam em partes da Ucrânia.
Fonte: CNN